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Saúde portuguesa à escala global

Saúde portuguesa à escala global

Os profissionais de saúde formados em Portugal estão entre os mais procurados na Europa. O número de países que recruta em Portugal enfermeiros, médicos e outros especialistas está a aumentar, numa proporção direta aos profissionais que decidem deixar Portugal e abraçar uma carreira internacional. Maior estabilidade e salários mais aliciantes ditam a decisão da partida, num mercado onde os enfermeiros já lideram a emigração no sector.
22.02.2013 | Por Cátia Mateus


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Cada vez mais internacionais. Assim são os profissionais de saúde portugueses, sobretudo os enfermeiros. Com o desemprego a afetar em larga escala os perfis qualificados, o número dos que procuram oportunidades fora de Portugal é cada vez maior e já não há profissões imunes ao fenómeno da internacionalização. Os portugueses já eram conhecidos por formar, com grande qualidade, talentos globais, em várias áreas. A saúde está entre elas. Não há muito tempo, Germano Couto, o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, veio a público denunciar a existência de cerca de nove mil profissionais desempregados, apesar da manifesta existência de um défice estimado de 25 mil enfermeiros nos hospitais e centros de saúde do país, com base nos rácios da OCDE. Números que para o bastonário justificam a crescente emigração da classe, que na área da saúde é a que mais abandona o território nacional. “Há mercados europeus que fazem praticamente excursões para vir contratar enfermeiros a Portugal”, denunciava então o bastonário. Há. E são cada vez mais. Ana Campos, a responsável do escritório de Lisboa da Best Personnel, empresa de recrutamento especializado na área da saúde, confirma-o: “os profissionais portugueses têm procurado cada vez mais trabalho fora de Portugal. Os nossos números mais do que dobraram nos últimos dois a três anos”. Ana Campos prefere não fornecer estatísticas de colocação exactas mas garante que no ano passado, “a Best Personnel processou próximo de um milhar de enfermeiros, algumas centenas de fisioterapeutas e um par de centenas de médicos, além de outras especialidades, em menor quantidade, como farmacêuticos ou dentistas”. Garante a especialista de recrutamento que “um número cada vez maior dos nossos candidatos já nem procura emprego em Portugal”. E lá fora, as oportunidades são muitas. Há mercado para os profissionais de saúde portugueses na Europa, mas não só. Estados Unidos, Brasil, alguma zonas do Médio Oriente e África figuram na lista dos países que estão de olhos postos nos profissionais portugueses quando a meta é contratar. Alemanha, Reino Unido e Irlanda, Bélgica e França figuram entre os países que mais recrutam em Portugal, sobretudo enfermeiros. No caso da Alemanha, o país assumiu a necessidade de recrutar em países estrangeiros pelo menos 3000 enfermeiros que não está a conseguir formar nas suas escolas, para suprir as lacunas do seu sistema de saúde. Portugal será, sem dúvida, um dos fornecedores desta mão-de-obra. Uma oportunidade que muitos profissionais poderão aproveitar, desde que dominem fluentemente o alemão. Já o Reino Unido e a Irlanda recrutam sobretudo para unidades de prestação de cuidados de saúde, nomeadamente a idosos. Aos profissionais mais seniores são oferecidos salários elevados e cargos de responsabilidade que em muitos casos podem assumir funções de gestão. Mas Ana Campos salienta que até para os recém-licenciados as condições são vantajosas, não só financeiramente, como ao nível da estabilidade e de crescimento pessoal e profissional. “A média neste momento para um enfermeiro recém-licenciado são 1700 a 2000 euros mensais líquidos”, adianta a especialista acrescentando que “a segurança do posto de trabalho é maior, o investimento em formação contínua do profissional muito mais bem aplicado e os empregadores desejam e encorajam os profissionais a atualizarem-se, melhorarem e desenvolverem a sua carreira e qualidade no trabalho”. A empresa que Ana Campos ajuda a liderar tem em permanência processos de recrutamento ativos e ofertas disponíveis no seu site. Em paralelo, a