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Cursos de hotelaria sem mãos a medir

Cursos de hotelaria sem mãos a medir

A taxa de empregabilidade dos cursos de hotelaria e turismo rondam os 85%. Um valor que reflete a espiral de novas aberturas de hotéis de quatro e cinco estrelas.
13.01.2011 | Por Marisa Antunes


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Fenómeno recente, a multiplicação de hotéis e unidades de alojamento tem causado uma maior pressão na procura de pessoal qualificado, levando a uma maior aposta na oferta formativa. Nem a crise imobiliária refreou a abertura de estabelecimentos de turismo. Só para citar um exemplo, o Algarve, região por excelência orientada para a vertente turística, tinha em 2005 uma dezena de hotéis de cinco estrelas. Em apenas cinco anos, esse número duplicou.

Atentos, os estabelecimentos de ensino dedicado ao turismo têm reforçado as vagas, reformulado currículos, incrementado o intercâmbio de estágios nacionais e internacionais para os seus alunos. Naquela que foi a primeira escola especializada nesta área a abrir portas em Portugal, a Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (EHTL), em Campo de Ourique, soma-se a tudo isto o reforço nas instalações, criando condições para que os alunos aprendam, em ambiente real de trabalho, o que irão enfrentar uma vez terminado o curso, com a duração de dois anos.

O restaurante gourmet, aberto ao público, não tem mãos a medir. A funcionar nesta escola, que foi totalmente requalificada no ano passado, este espaço de restauração permite aos alunos porem diariamente em prática o que aprenderam na teoria. Ao lado, aquele que é o primeiro hotel de aplicação em Portugal, o hotel da Estrela, de quatro estrelas, recentemente aberto. Nesta unidade hoteleira, que conta com o know-how do grupo Lágrimas Hotels, os jovens em grupos de 23, fazem as suas aulas práticas em turnos rotativos, em ambiente hoteleiro enfrentando questões reais do dia-a-dia.

“Fazemos parte de uma rede de 16 escolas tuteladas pelo Turismo de Portugal, com 3000 alunos em formação inicial. Atualmente, e mesmo em contexto de crise, a taxa de empregabilidade dos nossos alunos situa-se nos 85%”, acentua Lídia Serras, diretora da EHTL. A instituição oferece formação nas áreas da Gestão Hoteleira e Alojamento, Gestão Hoteleira e Restauração, Produção de Cozinha e ainda, desde o início deste ano letivo, o Food Production, idêntico ao outro curso, mas totalmente ministrado em inglês. Todos os cursos, com um número varíavel entre os 22 e os 25 alunos, têm a duração de dois anos, exigem como condições de acesso o 12º ano e incluem estágios de três meses em unidades hoteleiras nacionais e além-fronteiras.

“Estes cursos, para além da carteira profissional, conferem ainda créditos aos alunos que queiram depois prosseguir os seus estudos universitários”, reforça Lídia Serras. O mais concorrido de todos continua a ser o curso de Produção de Cozinha, com uma lotação máxima de 25 alunos, mas com uma procura três vezes superior à oferta. Também o Food Production se revelou este ano um sucesso, demonstrando a vontade dos jovens em abraçar desafios ao nível da internacionalização. Foi precisamente para fazer face a esta procura, que a EHTL vai começar já em março (com inscrições abertas desde o início deste mês), os cursos nocturnos, em todas as áreas de formação inicial.

Outra grande aposta da nova direção da escola passou pela reformulação dos currículos académicos. “Achamos fundamental reforçar a formação dos nossos alunos ao nível das ‘soft skillls'. Por isso, a reformulação curricular passou a integrar a gestão de carreiras, a componente de marketing e vendas e o empreendedorismo, só para citar alguns exemplos”, aponta a diretora da escola.

Para quem já está no mercado, este estabelecimento assegura ainda formação contínua, como é o caso dos cursos para escanções ou para quem quer possuir a carteira profissional de diretor de hotel. Sinal do investimento que o Turismo de Portugal tem feito nas escolas do agrupamento, as reabilitações destes espaços de ensino estão a permitir reforçar a capacidade de novos alunos. Depois das Escolas de Hotelaria e de Turismo de Lisboa e do Porto , segue-se agora .Setúbal que vai abrir em Setembro com novas instalações e consequentemente, com o reforço no número de vagas disponíveis.

Oportunidades além-fronteiras

Há muito que os players do sector se queixam da necessidade de mais pessoal qualificado que se coadune com as exigências do mercado. Mas, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Hoteleira, Turismo e Similares do Sul, a precariedade existente nos estabelecimentos turísticos e os baixos salários têm levado muitos jovens a tentar a sorte fora de Portugal.

“Aqui, ganham menos 20 a 30% do que conseguem auferir fora do país, por isso muitos são os que vão para França, Suíça e Reino Unido. Só em 2009, e das escolas de Lisboa e Algarve cerca de 700 destes jovens formados tiveram de emigrar”, alerta Rudolfo Caseiro, presidente desta plataforma sindical.

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Hoteleira, Turismo e Similares do Sul está a fazer um levantamento exaustivo das condições de trabalho nas unidades hoteleiras da região Sul, um trabalho a ser apresentado no final deste mês.



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