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O poder do bizarro

A época das entrevistas de emprego previsíveis, já era. A forte competitividade do mercado e necessidade das empresas recrutarem não só os profissionais melhor qualificados na sua área mas também os mais criativos e empreendedores, está a gerar uma mudança na metodologia aplicada nas entrevistas de recrutamento. As grandes multinacionais já se renderam ao potencial da excentricidade enquanto factor de seleção e em Portugal, os recrutadores também já causam surpresa.
12.04.2013 | Por Cátia Mateus


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Se lhe pedirem para descrever um frango em linguagem de programação, como responde? Se quer trabalhar na Google, treine a resposta. Apple, Google, KPMG, Johnson & Johnson, Microsoft, JP Morgan Chase ou General Motors, não são apenas algumas das empresas mais disputadas do mundo para quem procura uma carreira aliciante. São também aquelas onde os métodos de seleção associados ao rigoroso processo de recrutamento podem facilmente assemelhar-se a cenas de filme ora de comedia, ora de terror. Se concorrer a um cargo no gigante tecnológico Google e o chamarem para uma entrevista, pode esperar tudo e tem de estar preparado para o impensável. Até para descrever um frango em linguagem de programação. Sim, leu bem. Esta é uma das perguntas mais básicas aplicadas pelo gigante tecnológico, precursor da moda, cada vez mais generalizada, das entrevistas excêntricas a nível mundial. Mas afinal onde querem as empresas chegar com este tipo de questões? Os principais players do mercado global de recrutamento estão de acordo num factor-chave: as empresas já não procuram apenas a excelência nas competências técnicas. Factores como a criatividade, rapidez de raciocínio, trabalho em equipa e orientação para a resolução de problemas, são cada vez mais determinantes. São exatamente este parâmetros que questões como estas conseguem avaliar. O Google foi o grande mentor desta forma de recrutar. São da responsabilidade da tecnológica as questões mais mirabolantes já aplicadas a candidatos. Se pensa que pode entrar nesta empresa apenas com um currículo estrategicamente organizado, elencando o seu percurso mas também as sua intervenções na área do voluntariado, hóbis e derivados, esqueça. Para carimbar o seu passaporte na Google terá de ir mais longe e superar um processo de entrevista que não é para meninos e até já é um estudo de caso. O físico William Poundstone, formado pelo MIT descobriu a metodologia aplicada pela Google nos processos de seleção e estudou os seus resultados e efeito de contágio a outras multinacionais. Da investigação resultou a obra “Are you smart enought to work at Google?”, que para já para muitos um manual indispensável de preparação para perguntas difíceis e inesperadas. O título é uma clara brincadeira ao modelo de seleção da empresa que avalia conhecimentos técnicos através questões de pensamentos divergentes e algoritmos. Mas, é sobretudo uma demonstração de como se mede o bom senso, o bom humor e a rapidez de raciocínio nos candidatos, características cada vez mais valorizadas. Não será hoje incomum que numa entrevista de emprego lhe perguntem “se você fosse uma personagem de desenho animado qual seria e porquê?” ou “quantos postos de gasolina há nos Estados Unidos?”. Pode parecer-lhe irreal, mas para William Poundstone “estas perguntas testam se o candidato está alerta e se tem bom raciocino”. Em muitos casos, há mais do que uma boa resposta e o humor pode causar uma primeira excelente impressão no recrutador. Segundo o especialista, a tendência já corre mundo e é aplicada por um número crescente de organizações, que procuram selecionar candidatos tecnicamente bons, mas também criativos e empreendedores. E pode até ser combinada com outras metodologias. Os líderes de RH da Goldman Sachs, por exemplo, são conhecidos por pedir aos candidatos a cotação da empresa na bolsa de valores, testando assim o seu conhecimento sobre a organização. “Com estas questões, os entrevistadores querem entender como o candidato pensa e esperam que ele forneça, passo a passo, o seu roteiro de para resolver as situações”. Não deve por isso estranhar se, na próxima entrevista, lhe pedirem que estruture um plano de evacuação para Portugal. Para domar a sua surpresa e perceber melhor o que lhe pode aparecer pela frente numa entrevista destas, o plataforma de recrutamento e gestão de carreira Glassdoor conduziu um estudo onde são elencadas as empresas mais criativas nas entrevistas e o tipo de perguntas que aplicam (ver caixa). Segundo o relatório, são os grupos de consultoria que colocam as perguntas mais difíceis aos candidatos, deixando as tecnológicas bem para trás no ranking da criatividade. Se lhe perguntarem quantas bolas de golfe enchem um estádio, não desespere. Respire fundo e aplique toda a criatividade na resposta! Questões bicudas Se quer garantir entrada nas maiores e melhores empresas do mundo terá, segundo o portal Glassdoor, de se preparar para responder a questões como estas: - Quantos carros vermelhos existem em Espanha? - Qual a quantidade de papel higiénico necessária para cobrir o Empire State Building? - Quantas vacas existem no Canadá? - O que é que não o orgulha no seu currículo? - Quantas bolas de pingue-pongue cabem nos compartimentos de bagagem de um avião 747? - Se fosse um animal, qual seria? - Quantos volts são necessários para colocar a funcionar uma plataforma offshore? - Qual a dimensão do mercado de cadeiras de rodas em Xangai? - Qual é a mais bela equação que já viu? - Numa escala de 1 a 10, como classifica o seu grau de esquisitice? - Descreva um frango em linguagem de programação. - Quantas bolsa de golfe são precisas para encher um estádio? - Quantos táxis tem Nova Iorque? - Quantos aspiradores de pó são fabricados anualmente no mundo? - Se quisesse acabar com um dos Estados dos EUA, qual seria e porquê? - Qual a música que melhor o descreve profissionalmente? - Se eu fosse jantar a sua casa, qual seria a refeição? - Se lhe disser que lhe dou um milhão de dólares para concretizar a sua melhor ideia, qual será? - Como é que se faz uma sandes de atum? - Em que é que pensa quando está sozinho no carro? - Quantas janelas há em Nova Iorque? - Alguma vez roubou uma caneta no trabalho? - Que utensílio de cozinha você seria? - Escolha duas celebridades para serem seus pais. - Se você pudesse ser qualquer outra pessoa quem escolheria ser? - Numa escala de 1 a 10, como me avalia enquanto entrevistador?


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