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Como as empresas fabricam os seus talentos

Como as empresas fabricam os seus talentos

Numa economia em rápida mutação e altamente concorrencial, a captação de talento torna-se um dos maiores desafios das empresas na atualidade. Conseguir atrair os melhores significa estreitar os laços com universidades de topo, saber detetar um talento em mil, dar-lhe a formação necessária e estar disposto a responder às suas aspirações de carreira, de modo a retê-lo na organização.
12.04.2013 | Por Cátia Mateus


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Um exercício que para a maior parte das empresas é vital ao ponto de inspirar a criação programas de deteção e integração que são autênticas máquinas de fazer talento. Anualmente, os Programas de Trainees abrem as portas das empresas a milhares de jovens profissionais ávidos de fazer carreira. Os programas de trainees conduzem anualmente às empresas largas centenas de recém-licenciados que aqui encontram a sua primeira oportunidade de trabalho. Talento é hoje uma palavra-chave para qualquer líder empresarial. Há muito que as empresas não recrutam apenas profissionais tecnicamente bons. Para lá da capacidade de execução, para as organizações é hoje determinante constituir equipas onde o ADN da empresa esteja de tal forma enraizado nos colaboradores que os resultados práticos do exercício da sua atividade não poderão ser outros senão a excelência. Para formar perfis com esta amplitude, as empresas optam recrutar talento novo diretamente das universidades. Talento que será formatado à medida das necessidades e ambições de cada organização, em programas de trainees estudados ao detalhe para trabalhar competências-chave nos recém-licenciados e colocá-los ao serviço do negócio. Anualmente, os programas de trainees abrem as portas do mercado de trabalho a largas centenas de jovens profissionais. Uma oportunidade que ganha uma dimensão acrescida, num cenário dramático de desemprego jovem como o que atinge Portugal. A Sonae acolhe anualmente cerca de 100 recém-licenciados nos seus programas de trainees. O Programa Contacto, lançado em 1986, é o mais emblemático do grupo, mas a Sonae possui outros programas de estágio como o “Call for Solutions Universities” que convida finalistas de mestrado de diversas áreas a resolverem desafios dos diferentes negócios da empresa. Para José Côrte-Real, administrador da Sonae com o pelouro dos RH, a aposta está mais que ganha. O programa é atualmente uma das principais ferramentas de captação de talento para a empresa e é tal o seu sucesso que já permitiu a evolução do conceito para a rede social Rede Contacto - www.programacontactosonae.com - “uma plataforma inovadora, com reconhecimento internacional, que estimula a relação diária e próxima entre estudantes universitários e as Empresas Sonae”, explica o administrador. “O programa tem permitido a muitos jovens desenvolverem o seu percurso na Sonae e contribuindo ativamente para o desenvolvimento da empresa. Hoje, muitos dos que integraram a equipa através do Contacto e se destacaram nas suas áreas de atuação, são líderes na Sonae ou noutras empresas”, enfatiza. O programa Contacto regista anualmente mais de 24.500 candidaturas, de entre as quais a empresa seleciona os melhores. É com estes que vai partilhar em detalhe o seu portefólio de negócios e valores corporativos, lançando-lhes depois desafios específicos que terão de resolver. O programa de trainees da Sonae tem uma duração média de seis meses e uma taxa de integração na empresa de 100%. Na consultora PwC a taxa de integração é ligeiramente inferior, 80%. Através do seu programa de trainees a empresa recebe anualmente cerca de 40 jovens profissionais, mas fora deste programa podem integrar a equipa da PwC entre 100 a 120 recém-licenciados por ano (new joiners). Segundo Mónica Ramos, , manager do departamento de Human Capital da PwC com tutela sobre o recrutamento e seleção e o projeto PwC Universidades, destinado a estreitar o relacionamento com as universidades, “o