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O triunfo da técnica

O triunfo da técnica

A iniciativa nasceu em 1950 com o nome Olimpíadas do Trabalho e apenas dois concorrentes: Portugal e Espanha. Sessenta anos mais tarde o evento designado de Euroskills – Campeonato das Profissões disputa-se à escala europeia e mostra porque razão o futuro passa pela profissões mais técnicas.
31.03.2010 | Por Cátia Mateus


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Portugal prepara-se para receber no final deste ano a grande final do Euroskills, o Campeonato das Profissões. Mais do que ser anfitrião de um evento à escala europeia, Francisco Madelino, presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) assume este desafio como uma batalha constante pela crescente valorização da formação profissional. E não tem dúvidas que esta é uma batalha que tem vindo progressivamente a ganhar e com resultados visíveis nos últimos dez anos.

“Portugal tem vivenciado grandes mudanças na última década em matéria de formação profissional. Há uma procura crescente por este tipo de cursos com impactos notórios na organização do sistema de ensino nacional”, refere Francisco Madelino argumentando ainda que “no ano passado tínhamos 50% dos alunos a frequentarem cursos profissionais e nas universidades é também muito clara, de há sete anos a esta parte, uma maior procura por cursos técnicos ao invés das áreas ligadas às ciências sociais”.

Para o presidente do IEFP “há uma alteração clara da forma como a sociedade valoriza as profissões. As pessoas perceberam que há profissões que são melhor remuneradas e que têm mais empregabilidade do que muitos cursos superiores”. Uma realidade visível nos Campeonatos das Profissões. É que além de terem um importante papel na dinamização da formação profissional, estes certames são autênticas montras da qualidade técnica dos jovens profissionais. “As provas são feitas num espaço aberto, onde as empresas podem ver de perto o trabalho desempenhado pelos jovens e regra geral, os profissionais medalhados são convidado a integrar grandes empresas nacionais e internacionais na sua área de especialidade”.

E nesta matéria, os jovens portugueses dão cartas quando comparados com os seus congéneres de outros países. Contabilizando este ano 60 anos de participação nos Worldskills (www.worldskills.org), Portugal foi já representado por 520 jovens profissionais e obteve 27 medalhas de ouro, 53 medalhas de prata, 49 medalhas de bronze e 55 certificados de excelência. Na última edição do Worldskills no Canadá, Portugal – que enquanto membro fundador está representado no Comité Estratégico e no Comité Técnico – alcançou 10 medalhas de excelência e uma de bronze.

A promoção e organização destes campeonatos desenvolve-se em três fases distintas. A fase regional, que determina o apuramento dos jovens que participarão no Campeonato Nacional das Profissões. A fase nacional que se realiza de dois em dois anos e onde competem os melhores classificados em cada uma das cinco regiões do país e que disputam o título de campeão nacional com vista a uma posterior representação do país no Campeonato Internacional das Profissões. E, por fim, a fase internacional propriamente dita que ocorre em todos os anos ímpares num dos países membros da Worldskills e nos anos pares num dos países membros da Euroskills.

Este ano, Portugal acolhe o evento de 9 a 12 de Dezembro, destinando-lhe os quatro pavilhões da Feira Internacional de Lisboa, no Parque das Nações. A participação nestes campeonatos Euroskills está aberta a jovens dos 18 aos 25 anos, com competências profissionais adquiridas quer por via da formação ou da experiência. Já para os Worldskills, a faixa etária restringe-se entre os 17 e os 22 anos. Em qualquer dos casos, “os concorrentes poderão ser inscritos em representação das respectivas entidades patronais, escolas, centros de formação ou por iniciativa individual”, explica Francisco Madelino.

O líder do IEFP assume a crescente adesão dos jovens aos cursos profissionais e não nega os seus benefícios. “Passou-se a valorizar a dupla certificação com a equivalência destes cursos ao 12º ano, o que foi muito importante uma vez que esta diversificação das ofertas do secundário facilita muito a adaptação da economia”, explica. Por outro lado, enfatiza Francisco Madelino, “estes cursos têm hoje um grande factor de atractividade. É que com a evolução tecnológica aumenta a componente técnica destas formações que deixam de ser conotadas apenas como profissões braçais que era uma ideia que afastava muitos jovens. Um mecânico hoje, suja muito pouco as mãos e tem uma componente de programação técnica muito grande”, frisa.

Na verdade, o IEFP tem travado uma grande batalha para promover a importância destas profissões e demonstrar o seu nível crescente de qualificação técnica perante o público (ver caixa “Mérito à escala internacional”). Com efeito, não sendo “doutores” estes jovens profissionais ganham mais que muitos titulares de um canudo e mesmo em tempo de crise a sua integração profissional é mais célere. Ou não fosse a sua profissão fundamental ao país. Falamos de electricistas, serralheiros, carpinteiros, pedreiros, técnicos de refrigeração, mecânicos, mas também muitas outras áreas que a necessidade económica veio a evidenciar. Para Francisco Madelino, seleccionar os melhores nestas áreas permite não só divulgá-las, como promover o intercâmbio e a partilha de experiências e inovações técnicas entre os diversos países participantes.

Campeonato em números

 . 1300 participantes
. 800 concorrentes
. 500 técnicos
. 31 países representados
. 30 categorias profissionais a concurso
. 50 mil visitantes esperados em quatro dias de evento

 Mérito à escala internacional

A principal meta destes Campeonatos das Profissões é mostrar a formação profissional nesta áreas como uma alternativa de sucesso em matéria de empregabilidade e tem sido este o motor dinâmico que tem feito aumentar a participação no Euroskills e no Worldskills, quer por parte dos jovens candidatos, quer por parte dos países que entretanto abraçaram o projecto. Contudo, as metas deste evento não se restringem a este factor.

Estimular os jovens para a obtenção de uma qualificação profissional e para a manutenção do gosto pelo trabalho, numa lógica que favoreça a formação ao longo da vida tendo como meta a sua realização socioprofissional é outra das metas. Mas Francisco Madelino não deixa também de fora, “o importante investimento na valorização da formação profissional, favorecendo o reconhecimento das vias profissionalizantes como alternativas de sucesso, bem como a promoção do aperfeiçoamento de métodos e técnicas de organização através do desenvolvimento de valores da qualidade, criatividade, autonomia e trabalho em equipa”.

Por outro lado, estes certames encerram em si um importante contributo para o debate e reflexão sobre as diferentes intervenções ao nível da qualificação inicial e consequente interacção entre o ensino profissional, tecnológico e a formação profissional. Além de que “não se deve deixar de parte a missão de sensibilizar os jovens, as famílias, os empresários e trabalhadores (activos e desempregados) para importância da formação como factor de aprendizagem ao longo da vida, de desenvolvimento pessoal, de inovação, de crescimento económico e coesão social”.



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