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Têxtil com dificuldade em recrutar

Têxtil com dificuldade em recrutar

Segundo o INE, 2010 foi um bom ano para a indústria têxtil. O instituto fala em 10% de crescimento na criação de emprego, mas os especialistas avançam que é necessário contenção.
25.03.2011 | Por Cátia Mateus


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Apesar da já longa crise económica, há setores que parecem contrariar a tendência de pessimismo generalizado e criar emprego. As boas notícias vêm do setor têxtil. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a Indústria Têxtil e do Vestuário fechou 2010 com um saldo positivo em matéria de criação de emprego. No primeiro trimestre do ano o setor empregava cerca de 155 mil trabalhadores e em dezembro totalizava já 171 mil. Um crescimento na ordem dos 10% que para Paulo Vaz, diretor-geral da Associação Têxtil e do Vestuário de Portugal (ATP), “é um pouco exagerado”. O responsável da ATP fala numa clara recuperação do setor e num crescimento efetivo do emprego, mas prefere esperar pelos dados do primeiro trimestre de 2011, antes de fixar percentagens concretas.De acordo com os dados do INE, não só aumentaram as contratações para o têxtil em 2010, como também diminuiu o nível de destruição de emprego.

Comparativamente ao saldo final de 2009, no ano passado o setor do têxtil e vestuário colocou no desemprego menos 25% de trabalhadores. Um número que Paulo Vaz justifica com a subida do volume de negócios das empresas, na ordem dos 6,2%, e um aumento de 6,4% no nível de exportações. A ATP estima que o volume de negócios das empresas do setor tenha fechado 2010 em torno dos 6,1 milhões de euros, numa clara recuperação face a 2009, altura em que tinha registado uma quebra de 10%. Segundo o diretor-geral da associação, “a produção também evidenciou indícios de crescimento tendo subido cerca de 1,5% para os 5,7 milhões de euros”.
Números que permitem traçar uma perspetiva otimista para 2011, tanto mais que de acordo com Paulo Vaz, “o volume das exportações nacionais voltou a crescer em janeiro 9,7%”. O representante da ATP refere que este “é o maior incremento da última década e permite traçar um cenário de otimismo consolidado para 2011. O feedback que temos das empresas relativo à sua carteira de clientes permite-nos perceber que estamos perante uma recuperação sólida e que é para manter”.

E se 2010 marcou uma viragem em matéria de mercado de trabalho neste setor, a verdade é que segundo Paulo Vaz, e apesar deste dinamismo, “continua a não ser fácil recrutar trabalhadores para o setor do têxtil e vestuário”. Até 2010, refere o diretor-geral, “a tendência do setor foi de diminuição do emprego, mas a verdade é que embora estejamos longe dos níveis de empregabilidade que registávamos em 2002, no ano passado tivemos um ano favorável muito semelhante ao que vive o setor do calçado”. Só este último setor, exportou em 2010 60 milhões de pares de sapatos, o equivalente a 1300 milhões de euros. Uma operação ‘made in Portugal' que assume cada vez maior notoriedade lá fora e que tem como suporte uma fileira composta por cerca de 1800 empresas e 400 mil postos de trabalho.

Paulo Vaz relembra que os últimos anos foram de re-estruturação no setor e houve uma efetiva quebra de emprego. “Muitos trabalhadores iam para o desemprego e por lá ficavam até ao limite dos subsídios. Eram essencialmente pessoas de mais idade, com menor apetência para as tecnologias e maior dificuldade de adaptação às novas formas de trabalho e ferramentas tecnológicas”, explica. Hoje, acrescenta Paulo Vaz, os trabalhadores do têxtil são mais qualificados e a ATP tem feito um esforço continuo junto dos órgãos oficiais para fomentar não só o emprego nesta área, mas também a qualificação dos seus recursos humanos.

O diretor-geral da ATP explica que as empresas responderam ao crescimento das exportações com o aumento da produtividade e é notório o esforço por recuperar parte do emprego que se perdeu ao longo dos últimos anos. “As novas regras do subsídio de desemprego que dificultam a recusa dos trabalhadores pode ajudar a combater a dificuldade de recrutar para a indústria têxtil e do vestuário”.



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