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Construção perdeu 190 mil trabalhadores

Construção perdeu 190 mil trabalhadores

Longe de viver bons dias, o setor da construção perdeu, desde 2002, cerca de 190 mil trabalhadores. Por onde passa a solução para travar a escalada do desemprego? Dizem os especialistas que o mercado da reabilitação é a saída.
13.01.2011 | Por Cátia Mateus e Maribela Freitas


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O setor da construção em Portugal vive dias difíceis. De acordo com dados da Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (FEPICOP) esta área decaiu 6,5% no ano passado e estima-se que a quebra em 2011 seja de 5%. Em termos acumulados e só nos últimos nove anos, a atividade sofreu uma redução na ordem dos 35%. “A consequência desta redução foi a diminuição do número de postos de trabalho garantidos pelo setor, realidade que se mantém atualmente”, refere Ricardo Pedrosa Gomes, presidente da direção da FEPICOP. Mas para Reis campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), “apesar da forte redução da atividade que tem vivenciado ao longo dos últimos anos, o setor mantém-se como o maior empregador privado nacional”.

Em 2007, diz Reis Campos, “o setor da construção e imobiliário totalizava 820 mil trabalhadores, representando 22% do pessoal ao serviço das empresas não financeiras e 16% do emprego total”. O presidente da CPCI adianta ainda que “neste setor a crise teve início em 2002 e desde essa data a perda de empregos nesta atividade ascende a 190 mil efetivos”. A situação é grave, mas Reis Campos assegura que a construção e o imobiliário ainda se mantêm como o maior empregador privado nacional.

Inverter esta tendência de escalada do desemprego não se assume tarefa fácil num futuro próximo. Reis Campos diz mesmo que “se olharmos para as previsões económicas formuladas pela maioria dos organismos internacionais como o FMI, a OCDE ou, mesmo, pelo Banco de Portugal e pela Comissão Europeia, as perspetivas de inversão deste cenário são praticamente nulas”. Na verdade, o Relatório de Inverno do Banco de Portugal, apresentado esta semana, aponta para uma redução do PIB, em 2011, na ordem dos 1,3%. Segundo Reis Campos, “a concretização deste cenário, associado à manutenção da atual política económica, conduzir-nos-á ao décimo ano consecutivo de quebra no setor da construção e do imobiliário, que de acordo com as estimativas poderá registar um decréscimo adicional de produção de cerca de 5%, face aos 35% de queda acumulada que se verificou desde o início da atual crise”.

Esta perspetiva reveste-se, para o presidente da CPCI, de extrema gravidade não só para as empresas mas também para o país. “É preciso ter presente que a quebra no emprego do setor que, em termos acumulados se situa nos 21% ainda não refletiu, na sua totalidade, a referida redução da atividade, muito por força do esforço que as empresas têm feito com vista à manutenção dos seus postos de trabalho”. Reis Campos assume que “neste momento existem cerca de 120 mil postos de trabalho em risco nestas atividades. Comprovando-se a quebra adicional, em 2011, esse número irá subir para 140 mil”. E o presidente da CPCI enfatiza: “isto representa um encargo direto para as contas públicas de 1,5 mil milhões de euros em subsídios de desemprego e perda de receitas fiscais, mas que ultrapassa largamente os 3 milhões de euros, se forem contabilizados os efeitos indiretos sobre as restantes atividades económicas”.

Mais e melhor emprego

Vencer esta crise passará pela implementação de medidas que permitam criar mais e melhor emprego e estimular a economia. Uma opinião também corroborada por Ricardo Pedrosa Gomes para quem “ao nível do emprego menos qualificado, a fase que agora se inicia do programa de renovação das escolas poderá atenuar a quebra do emprego que se tem verificado no setor”. No segmento habitacional o declínio da atividade continua significativo. O presidente argumenta que se regista ainda a potencial perda de trabalho muito qualificado, ao nível da formação superior, que “resulta do não avanço ou indecisão sobre o destino de alguns dos projetos de infraestruturas para os quais as grandes empresas se tinham preparado”.

Uma conjuntura com forte impacto na empregabilidade que leva a FEPICOP a defender que “o país não pode recuperar sem uma estratégia clara de desenvolvimento económico”. “A reabilitação do edificado, a regeneração urbana, a eficiência energética dos edifícios, a recuperação do património histórico e as infraestruturas de produção de energia, logísticas e de transporte marítimo, são áreas que consideramos fundamentais, não só para a retoma do setor, mas principalmente, para o futuro do país”, defende o presidente da associação.

Também para Reis Campos, “não há soluções para a crise que não passem pela dinamização da construção e do imobiliário, pelo que a exemplo do que foi feito na Europa e no Mundo, estou convicto de que Portugal irá reconhecer esta fileira como um instrumento de combate à crise, conciliando esta orientação com medidas de redução da despesa pública”. A criação de emprego passa, segundo o presidente da CPCI pela aposta em áreas chave e de proximidade, como a reabilitação urbana. “É necessário avançar com os projetos de que o país necessita, como a renovação do parque escolar, dos hospitais ou da manutenção preventiva de infra-estruturas, como pontes e estradas que o estado não pode descurar”.

A reabilitação urbana foi reconhecida pelo Governo, assegura Reis Campos, como a estratégia adequada para promover o emprego qualificado, capaz de mobilizar os agentes económicos e, com eles, conduzir Portugal para um novo patamar de desenvolvimento do qual saem reforçadas as empresas nacionais. Em Portugal, “o segmento da habitação absorve cerca de 60% do emprego diretamente relacionado com a atividade da construção, o que representa aproximadamente 350 mil trabalhadores. Por seu turno, os trabalhos de reabilitação apresentam um grau de intensidade de mão-de-obra que ascende a 60% do valor total dos trabalhos realizados”, concluí Reis Campos.

Reabilitação: uma área com futuro

A reabilitação urbana é apontada pelos intervenientes do setor como uma das áreas de futuro para a construção. Crente nesta realidade, a ESAI – Escola Superior de Atividades Imobiliárias, lança já no próximo mês um MBA em Reabilitação Urbana. “Consideramos que um MBA é uma caixa de ferramentas de gestão para os principais decisores dos setores público e privado e por isso, o curso está dirigido aos gestores que lidam com a cidade e o seu edificado”, conta Pedro Neves, coordenador da formação. O curso vai abordar seis vetores, nomeadamente: gestão e finanças; estratégia e desenvolvimento sustentável; urbanismo e gestão de projetos; direito do urbanismo e do imobiliário; avaliação e gestão de património e marketing e comunicação.

Pedro Neves não tem dúvidas que o imobiliário em geral está a passar a ter cada vez mais uma perspetiva financeira e os setores associados com a criação e gestão de valor terão sempre empregabilidade. Por outro lado, a reabilitação e a requalificação urbana são o futuro. “O principal projeto de reabilitação atualmente em curso é o parque escolar que só por si representa 11000 empregos criados atualmente, segundo dados do site desta organização”, salienta o coordenador do MBA.

Na sua ótica a reabilitação não envolve apenas a construção pura e dura, mas também o direito, urbanismo, marketing, economia, sociologia e finanças. As suas potencialidades de criação de emprego vão muito além das típicas funções de construir paredes e assentar azulejos, estendendo-se a múltiplas atividades.



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