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Pronto para ser despedido!

Pronto para ser despedido!

Se há vantagem profissional que se pode retirar de uma conjuntura adversa, é a de nos levar a analisar exactamente em que patamar estamos na nossa carreira, até que ponto somos dispensáveis para a empresa e se estaríamos, ou não, preparados para disputar um lugar no mercado de recrutamento neste momento. Acredite que este é o melhor exercício que pode fazer pela sua carreira.
06.10.2011 | Por Cátia Mateus


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A sua carreira profissional é da sua total responsabilidade e não da empresa. Há muito que os mais reputados especialistas de gestão de carreiras batalham nesta teoria, mas ela ganha maior dinâmica em tempo de adversidade. É nestes momentos que os profissionais tendem a equacionar o seu estado profissional, as suas forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. É caso para dizer, agradeça à crise a fantástica oportunidade de reorientação que lhe está a dar. Porque este, é um exercício que você deveria fazer a vida inteira e que lhe pode salvar o emprego.

A lei da natureza diz que tudo o que sobe um dia desce e que este movimento é cíclico, mas não eterno. O mesmo se aplica ao mercado de trabalho. O segredo é estar preparado para as sucessivas subidas e descidas da conjuntura, sem perder o rumo. E isso, defendem os especialistas, você só consegue com uma boa dose de autoanálise constante. Para não saltar do barco em alto mar, é fundamental que você perceba exactamente em que ponto está da viagem, qual é o destino, a rota que fará e, também, se tem formas de alcançar o salva-vidas caso exista necessidade.

O sentido é figurado, mas a orientação é a correcta. Temer que o desemprego lhe bata à porta é perfeitamente normal, mas o caminho não é viver com receio. É traçar estratégias para evitar ou ultrapassar a situação. Na essência, trata-se de aproveitar a crise a seu favor para perceber como se pode fortalecer e valorizar profissionalmente, numa altura em que o mercado está mais calmo, em matéria de progressão profissional e de novas contratações.

A primeira pergunta que se deve colocar é: e se eu agora ficasse desempregado? Com isto conseguirá aferir se o seu principal receio é perder o meio de subsistência ou deixar escapar aquele emprego que você tanto ambicionou e gosta, na empresa que sempre sonhou. Esta simples questão permitir-lhe-á também perceber se você estaria preparado para abordar novamente o mercado em busca de emprego, se o faria na mesma área em que trabalha actualmente ou se não se importaria de fazer outra coisa diferente, se está profissionalmente qualificado para competir com as novas gerações, se se acomodou e desprezou a actualização de conhecimentos e a reciclagem profissional, se tem uma rede de contactos eficiente ou, se por outra, se sentiu de tal forma seguro no seu actual posto de trabalho que nunca vislumbrou a hipótese de mudança e ainda, qual o salário mínimo que estaria disposto a aceitar em caso de mudança. Todas estas perguntas são vitais para assegurar o seu futuro profissional e são, muito provavelmente, aquelas que você esquece de se colocar quotidianamente. Com estas respostas você consegue eliminar o medo de ser demitido pela simples razão de que ao colmatar estas lacunas, ao estar em permanente contacto com o mercado de trabalho e as suas oportunidades, ao não se acomodar e manter constante a sua actualização de conhecimentos, estará preparado para enfrentar o mercado de trabalho a qualquer momento.

As regras são básicas: não se acomode a nenhuma empresa ou função, não tome como certo que a empresa tem responsabilidade sobre a sua carreira, não deixe desactualizar as suas competências e qualificações profissionais, não perca a sua rede de contactos, fomente constantemente o networking, tenha sempre um currículo pronto a ser enviado, jamais perca o pulso ao mercado e, muito importante, tenha sempre presente o que gostaria de fazer além do que agora faz.

Yves Turquin, managing diretor da Transitar, uma empresa especializada em serviços de transição de carreira, defende que o conformismo é o principal inimigo de qualquer profissional. Diz o especialista que, “em épocas favoráveis, com o mercado laboral em crescimento contínuo, os profissionais procuram um desenvolvimento vertical da sua carreira. Em momentos de contracção do mercado, esta linha de planeamento pode levar à estagnação, visto que tendencialmente nestas épocas o mercado cria oportunidades sem que estas permitam um crescimento vertical”.

