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O futuro é teu!

O futuro é teu!

A Futurália regressa à Feira Internacional de Lisboa e promete arrastar até ao Parque das nações um mar de jovens em busca de uma orientação para o seu futuro. O caminho que é cada vez mais difícil de escolher, fruto da actual conjuntura do mercado de trabalho.
04.03.2010 | Por Cátia Mateus


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Global, competitivo, em constante mutação e longe de assegurar lugares vitalícios, assim é o mercado de trabalho actual. Uma radiografia que exige por parte dos jovens um corte definitivo com premissas passadas centradas, por exemplo, nas dicotomias escola vs trabalho ou escolhas profissionais vs emprego para toda a vida. Fruto desta nova realidade ou não, a verdade é que para os jovens é cada vez mais difícil tomar uma decisão certa e segura em relação ao seu futuro e às suas opções profissionais. São cada vez mais os que arrastam a decisão da escolha de um curso quase até ao limite da candidatura à universidade.

A pensar nestes e procurando apoiar os mais jovens numa escolha consciente do seu futuro profissional, a Feira Internacional de Lisboa (FIL), no Parque das Nações, acolhe de 10 a 13 de Março, a edição 2010 da Futurália – Salão de Oferta Educativa, Formação e Emprego (ver texto pág.8) . O certame soma três edições e tem-se assumido como um sucesso de visitantes cativando um público jovem onde se destaca o ensino secundário, mas também os finalistas do ensino superior em busca de oportunidades profissionais ou soluções de formação avançada.

É neste certame que Raquel Valério, de 17 anos espera, definir de vez o seu caminho. Raquel frequenta o 12º ano, na área de Ciências e Tecnologias, mas não está 100% segura de que o seu futuro passe por uma área científica. A sua indecisão em relação à escolha do curso é tal que até já equacionou não se candidatar este ano à universidade para poder ter o seu tempo de decisão. A média não é o problema já que espera concluir o 12º ano com nota final de 16 valores, o que está em causa é mesmo uma mudança radical de área. Raquel pondera candidatar-se a uma licenciatura em Direito. “Quando conclui o 9º ano já me passava pela cabeça a área de Direito e fiz testes psicotécnicos para testar essa possibilidade”, esclarece.
Contudo, os resultados não serviram de grande ajuda no seu caso: “disseram que eu podia ir para qualquer área, sem problemas”. Face a este quadro, a jovem apostou na segurança. “Escolhi a área da Ciência e Tecnologias porque considerei que me daria mais oportunidades profissionais no futuro, mas não perdi a ideia do Direito e a verdade é que agora me imagino mais com uma carreira nessa área do que em qualquer outra ligada ao ramo das ciências”, esclarece a jovem que espera na Futurália esclarecer as dúvidas que ainda tem, tentando perceber um pouco melhor a profissão sem deixar de tomar contacto com outras da área que actualmente frequenta.

Menos dúvidas tem a sua colega Carolina Guerra. Apesar de nunca se ter submetido a teste psicotécnicos, a jovem de 17 anos soube no 9º ano que o seu futuro passaria pela área das ciências e tecnologias, o que demorou a perceber foi qual seria o melhor curso para si. Tudo indica que se vá candidatar a Engenharia Civil, na decisão pesa a média mas também a ideia de que “de alguma forma continua a ser uma área com emprego”. Mas as opções da jovem não estão fechadas. “É muito difícil escolher o curso certo para nós. Há muita informação, há muita coisa na Internet, mas também está tudo muito disperso e há muitos cursos dentro da mesma área. Perdemo-nos com tanta coisa e torna-se difícil perceber o que é melhor para o nosso futuro e o que nos dá saídas profissionais mais vastas”, confessa. Carolina Guerra adianta ainda que na Futurália, vai procurar sobretudo outros ursos na área das engenharias para “testar as certezas”.

