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As universidades nacionais estão cada vez mais na rota da internacionalização, cativando um número crescente de alunos estrangeiros. É o retorno do seu investimento na promoção internacional.
28.10.2010 | Por Maribela Freitas


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O número de alunos estrangeiros em universidades nacionais tem vindo a crescer, tanto nas licenciaturas como nos mestrados e doutoramentos. Em alguns casos, como na Universidade do Porto (UPorto), a percentagem aumentou 70%, em cinco anos. Alunos que chegam dos mais variados países, distribuindo-se por diversas áreas de ensino. Trazem como motivação a qualidade do ensino e a vontade de contactar com uma cultura e língua diferentes. A sua crescente presença, é em grande parte fruto do esforço de promoção das instituições de ensino superior lusas que querem tornar-se uma referência a nível internacional.

Joel Phiri tem 29 anos, é do Malawi e está a tirar um MBA na UPorto. «No meu país muitas pessoas vão estudar para o Reino Unido ou EUA, eu queria um sítio diferente. Vi online o programa da UPorto e achei-o muito interessante» , comenta Joel Phiri. Está contente com a escolha e considera que o MBA é abrangente e fomenta a troca de experiências entre os alunos. «Julgo que depois de mim, mais estudantes do Malawi vão querer vir para o Porto» , salienta.

Este é apenas um dos muitos casos de alunos estrangeiros naquela universidade. Entre o ano letivo de 2005/06 e o de 2009/10 o número destes estudantes cresceu 70%, tendo passado de 1554 para 2640. Para este ano e contando com os alunos que vão chegar no segundo semestre, deve rondar os 3000. «Este aumento deverá estar centrado no esforço que a instituição tem feito em estabelecer protocolos de cooperação com universidades estrangeiras e em participar e coordenar programas comunitários de mobilidade estudantil internacional entre a União Europeia e regiões como Ásia, África e América do Sul» , refere fonte da UPorto. Até 2011, o objetivo estratégico da instituição é afirmar-se como uma das 100 melhores universidades europeias. «Uma boa parte dessa afirmação passa por um maior grau de internacionalização, tendo sido definido o objetivo de garantir nessa data que 10% de todos os estudantes inscritos sejam estrangeiros», salienta a mesma fonte.

A presença nos rankings internacionais é sem dúvida uma mais-valia para atrair alunos. A Universidade Nova de Lisboa (UNL) integrou a 384.ª posição no QS Top World Universities /2010, pela elevada taxa de empregabilidade e internacionalização. O CEMS MIM é um mestrado em gestão internacional, n.º 2 do ranking do Financial Times , lecionado na Faculdade de Economia da UNL por esta pertencer ao CEMS, uma aliança global de escolas e empresas que seleciona apenas uma escola por país. Mário Rueda é da Colômbia, tem 26 anos e frequenta este curso. O programa tem 12 meses e cada semestre é feito num dos 25 países da aliança. «Queria vir para a Europa, aprender outra língua e o português está a crescer na América do Sul» , explica Mário Rueda. As aulas são em inglês e o colombiano está a adorar a sua experiência em Portugal. A próxima temporada do curso vai fazê-la em Roterdão e conta que «para um estrangeiro, o facto de uma escola ou curso estar no ranking do Financial Times é um fator decisivo para efetuar a escolha» . Na FE neste semestre, 17% dos estudantes dos mestrados de economia, finanças e gestão são estrangeiros. «É indispensável atrair alunos estrangeiros para uma escola que quer competir com as melhores da Europa» , refere fonte da FE.

Na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da UNL tem também crescido a procura dos cursos de mestrado e doutoramento por parte de estrangeiros. Alguns dos alunos ficam até, posteriormente, ligados a faculdade. Num estudo de satisfação da Faculdade de Ciência e Tecnologia da UNL, 97,5% dos alunos de Erasmus aconselhariam a escola aos amigos, entre outros aspetos pelo elevado nível de ensino com uma boa componente prática e diversidade de oferta curricular.

Em 2009/10 a Universidade de Coimbra (UC) recebeu estudantes de 77 países. Ao todo 1211 vieram dos palpos, 768 da União Europeia e 312 de outros países. Para Filomena Marques de Carvalho, chefe da divisão de relações internacionais da UC, cativar estrangeiros é «um dos indicadores importantes para a avaliação do nível de internacionalização de qualquer universidade» . A UC integra redes e consórcios e no que respeita a cativar estrangeiros pesa a satisfação dos estudantes que acolhe e o grau de confiança existente com as universidades com que tem parcerias.

Niall Power, chefe da divisão para os programas de mobilidade da Universidade de Aveiro (UA) explica que «o aumento de estudantes estrangeiros está relacionado em parte com uma maior promoção internacional» . Para cativá-los a UA tem feitos parcerias que dão frutos. Este ano a escola conta com 480 estrangeiros que chegaram por livre iniciativa e 337 em programas de intercâmbio. «A expansão do Erasmus Student Network em Portugal, é exemplo de como as comunidades académicas têm grande vontade de tornar o país uma referência relevante no espaço de ensino superior europeu» , finaliza Niall Power.



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