O segredo, revela Yves Turquin, é flexibilizar as expectativas profissionais e aproveitar a conjuntura para se fortalecer e preparar para a retoma. Alargar horizontes e descobrir novos objectivos que permitam reorientar a carreira, é uma oportunidade a agarrar. Tanto mais que, garante o líder da Transitar, “actualmente o planeamento da carreira já começa a ser diferente”. Yves Turquin explica que “para alguns profissionais, o desenvolvimento vertical, deu lugar ao desenvolvimento horizontal. Uma mudança que não é fácil porque muitos destes profissionais desempenhavam funções em altos cargos, com salários elevados e aceitaram mudar de funções, de áreas e até baixar o salário, mas que se revelará benéfica no futuro”.

O especialista alerta para a importância dos profissionais, quer estejam no ativo ou no desemprego, não restringirem os seus horizontes. “Permanecer agarrado unicamente ao objetivo de crescimento vertical pode impedir uma eficiente transição na carreira e conduzir à estagnação profissional e, consequentemente, pessoal”, adverte. Para Yves Turquin, “é fundamental retirar o lado positivo de cada situação e evitar a obsessão de ficar preso ao cargo e ao salário que se tem”.

Face a uma conjuntura adversa, você terá mais a ganhar em reorientar a sua carreira do que em perpetuar uma situação de desemprego. Se não for por qualquer outra razão, que seja pelo facto comprovado de qualquer profissional no activo ter mais oportunidades de conseguir um novo emprego do que um trabalhador que enfrente uma situação de desemprego. Entre as vantagens, oportunidades e ameaças decorrentes de todo o processo de transição da carreira, o aumento da empregabilidade é um dos benefícios mais importantes no momento de aceitar um novo trabalho, mesmo que seja inferior aos objectivos iniciais.


10 Dicas de ouro para perder o medo de ser despedido

1- Mantenha sempre um canal aberto com o mercado

Por mais seguro e realizado que se sinta no seu emprego, nunca perca a ligação ao mercado. Mantenha-se atento às oportunidades que se estão a gerar na sua área (ou noutras complementares onde gostasse de trabalhar), que empresas estão a contratar e com que condições.

2 – Torne-se um bom investimento
Não despreze a reciclagem de conhecimentos e a sua constante qualificação profissional. Sonde o mercado para perceber quais são as últimas tendências na sua área e atualize-se.

3 – Recuse o conformismo profissional
Nunca se acomode ao que tem. Parar de evoluir, quer no cargo que ocupa, que a titulo pessoal é ditar a sua própria sentença de desemprego.

4 – Invista na sua rede de contactos
Nunca deixe de fomentar a sua rede de networking. O contacto com os seus pares pode ser-lhe muito últil não só para sentir o pulso ao mercado, como para detectar eventuais oportunidades de emprego.

5 – Pense no desemprego
Pode parecer provocatório, mas é extremamente importante que faça constantemente esta autoanálise e procure responder à questão “e se eu ficasse desempregado?”. É importante delimitar que outras coisas sabe fazer, além do que faz, se estaria disposto a mudar de área, de país ou a trabalhar por menos dinheiro?

6 – Do que abdicaria para se mater activo?
Procure definir que coisas abdicaria na vida para se manter profissionalmente ativo, se tivesse que aceitar trabalhar por menos dinheiro.

7 – Elimine a obsessão de arranjar um emprego
É fundamental evitar a obsessão de arranjar apenas um emprego. Deve encaixar esta situação num projecto de vida mais global e nunca se perder. Para ser coerente neste processo, é fundamental ser realista e responder a algumas questões vitais: o que posso fazer? Quais as minhas experiências, pontos fortes e conquistas? O que mais gostaria de fazer e o que me motiva? Como está o mercado nessas áreas?

8 – Não se agarre à obrigatoriedade de ter o mesmo cargo e emprego que antes
Alargar as expectativas a outros sectores, empregos ou até regiões pode trazer inúmeros benefícios de desenvolvimento pessoal e profissional.

9 – Combata a frustração ou o sentimento de fracasso
Seja realista e procure ter uma perspectiva clara do que necessita e do que deseja para si, sem confundir ambos os aspectos.

10 – Não deixe de sonhar
É fundamental aproveitar o tempo para os objectivos próprios e prioritários. A situação pode ser menos benéfica, mas a forma de a encarar depende da interpretação pessoal. Tal como depende a energia para mudar o cenário.



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