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Negócio de alto risco

21.03.2003


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Liete Lajas

O PERCURSO de João Cantiga Esteves poderia comparar-se ao de tantos outros licenciados em Economia, não fosse a sua paixão emergente pelos produtos derivados - contratos a prazo em que ambas as partes, compradores e vendedores, acordam a troca de um activo (por exemplo, mercadorias como crude ou água).







Bloco de notas

Empreendedorismo em Portugal


Desde sempre associado a várias empresas, assumindo cargos de administração, é do outro lado do Atlântico, nos EUA, que este também professor universitário, "Master of Science" (MSc) em Planeamento Económico e com um MBA em Finanças Internacionais descobre o seu verdadeiro prazer, o mundo dos derivados.

Na altura, na década de 80, esta era uma área pouco desenvolvida em Portugal - despontou há menos de dez anos -, mas que João Cantiga Esteves estudou e trabalhou, por mais de oito anos, no "país das oportunidades".

Daí em diante o seu trajecto estava delineado. A proposta para liderar um projecto de abordagem de risco em Portugal surgiu e Cantiga Esteves não recusou o desafio. "A iniciativa é muito importante. Uma pessoa que trabalhe, como foi o meu caso, há vários anos associado a empresas, é um imperativo avançar e, sobretudo, construir para nós o que realizámos para outros. Senti essa necessidade, era um desafio e as pessoas têm de ter coragem, têm de assumir riscos".

Assim, com a sua experiência, os contactos adquiridos e algumas parcerias internacionais, a par do núcleo de accionistas e as restantes pessoas em contexto empresarial, a Ephi-Ciência Financeira começa a ganhar forma. O seu objectivo: "afirmar-se no panorama empresarial português como uma empresa totalmente vocacionada para a cobertura de riscos".

Um projecto ambicioso, mas viável segundo o "partner", já que, no início do século XXI, a incerteza e a volatilidade crescente dos mercados obrigam as empresas a confrontarem-se diariamente com diversos tipos de riscos financeiros, dificultando substancialmente a tarefa dos gestores.

A abordagem do risco sistemático, dividida em três grandes áreas - preço de matérias-primas ("commodities"), câmbio e taxas de juro -, será a oferta que a Ephi-Ciência Financeira propõe às empresas portuguesas.

Mas em que consistem estes riscos? "É a incerteza em diversas variáveis da empresa, que na prática se traduz na flutuação da rentabilidade, dos 'cash-flows' e da competitividade perante os diversos concorrentes", explica João Cantiga Esteves.

Aquele empreendedor passa a explicar o funcionamento do negócio: "Por exemplo, se uma entidade decide adquirir uma determinada quantidade de barris de petróleo a 30 dólares cada um no mês de Junho, independentemente do preço subir ou descer, a encomenda é vendida naquele valor estabelecido".

Segundo este especialista, muitas empresas justificam os seus maus resultados pela ambiguidade dos mais variados factores, como o preço do barril de Brent ou a cotação do dólar. "A tradição do risco em Portugal ainda é inexistente. É algo que assusta os gestores e, mais grave ainda, é o facto de muitos deles não saberem em que consiste. O turismo é um claro exemplo de uma área de negócio utilizadora destes novos instrumentos de 'hedging'. É volátil e depende das condições climatéricas. Para uma empresa que gere uma estância de esqui, o maior risco é não haver neve", acrescenta.

Sinónimo da relevância da abordagem dos riscos e influência nos lucros é a clara receptividade do tecido empresarial português. "As organizações sentiam algum desespero ao serem confrontadas com problemas que não eram o seu 'core-business'. Ficámos com a sensação de que os gestores possuíam a percepção destes problemas mas não tinham soluções".

Centrada nas pequenas e médias empresas, a consultora divide os seus clientes por áreas de negócio, nomeadamente metais, produtos agrícolas e energia. As empresas industriais e comerciais, importadoras e exportadoras, dado que são confrontadas diariamente com a volatilidade das matérias-primas, são as que mais procuram uma solução de risco.

Perante o actual cenário do mercado português, João Cantiga Esteves é peremptório ao referir que "o nosso projecto foi todo ele muito bem pensado. Consideramos que 2003 vai ser um bom ano para a empresa".






Bloco de notas

- As funções de patrão e empregado apresentam diferenças significativas, mas ambas são importantes. Em Portugal seria bom que os jovens aderissem à vida de empresários;

- A sociedade depende da criação de empresas, pois existe a necessidade de produção de riqueza. Portugal não é excepção e há espaço suficiente, é preciso apostar "com garra";

- O processo burocrático extremamente pesado ainda é uma das dificuldades sentidas. Os problemas surgem e as pessoas não devem inibir-se;

- Desenvolver o espírito de iniciativa. Em Portugal é necessário que os jovens adiram ao empreendedorismo, porque a própria solução de emprego passa por aí. Além disso, as pessoas trazem do estrangeiro muitas ideias inovadoras, que se tornam uma mais-valia para o país;

- Ter a percepção de que existem riscos. Se possível, devemos quantificá-los, percebê-los, não meter "a cabeça na areia", mas estarmos cientes que o risco é um facto;

- Encarar a empresa como um projecto, como algo com continuidade, a longo prazo.

- Ter a consciência de que a empresa é, de facto,o "sangue" que deve correr na sociedade portuguesa


 





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