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Recrutamento à prova de crise

Recrutamento à prova de crise

As empresas já perceberam que os recursos humanos são a matéria mais importante para vencer os problemas económicos e enfrentar competitivamente as adversidades generalizadas que se vivem no momento. Por isso, mesmo em cenário adverso, em 2011 há empresas portuguesas e estrangeiras que prometem desafiar a crise e gerar trabalho.
05.11.2010 | Por Cátia Mateus


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A conjuntura económica global não é animadora, mas apesar disso uma percentagem significativa das empresas, em Portugal e no estrangeiro, manifestam intenção de desafiar a crise e aumentar o seu número de colaboradores durante 2011. Segundo Mark Dixon, diretor executivo da consultora Regus, “este poderá ser um dos primeiros sinais de que a recuperação económica global e o crescimento estão numa trajetória sustentável e ascendente”. Os mais otimistas acreditam que esta onda de recuperação pode passar também por Portugal.

Mais de um terço das dez mil empresas de todo o mundo entrevistadas pela consultora Regus no seu inquérito bianual, Regus Business Tracker , assumem a intenção de contratar mais pessoal durante o próximo ano. Uma percentagem de 36% que ultrapassa em três pontos percentuais a vontade manifestada pelas empresas portuguesas onde a intenção de fazer crescer os seus quadros de pessoal se fica pelos 33%. Ainda assim, para Mark Dixon, “estas percentagens e a intenção de crescimento das empresas são particularmente significativos no seguimento das recentes observações do Fundo Monetário Internacional e da Organização Internacional do Trabalho, segundo os quais o desemprego a nível mundial atingiu proporções record nos últimos três anos (210 milhões desde 2007)”.

FMI e OIT deixaram um claro alerta sobre os potenciais problemas para as economias nacionais se a tendência de crescimento do desemprego se mantiver. Reduções no rendimento de tributação nacional e aumento da despesa pública podem assim ser problemas atenuados à luz das conclusões do Regus Business Tracker que apontam para uma melhoria da situação de desemprego a nível mundial para 2011.

O especialista refere que “o facto de as organizações pretenderem contratar mais profissionais pode ser encarado como um indicador significativo de que a mentalidade das empresas começou a orientar-se para o investimento no crescimento através do capital humano”. Uma mudança positiva que espelha países mais otimistas do que há seis meses, altura em que foram divulgados os resultados do anterior relatório.

Mark Dixon diz ser claro e evidente que “a intenção de aumentar o número de colaboradores é um indicador claro de que as empresas querem estar preparadas para agarrar as oportunidades que os mercados em recuperação podem pôr à sua disposição”. No caso específico de Portugal, o diretor da Regus diz que “isto é certamente uma boa notícia para o país que viu a sua taxa de desemprego aumentar para o nível mais elevado de sempre este ano” e adianta que “apesar das projeções relativas ao desemprego não serem tão ambiciosas como a média global, deverão pelo menos assegurar que o desemprego não vai aumentar em 2011”. Merece contudo ressalva o facto destes dados deixarem de fora a instabilidade gerada no país pelas recentes negociações em torno da aprovação do Orçamento de estado para 2011.

Uma conjuntura que também não teve o seu impacto no inquérito semestral às intenções de contratação da MRINetwork, cujos dados foram também divulgados esta semana, mas que perspetiva apenas a intenções de contratação das empresas até ao final do corrente ano. O habitual Hiring Survey realizado pela consultora de executive search permite uma melhor análise do mercado de trabalho nacional, mas os resultados não são tão otimistas. À luz dos resultados da MRINetwork, apenas 31% das empresas inquiridas perspetiva aumentar o seu número de colaboradores até final de 2010 e esta percentagem sofreu até uma quebra de 1% face a igual período do ano passado. As empresas ligadas às Tecnologias de Informação continuam a assumir-se como o setor mais dinâmico a liderar as intenções de contratação, com 47% a perspetivar aumentos no recrutamento de quadros, logo seguidas da Logística (28%) e da indústria Farmacêutica e de Cuidados de Saúde (27%).

Segundo Ana Teixeira, Country Manager da MRINetwork Portugal, a maior parte das empresas inquiridas (57%) manifesta cautela e aposta sobretudo em não perder os colaboradores que tem, sendo que apenas 12% prevê despedir até ao final do ano (metade da percentagem apurada em igual período de 2009). São sobretudo as empresas com um número de trabalhadores entre 500 e mil as que maiores perspetivas de recrutamento têm e em média preveem crescer cerca de 5% no número de colaboradores, deixando de lado as ameaças da crise.

As funções técnicas poderão ser as que mais oportunidades terão de recrutamento e, curiosamente, os perfis seniores parecem ter grande procura com 62% das empresas a manifestar interesse por perfis seniores e mais experientes. Os recém-licenciados reunirão apenas 3% da procura por parte das organizações. Resultados que levam Ana Teixeira a concluir que “apesar do período difícil que o país atravessa, considero digna de realce a tendência predominante, sobretudo nas empresas com dimensão de maior relevo no tecido empresarial português, ou seja, as pequenas e médias empresas até 250 colaboradores, para manter o número de efetivos”. Para Ana Teixeira, estes dados expressão sinais contidos de estabilidade nas empresas que a responsável espera que possam manter-se em 2011, apesar do negro panorama económico que afeta o país e do receio imediato que as medidas propostas pelos Governo para 2011 lançaram sobre o tecido empresarial.

Para ambos os especialistas, a vontade das empresas em reduzir custos é permanente, o alvo dos cortes é que não parecem ser os recursos humanos. Numa altura em que muitas organizações já reconheceram que as pessoas são a matéria mais importante para vencer a crise, há que poupar noutras frentes e por isso, é de prever que cada vez mais empresas e organismos invistam em proporcionar aos seus colaboradores métodos de trabalho mais flexíveis que permitam um maior equilíbrio entre o trabalho e a vida quotidiana, gerindo uma organização mais simplificada e com menores custos associados.



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