Artista por natureza Mafalda Casals confessa que nunca visitou certame do género da Futurália e reconhece a utilidade do modelo. A jovem de 18 anos, estudante do 12º ano de Artes Visuais, cedo se apaixonou pela arquitectura, mas a geometria descritiva pregou-lhe a rasteira. “Eu e os meus pais tínhamos pensado em fazer a licenciatura em arquitectura em Barcelona, mas percebi que a geometria descritiva ia ser um entrave e rendi-me à minha segunda paixão: design de jóias”, explica. Da mãe herdou a paixão pela joalharia e quer agora tomar contacto com a oferta de cursos nesta área para poder escolher o que mais lhe convém. A hipótese de rumar ao estrangeiro não está fora de questão, sobretudo porque representa uma importante mais-valia curricular nessa área.

Embora não tenha tido grandes dúvidas na escolha da área, Mafalda Casals não nega que “hoje em dia é muito difícil para um jovem escolher o seu futuro porque nada parece garantir-nos estabilidade”, confessa.

Uma realidade que Teresa Barradas, professora de Filosofia do ensino secundário, corrobora: “os alunos tem actualmente acesso a um grande volume de informação mas nem por isso a sua escolha é mais facilitada. O que se nota é que a decisão da escolha do curso é protelada até ao limite e há casos até de estudantes que decidem interromper o seu percurso académico durante um ano para terem uma experiência laboral e só depois avançarem para uma candidatura ao ensino superior”. Teresa Barradas defende que “é fundamental que alunos e país se mentalizem que a ideia de áreas e cursos que dão empregos estáveis e para a vida, deixou de existir. Hoje, as carreiras desenvolvem-se ao longo da vida”.

Uma visão partilhada pela directora do Instituto de Orientação Profissional (IOP), Maria Eduarda Duarte que defende mesmo que “a orientação dita vocacional já não faz sentido. A carreira não pode estar separada da construção da vida e as intervenções num processo de construção da vida e da carreira, necessitam de colaborações vastas e visões multidisciplinares, envolvendo vários profissionais entre os quais o psicólogo assume o papel agregador”. A especialista defende que “o trabalho junto dos país e professores pode ser crucial na ajuda à tomada de decisões. Os professores podem identificar alunos que correm o risco de fazer escolhas irrealistas ou impulsivas e os pais poderiam frequentar acções de formação que os levassem a compreender que o processo de construção de vida dos seus filhos pode ser um projecto familiar”.

Maria Eduarda Duarte acredita que é fundamental “a escolha da carreira deve ser encarada como um mecanismo de integração social que ajuda o individuo a sustentar-se na sociedade e é necessário que os jovens (e não só) compreendam que a maioria dos trabalhadores do século XXI serão trabalhadores precários, com empregos ocasionais, sem vínculo, temporários e, por isso, devem tornar-se aprendizes permanentes que deverão ser capazes de utilizar tecnologias sofisticadas e assumir a flexibilidade em vez da estabilidade, desenvolvendo a empregabilidade, criando as suas próprias oportunidades, sem perderem o seu próprio roteiro”.

Razão pela qual, deixaram de ser apenas os jovens a perguntarem-se “o que vou fazer da minha vida?”. A directora do IOP diz que esta questão coloca-se actualmente a todos os que enfrentam transições nas suas vidas. “As relações com o mundo do trabalho fomentam a necessidade de desenvolver e aplicar novos dispositivos de desenvolvimento pessoal e isso não acaba com a escolha do curso superior. Este é um problema que existe também para quem está no mundo do trabalho e necessita que o orientem no sentido de perceber quais são os seus bens-chave”. A especialista refere que no instituto que dirige as inscrições de jovens e adultos que recorrem aos serviços de orientação e aconselhamento de carreira não param de crescer. Sinal de um mercado de trabalho exigente e competitivo onde os recursos humanos devem ter noção do seu valor e perceber como alimentar a capacidade de traçar novas rotas a cada dia que passa.



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