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Missão 2011

Missão 2011

2011 é um ano de duras batalhas. Entre a missão de não cair na recessão e conseguir fintar a crise, Portugal tem conseguir travar a escada do desemprego, captar investimento estrangeiro para o país e impedir que as grandes empresas rumem a outras paragens.
29.12.2010 | Por Cátia Mateus


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Reduzir a elevada taxa de desemprego é certamente uma das mais ambicionadas metas para 2011. Mas a tarefa não surge facilitada. Para a generalidade dos especialistas do setor, na atual conjuntura, essa pode mesmo ser uma missão impossível. Para inverter a escalada do desemprego o país teria, por exemplo, de conseguir captar o interesse de empresas estrangeiras. Uma tarefa difícil num país ensombrado pela crise e a travar duras batalhas em várias frentes. Um cenário que leva o especialista em questões laborais, Pedro Adão e Silva, a avançar com um panorama de impasse para o próximo ano.

Congelado. É este o termo que Pedro Adão e Silva utiliza para definir aquilo que se poderá esperar para Portugal em matéria de emprego. Segundo o especialista, “o ritmo de destruição do emprego vai desacelerar e portanto não deveremos assistir a um grande crescimento do desemprego”. Ainda assim, Adão e Silva também não está otimista em relação à criação de novos postos de trabalho no país, adiantando que “não é de esperar que se criem empregos”.

Na verdade, para grande parte dos especialistas, as medidas impostas no Orçamento de Estado para 2011 não se apresentam como um elemento facilitador do investimento empresarial no país. Segundo um estudo recente da Ernst & Young, Portugal está fora das rotas de investimento de cerca de 40% das empresas estrangeiras (ver caixa) e as nacionais, receiam grandes investimentos perante a atual conjuntura. Em novembro passado, Mário Costa, presidente do Grupo Randstad Tempo-Team, referia no seu habitual artigo no Barómetro RH do ExpressoEmprego que “o Orçamento de Estado para 2011 pretende atingir um défice de 4,6%, mas à custa do aumento acentuado da carga fiscal sobre as empresas e as famílias”. O líder daquela que é uma das maiores empregadoras a nível nacional diz não ter dúvidas de que “não se descortinam para o próximo ano medidas relevantes que apoiem o investimento, incentivem a criação de emprego, o desenvolvimento empresarial. Medidas que, na essência, relancem a economia” que é, afinal, o caminho mais coerente para combater o desemprego.

Mas para Mário Costa a raiz deste problema não está, naturalmente, no Orçamento de Estado. “O problema vem muito detrás, da estrutura do nosso tecido produtivo, das razões que levarão à falta de qualificação dos nossos recursos humanos”, esclarece sem deixar de lado a manifesta desadequação entre a oferta e a procura de emprego. “No nosso país, cerca de metade das ofertas de emprego ficam por preencher. Isto enquanto a taxa de desemprego se situa próximo dos 11% da população ativa”, reafirma Mário Costa. Uma realidade negra que é a expressão máxima de um desajuste entre a oferta e a procura que para o presidente do Grupo Randstad tem múltiplas causas, entre as quais “a desadequação da legislação, o mau funcionamento dos serviços públicos de emprego, a baixa produtividade e rentabilidade em setores onde esse desajuste é mais claro (como a metalurgia, a agricultura, a panificação, o têxtil, o vestuário e o calçado) e, consequentemente, os baixos salários praticados”.

Um cenário que torna difícil traçar um “melhor e pior” em matéria de emprego para o ano que agora finda e que não permite grandes otimismos para 2011. Neste quadro, antecipa Mário Costa, “a recessão económica é dada como certa em 2011 e não será de esperar a diminuição do desemprego, nem o surgir de novas ofertas”. O especialista diz ainda que “o aumento do desemprego não será, certamente, anulado pelo incremento de novas bolsas de emprego em áreas como a engenharia (em especial a mecânica, a civil e a eletrotecnia), a saúde, a comercial, o turismo e os cal centres que não passarão, provavelmente, de oásis no deserto da estagnação”.

Mas apesar disto, há áreas onde o país pode marcar a diferença, sobretudo se criar condições para captar investimento estrangeiro. As indústrias ligadas às novas tecnologias e cortiça, por exemplo, evidenciam sinais de dinamismo e estão a contratar. Ao calçado também faltam trabalhadores e há outras áreas que parecem estar a escapar ao agravamento generalizado do desemprego, tendo na verdade até dificuldade em encontrar profissionais para preencher as suas vagas.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), algumas indústrias exportadoras como os têxteis, os setores ligados aos equipamentos informáticos, elétrico e de maquinarias, os serviços, as indústrias da madeira e da cortiça, dos produtos minerais não metálicos e do grupo dos produtos petrolíferos, químicos e farmacêuticos, registaram em setembro passado reduções entre 10 e 3%, face a igual período do ano anterior. A contrariar esta tendência está o setor da construção que colocou no desemprego 70 mil profissionais, representando cerca de 13,8% do total de desempregados inscritos no IEFP.

Valter Lemos, secretário de Estado do Emprego, afirma que as face a um cenário de baixo crescimento económico, as principais oportunidades de criação de emprego estarão sobretudo ligadas às tecnologias e às profissões amigas do ambiente, como as energias renováveis. O responsável adianta ainda que é fundamental que o país se especialize nestas áreas e perceba que, naturalmente, á áreas que serão deslocalizadas para Oriente e outras que tão cedo não deverão conseguir captar investimento e combater a crise.
 
Rumo ao investimento

Captar investimento estrangeiro é um dos grandes desafios que Portugal deverá abraçar nos próximos anos. A criação de emprego e dinamização do mercado de trabalho nacional passa, sem dúvida, pela capacidade do país atrair investimento estrangeiro. Uma realidade que neste momento é longínqua. Segundo um estudo conduzido este ano pela Ernst & Young junto de mais de 200 empresas estrangeiras, Portugal está fora da mira de investimento estrangeiro. Diz a consultora que “o número de empresas que não quer investir em Portugal aumentou nos últimos cinco anos”.

Em 2005, 30% das empresas não tinham Portugal como destino de investimento. Hoje, essa percentagem subiu para os 40%. Ainda assim, há que referir que o número de empresas que equaciona investir em Portugal aumentou entre 2005 e 2010. Há cinco anos atrás, só 9% das empresas colocava o país na sua rota e atualmente essa percentagem subiu para os 16%. Energia e automóvel são os setores com mais resistências a investir em Portugal, embora existam no país gigantes de peso nestas áreas como é o caso da Autoeuropa. No extremo oposto estão as vendas e o marketing que se posicionam como as áreas onde mais facilmente as organizações investiriam em Portugal.

Mas o grande alerta deste estudo é outro. É que 9% das empresas internacionais que já estão presentes em Portugal, equacionam relocalizar a sua estrutura noutro país como forma de reduzir custos. Um cenário que torna urgente o que o país defina estratégias eficientes para, não só cativar mais empresas estrangeiras, como também evitar perder as que cá estão.

 



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