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Portugal não aposta no teletrabalho

24.04.2003


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Cátia Mateus

PORTUGAL continua de costas voltadas para as potencialidades do teletrabalho. A conclusão é avançada pelo Hiring Survey, um estudo realizado semestralmente pela empresa de "executive search" MRI, com o objectivo de dar a conhecer antecipadamente as intenções de contratação dos empresários e recolher informação útil sobre a gestão de recursos humanos nas organizações.

O documento revela que 58% das empresas portuguesas não têm, até à data, qualquer política definida no que respeita ao teletrabalho, sendo que 13% não permitem sequer a sua prática. Apesar da crescente evolução tecnológica no domínio das comunicações, Portugal parece continuar a fechar os olhos às virtudes do trabalho à distância.

Na realidade, ao contrário do que acontece noutros países, esta forma laboral ainda não está enraizada no país. De acordo com dados do Hiring Survey, "58% das empresas portuguesas não têm qualquer política de teletrabalho", enquanto "18% das empresas 'toleram' este sistema de trabalho, 13% proíbem a sua prática e apenas 11% a encorajam activamente".

Para a MRI, "esta forma de trabalho, desde que acompanhada, supervisionada e com objectivos de trabalho bem traçados, pode ser uma forma de reter ou motivar colaboradores, sobretudo no caso de pessoas que tenham de fazer longas deslocações entre o local de trabalho e a habitação".

A empresa de "executive search" vê nesta modalidade de trabalho um factor motivacional já que "possibilita um maior equilíbrio entre a vida familiar e profissional".

Contudo, o estudo reconhece que "um factor importante neste campo é a maturidade inerente a este tipo de flexibilidade". Tratando-se de quadros bem integrados na filosofia da companhia, com capacidade para trabalhar por objectivos e de se automotivarem, é viável a utilização deste modelo de forma pontual ou por sistema.

Ainda assim, é de salientar que o seu sucesso depende muito do perfil de actividade da empresa e das funções do colaborador. "Por parte da empresa é necessário criar redes de comunicação que não excluam estes profissionais e implementar sistemas de avaliação por objectivos, formação e 'coaching'", alerta o Hiring Survey.

As vantagens para o desempenho

Entre as funções aptas a serem desenvolvidas neste regime, o estudo destaca: "as que não envolvam um contacto assíduo e diário com outros departamentos, que tenham uma componente técnica ou em que o trabalho técnico não recorra a material sofisticado e possa ser desenvolvido fora da empresa".

Mas o documento aconselha também a sua utilização por profissionais que em momentos específicos necessitem de desenvolver trabalho intelectual que exija elevado nível de concentração e que não seja passível de interrupções.

No estudo, é ainda focada a realidade do país no que respeita ao recurso das empresas ao "outsourcing" ou "contracting" de profissionais. Neste campo, apesar do que seria de esperar em momentos de instabilidade económica e social, apenas 20% das companhias inquiridas aumentou, nos últimos 18 meses, o recurso a contratações ao abrigo destes regimes.

O Hiring Survey avança ainda que "31% das empresas inquiridas não aumentaram o seu recurso a serviços 'outsourcing' ou 'contracting', neste período de tempo" e "21% das empresas têm menos trabalhadores nestes regimes do que há 18 meses".

Neste estudo foram inquiridas 428 empresas (de pequena, média e grande dimensão) a operar em território nacional, alguns dos sectores mais importantes da economia: Tecnologias Multimédia e Telecomunicações (RMT); Seguros; Turismo; Franchising; Construção e Financeiro.


 





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