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Confia no seu chefe?

Só 50% dos portugueses demonstram confiança nas chefias e nos colegas de trabalho, uma percentagem que fica aquém dos outros países da Europa.
06.05.2010 | Por Cátia Mateus


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Metade dos profissionais portugueses não confia no seu chefe. A conclusão é avançada por um estudo da Reader's Digest agora divulgado que analisa as relações, profissões e instituições de confiança para os europeus. O relatório analisa ainda as relações dos portugueses com os seus colegas de trabalho e dá a conhecer as profissões que merecem mais confiança a nível nacional.

É um facto que um ambiente de trabalho nem sempre é agradável e relação entre colaboradores e chefias está, muitas vezes, longe de ser pacífica. Ambientes tensos, burburinhos de corredor, ambiente hostil, autoritarismo e excesso de centralização e indo mais longe, acusações de incompetência e ausência de uma política de progressão na carreira assente na meritocracia. Eis alguns dos factores que podem minar por completo o bom ambiente laboral numa organização e desunir uma equipa, numa altura em que a conjuntura económica exige coesão e espírito de missão para vencer adversidades. Na verdade, só 50% dos portugueses dizem confiar nos chefes. Uma percentagem que fica aquém dos níveis alcançados pela Finlândia (60%), Suécia (56%) e Holanda (55%), países apontados como exemplo nos domínios da honestidade, ética e transparência.

Mas a confiança não falha só no relacionamento entre colaboradores e chefias. Quando a questão é “confia no seu colega de trabalho?” a percentagem sobe um pouco, mas não dá razão para grandes contentamentos. Os portugueses reconhecem que é no trabalho que passam a maior parte do tempo e que por isso é preferível colocar as hostilidades e diferenças de lado e procurarem uma conciliação entre os vários temperamentos e personalidades dos seus colegas de equipa, mas só 56% diz poder confiar na pessoa que se senta na secretária ao lado. Também aqui o país é superado pela Suécia, onde 70% dizem confiar nos colegas de trabalho e pela Finlândia, onde essa percentagem se fixa nos 67%. Até no país vizinho, Espanha, a confiança entre colegas supera a média nacional totalizando 68%. No fim deste ranking estão mesmo os franceses (31% e os polacos que manifestam muito pouca confiança quer nos chefes (31% e 47%, respectivamente) quer nas pessoas com quem trabalham (39% e 38%).

Quando a análise se centra nas profissões, quem sai a perder logo no topo da tabela dos menos confiáveis são mesmo os políticos. No contexto de actual crise económica, a popularidade dos políticos não cresceu na Europa e de todas as profissões, a de político continua a não merecer a confiança dos europeus. Portugal segue a tendência e apenas 1% dos portugueses afirma ainda confiar nos políticos. Entre as causas que justificam este descrédito quase total o estudo aponta o incumprimento de promessas e os sucessivos envolvimentos em casos menos transparentes aos olhos da opinião pública.

Os juízes também não conseguem captar a confiança portuguesa. Só 33% dos portugueses inquiridos diz confiar nestes profissionais. E mesmo em países como a Suécia, Suíça e Holanda, onde é conhecida a reputação de um sistema político consensual, sem corrupção e onde a prioridade vai para a resolução dos problemas da comunidade, a confiança nos juízes não vai além dos 20%.

Os bombeiros é que parecem reunir a simpatia dos portugueses. Cerca de 93% dos inquiridos confessa ter total confiança nestes profissionais, a que se seguem os pilotos de aviação (92%). Bem posicionadas neste ranking estão também os farmacêuticos (90%) que, curiosamente, merecem mais confiança por parte dos portugueses do que os enfermeiros (87%) ou os médicos (84%). Agricultores (79%), professores (78%) e polícias (63%) merecem também a confiança dos portugueses. Uma análise que permite perceber que todas estas profissões representam as necessidades básicas da população.

Por reflexo da crise vigente, os portugueses elegem ainda as três instituições em que menos confiam: Governo (17%), Sistema Judicial (17%) e Política (4%). Pilares que à luz deste estudo se deparam com descrédito completo. O estudo “Marcas de Confiança na Europa 2010” foi realizado em 16 países europeus, num inquérito realizado aos assinantes da revista Reader's Digest.



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