programa funciona de modo estruturado há três anos e recebe em media três mil candidaturas por ano”. A empresa procura sobretudo candidatos das áreas de economia, gestão, finanças e direito, recém-licenciados ou a terminar mestrado, que sejam oriundos de instituições de prestígio, e que “detenham um notável background académico e experiências extra-curriculares distintivas”, enfatiza. Entre as competências que a empresa mais trabalha nos seus trainees, durante estes estágios com duração entre três a 12 meses, estão a soft-skills, onde encaixa a transmissão dos valores e ADN da empresa. A Galp Energia recebeu nos últimos dois anos uma média de 50 trainees por ano, mas segundo o Gabinete de Comunicação Externa da empresa, “média acolhemos 30 a 40 recém-graduados anualmente, com o grau de mestre”. Também aqui, o programa Generation Galp é um elemento vital na estratégia de deteção de talento da empresa que apostou na sua criação há 15 anos. “O programa de trainees da Galp Energia já acolheu 350 participantes nas suas dez edições e permitiu a integração de mais de 250 jovens na empresa. Conseguimos assim uma taxa de retenção de cerca de 80%”, faz saber a organização. A Galp Energia supera anualmente as oito mil candidaturas a este programa. A seleção é difícil e rigorosa para uma empresa que olha o candidato como um todo. “Não privilegiamos apenas a formação académica, a experiência profissional ou outras aptidões isoladamente. Queremos perfis com um background académico consistente e candidatos que demonstrem, através das suas atividades extracurriculares, que são pessoas proativas e empenhadas na aprendizagem permanente. Deverãoter uma visão ampla relativamente às oportunidades profissionais e integrarem-se com facilidade em contextos de trabalho diversificados”, explica a empresa. Visão semelhante tem a REN. A empresa privilegia alunos finalistas de mestrado, nas áreas da Engenharia, Economia e Gestão, mas o que valoriza sobretudo são “perfis que demonstrem forte sentido de responsabilidade, dinamismo, vontade de aprender, orientação para resultados e espírito de equipa e cooperação”, adianta Elsa Carvalho, diretora de RH da empresa. A REN recebe no seu programa de trainees, que soma apenas duas edições, 10 finalistas de mestrado a cada ano. São mais de mil os candidatos e à luz do que sucedeu em anos anteriores, a taxa de permanência na empresa rondará os 60%. O plano de formação concebido pela empresa para formação de talento “privilegia a partilha de conhecimento e experiência, facilitando a gestão de carreira não só de quem entra, como de quem cá está, trabalhando também o sentido crítico dos mais jovens, ávidos de saber e aprender”, explica Elsa Carvalho. O programa de Trainees do grupo Jerónimo Martins é dos mais antigos. Desde 1988 que a empresa recruta talento por esta via e até já expandiu o conceito há Polónia, onde desde 1997 é aplicada a mesma estratégia. Joana Loureiro, head of Management Development do grupo, confirma que a empresa já integrou 285 trainees em Portugal desde o início do programa e 220 na Polónia. “Em 2012 integraram o programa 32 recém-licenciados, sendo que sete portugueses rumaram à Polónia e cinco polacos estagiaram em Portugal”, explica a líder de RH do grupo. Ser selecionado para integrar o programa implica superar em talento os 2500 candidatos que este regista anualmente e ultrapassar com sucesso cinco fases de seleção. “A aposta neste jovens é feita desde o primeiro dia porque o objetivo primordial deste programa, em que o grupo faz um grande investimento, é o de formar os futuros managers do grupo”, realça Joana Loureiro adiantando que por isso a taxa de integração registada é, naturalmente, de 100%. Além de serem uma das melhores formas que as organizações encontraram para formar talentos à sua medida e com o ADN próprio da organização, os programas de estágio ou trainees são para os jovens profissionais uma oportunidade a agarrar para entrar no mercado de trabalho e demonstrar o seu potencial. Há um número crescente de organizações onde o podem fazer (ver