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Limites que fazem a diferença

É já sobejamente reconhecido pelos gurus da especialidade que quem trabalha feliz e motivado gera mais resultados. Mas muitos profissionais ainda se veem forçados a gerir o seu quotidiano laboral sob pressão e sem impor limites por puro medo de represálias.
22.12.2010 | Por Cátia Mateus


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A conjuntura não é das melhores e o panorama para 2011 não aconselha a grandes reivindicações. Com o desemprego ao rubro e a inversão desta tendência longe de se avistar, há quem defenda que o melhor é não ser contestatário. Mas para alguns especialistas, mesmo em conjunturas adversas os colaboradores são podem esquecer os seus direitos e, sem prejudicarem os resultados da empresa, devem sensibilizar as chefias para os limites entre a vida profissional e a pessoal. A bem da correta coexistência de ambos, mas também da sua saúde.

“Com carreiras cada vez mais competitivas, os profissionais trabalham cada vez mais horas e a delimitação entre horário de trabalho e lazer é inexistente. Raros são que atualmente deixam o trabalho no trabalho e o impacto disto no equilíbrio, saúde e estabilidade dos colaboradores é inimaginável”, adianta a psicóloga Teresa Cortes. Horas extra, telemóveis e emails ligados permanentemente, viagens sucessivas com prejuízo dos fins de semana e serões familiares, impossibilidade de prolongar as férias por períodos superiores a 15 dias e necessidade se manter contactável mesmo nesse período e responsabilidades acrescidas sem aumento salarial compatível são, não só, uma realidade cada vez mais comum nas empresas atuais, mas também um primeiro sinal de que a organização para a qual trabalha não está a respeitar a sua estabilidade enquanto pessoa.

Para a psicóloga o argumento do “quero progredir na carreira e tenho de demonstrar que estou á altura!” é válido, mas tem limites. Tanto mais que para Teresa Cortes, “o número de casos de esgotamentos, stresse e depressões associadas ao exercício profissional nunca foi tão elevado como agora”. A especialista acredita que o cenário possa ainda agravar-se mais no próximo ano, potenciado pela gravidade do cenário económico e pelo “terror que muitos empresários geram nos seus colaboradores com a eventual possibilidade de perda de emprego”.

Apesar desta conjuntura, Teresa Cortes acredita que “saber impor limites é sempre uma virtude e desde que o trabalho seja bem desempenhado e não coloque em causa os resultados da organização, nenhum chefe pode considerá-lo como um ato de hostilidade ou rebeldia”. A psicóloga frisa até que “é na estabilidade emocional e na saúde de um colaborador que reside parte do seu sucesso nas tarefas para as quais está incumbido e qualquer gestor deveria reconhecer isto”. Teresa Cortes reconhece que nem sempre é fácil enfrentar o chefe, “sobretudo se for para lhe impor limites”, mas deixa alguma dicas para os que sintam mesmo que a empresa está a ultrapassar as marcas.

O mito do telemóvel e do email sempre ligados é a primeira das formas de abuso. “Em si, estar sempre contactável não oferece qualquer risco, a menos que a empresa abuse e contacte sucessivamente o colaborador para o seu telemóvel pessoal fora do horário de trabalho e nos fins de semana ou férias ou envie emails com tarefas urgente em horas tardias”, clarifica. Neste caso e se a utilização do telemóvel for abusiva, refere a especialista, “o colaborador deve ir desligando os aparelhos para desabituar a chefia dessa prática. Isto se o telemóvel não for da empresa. Nesse caso, terá de o deixar ligado”.

O chavão da flexibilidade é outra das questões que mais lesões têm causado na saúde dos profissionais. Os profissionais devem ser flexíveis e pensar que uma oportunidade diferente é uma oportunidade para crescer, mas moderadamente. “A regra aqui deve ser a do autodesenvolvimento, tal como acontece quando um colaborador acede a aceitar novas funções sem aumento salarial proporcional. Nunca deve deixar de lado a possibilidade de renegociar regalias e salário quando alcançar resultados”, refere Teresa Cortes.

Trabalhar fora do horário e aos fins de semana deve ser a exceção e não a regra e deve comunicar isso ao chefe, dispondo-se a trabalhar por missões e gozar períodos de descanso no fim de cada trabalho. O mesmo deve acontecer em relação às viagens de trabalho. Se passarem de pontuais a regulares deve avaliar o seu impacto na sua vida pessoal e, em função disso mudar de emprego, ou renegociar uma compensação.

“Cancelar as férias por causa da empresa é uma prática cada vez mais comum e inconcebível”, acusa Teresa Cortes. Para a profissional, “o colaborador deve recusar, mas caso decida aceitar, a empresa deve arcar com as despesas de qualquer compromisso assumido pelo colaborador com as férias e beneficiá-lo à posteriori com mais tempo de descanso”. Pequenas negociações que fazem toda a diferença na estabilidade e felicidade de qualquer colaborador e, consequentemente, na sua prestação laboral mas que para muitos gestores ainda permanecem uma forma de afronta.


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