Best Personnel desenvolve em várias cidades do país os open dais, junto de escolas da área da saúde para divulgar as oportunidades existentes internacionalmente. Na próxima semana os Açores acolhem dois destes open dais, sendo que está também já marcada uma visita à escola de Alcoitão e dois outros eventos. Às quartas-feiras à tarde, no escritório de Lisboa é também Dia Informativo e qualquer profissional pode dirigir-se à empresa para recolher informações sobre trabalhar na área da saúde no estrangeiro. Segundo Ana Campos, para preencher uma das ofertas disponibilizadas pela empresa, os profissionais terão de ter formação superior concluída e, caso seja um curso antigo, estarem atualizados. Exige-se ainda nível médio de fluência nas línguas relevantes para a oferta a que se candidatam e registo profissional terminado no país de origem e iniciado no país alvo (ver caixa). Questões como a idade e a experiência, explica, “são muito menos relevantes”. O que realmente importa é que, normalmente, estes recrutadores procuram pessoas interessadas em estadia de longo termo e em desenvolver carreira com o empregador. Um fator-chave para quem quer abraçar uma carreira com estabilidade. Requisitos para exercer no estrangeiro Ao contrário do que acontece com outras profissões, aos profissionais de saúde que decidam exercer no estrangeiro é exigida a inscrição nas respetivas Ordens de regulação profissional. Em muitos casos, a própria admissão numa candidatura a emprego já impõe como requisito o reconhecimento das competências no país de destino e a inscrição na Ordem, que implica pagamentos variáveis. Conheça alguns destes organismos. Bélgica: O exercício da carreira de enfermagem na Bélgica, exige o reconhecimento do diploma que pode ser solicitado junto do serviço público de saúde (SPF Santé Publique – Service Public Fédéral). O pedido de reconhecimento é feito por escrito, num formulário próprio que está disponível na página online do SPF, acompanhado de currículo e carta de motivação em francês, cópia certificada e traduzida para francês do Diploma ou Certificado de Habilitações, cópia do BI ou passaporte, original com tradução em francês do registo criminal emitido nos últimos 3 meses, original com a tradução em francês da Declaração das Directivas Comunitárias e de Registo disciplinar emitida pela Ordem dos Enfermeiros nos últimos 3 meses. Os documentos terão de ser certificados pelo notário ou advogado e enviados por correio registado para o SPF. França: Exige também o reconhecimento dos diplomas dos enfermeiros através da ONI – Ordre National des Infirmiers. O pedido do reconhecimento faz-se por escrito preenchendo o formulário do pedido disponível no site da ordem, juntando os documentos solicitados e o pagamento. Também aqui os documentos carecem de reconhecimento notarial e os candidatos são convocados para uma entrevista presencial a fim de comprovarem o seu nível de francês, oral e escrito. Irlanda: Para exercer na Irlanda como farmacêutico é obrigatória a inscrição na ordem irlandesa PSI - The Pharmaceutical Society of Ireland. O registo pode ser iniciado a partir do site, solicitando o “Application Pack” que depois de devidamente preenchido deve ser enviado para a PSI por carta registada, acompanhado de toda a documentação solicitada e reconhecida notarialmente. Para os enfermeiros que queiram trabalhar no país, as exigências são idênticas, mas a inscrição deve ser formalizada na An Bord Altranais – Irish Nursing Board, através da solicitação do “Application Pack”. Reino Unido: Para trabalhar como enfermeiro é obrigatória a inscrição no NMC – Nursing and Midwifery Council. O processo pode ser iniciado através do site online da ordem, com o preenchimento do “registration request form” que gerará o envio posterior do “application pack” e respetiva nova de pagamento. Os dentistas deverão cumprir um procedimento semelhante, inscrevendo-se no General Dental Council (GDC) também a partir do sítio online e cumprindo todos os passos indicados. Para os radiologistas, é estritamente necessária a inscrição na Health Professions Council (HPC), seguindo um processo semelhante que também se inicia online.


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