caixa), mas inúmeras oportunidades em aberto. Em Outubro passado, a EDP lançou o seu programa de trainees, tendo registado de imediato mais de três mil candidaturas para 16 vagas. Mas em paralelo, a empresa desenvolve há muito vários programas de estágio nas suas diversas geografias. Uma aposta que considera vital para “aproximar a EDP das novas ideias, das tendências e processos mais recentes, trazendo bastante mais energia à organização”, explica a empresa. No ano passado, a EDP acolheu 853 estagiários, dos quais 387 em Portugal. Entre os perfis mais procurados pela empresa estão a Gestão, Engenharia, Economia, Ciências Exactas e Ciências Sociais. A empresa valoriza o “jovens com interesses diferenciados, com espírito de cidadania e orientação global”. O EDP Trainee Program agora criado tem uma duração de 20 meses, sendo os trainees remunerados de acordo com as melhores práticas de mercado. Ainda que a empresa não possa traçar uma perspetiva de integração para este programa específico recentemente lançado, avança que entre os 387 estágios criados no ano passado 173 colaboradores permaneceram na empresa. Talento à medida dos maiores Portugal Telecom (PT) O Programa Trainees PT tem como meta atrair, captar e reter na organização jovens de elevado potencial. A empresa recruta nas áreas da Engenharia, Matemática, Economia, Gestão, Marketing, Ciências Sociais e Humanas ou outras, com relevância para o mercado das telecomunicações. O programa é estratégico para a PT, introduzindo novas competências e formas de pensar o negóci, sendo uma das fontes de recrutamento privilegiadas da empresa. SAP A tecnológica criou SAP Trainee Program, com uma forte componente formativa. A missão da empresa é injetar no mercado novos especialistas em TI, accelerando com este programa a aprendizagem dos conceitos de SAP, abrindo as portas para uma rápida integração do recem-licenciado no mercado de trabalho. Orey Financial A financeira criou um programa com duração de seis meses que visa proporcionar aos jovens recém licenciados um processo contínuo de aprendizagem, ao mesmo tempo que rejuvenesce os seus quadros e investe naqueles que poderão vir a ser os futuros líderes da organização. A Orey recruta sobretudo nas áreas da Gestão e Economia, mas também Marketing, Engenharia e Ciências Sociais. Grupo SECIL Recruta, através do seu programa de Trainees, jovens recém-formados com elevado potencial que queiram fazer carreira no Grupo. Entre as áreas preferenciais de recrutamento estão a Engenharia, Gestão ou Economia, sempre com médias superiores a 14 valores. Central de Cervejas Acaba de lançar o Programa Trainees 2013, com duração de seis meses e especialmente direcionado para os recém-licenciados que ambicionam uma carreira no marketing ou customer marketing. A empresa recrutará sobretudo nas áreas da Gestão, Economia ou Marketing. Philip Morris International (Tabaqueira) Acolhe anualmente trainees nas várias áreas funcionais da empresa. A Tabaqueira dá prioridade a perfis licenciados nas áreas da gestão, embora também possua programas de acolhimento para estudantes. A empresa exige bom domínio de inglês falado e escrito e de outro idioma e considera uma mais valia a experiência adquirida em estágios profissionais ou curriculares anteriores. Logica Cerca de 80% dos colaboradores da tecnológica chegam à empresa através do programa RefreshingUs. O programa de trainees da empresa tem enfoque na área das engenharias, informática, gestão e economia e engloba percursos formativos, com certificações em áreas tecnológicas de referência no mercado. A empresa valoriza a excelência técnica, mas também a identificação com os valores da empresa. Novabase O Novabase Academy surgiu com o objetivo de reforçar as equipas de projeto das várias áreas da tecnológica e é atualmente uma das principais ferramentas de recrutamento da empresa. O recrutamento inicia-se sempre junto das universidades onde a Novabase faz a deteção dos melhores talentos, ao que se segue um rigoroso processo de seleção.


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