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69% dos universitários querem emigrar

A média assusta mas já não espanta. Na mesma semana em que se sabe que Portugal voltou a falhar na meta de travar o desemprego, as associações académicas do país divulgam os resultados de um estudo que deixa claro que os jovens portugueses estão cada vez mais de olhos postos no mercado internacional.
17.08.2012 | Por Cátia Mateus


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Sete em cada dez estudantes universitários portugueses querem abandonar o país após a conclusão da licenciatura. A tendência é revelada nos resultados do inquérito “Mobilidade Profissional e Internacionalização do Emprego Jovem”, realizado a nível nacional pelas diversas associações académicas do país, que explica ainda que a necessidade de conseguir emprego ou obter melhores perspetivas salariais, são as principais razões que levam os jovens portugueses a apostar noutros países. Em Portugal, o desemprego já afeta 827 mil pessoas, atingindo um novo máximo histórico (15% da população ativa) no segundo trimestre do ano. Os jovens continuam a ser uma das franjas mais fragilizadas desta estatística que as políticas governativas continuam a não conseguir inverter. A conjuntura de desemprego e de baixos salários está a afastar os jovens do seu país e a colocá-los na quase obrigação de consolidar uma carreira internacional que, mais do que uma moda ou aspiração é, nos dias que correm, uma questão de necessidade. O interesse dos jovens portugueses em ir para fora estudar cresceu e aqueles que só esperam acabar o curso para emigrar já são 69%. O estudo não tem, segundo a Federação Académica do Porto (FAP) um caráter científico, mas deixa clara e evidente uma tendência que há muito se faz sentir e não deverá parar de crescer a curto prazo. Segundo Luís Rebelo, presidente da FAP, “o estudo foi realizado pelas associações académicas de todo o país que enviaram aos seus estudantes as questões via internet”. Responderam a este inquérito 1751 estudantes portugueses e 69% confirma a intenção de emigrar. Para o presidente da FAP, o acesso ao emprego, a melhoria de salários e o enriquecimento pessoal gerado pela internacionalização profissional são as três principais razões apontadas pelos estudantes para a vontade de sair do país. E a intenção é generalizada. Segundo as principais conclusões do relatório, não há áreas com maior ou menor propensão para a emigração. As respostas dos alunos inquiridos demonstram que a intenção de deixar Portugal abrange todas as áreas de estudo. “Em todas as áreas, a intenção de sair do país supera os 65%, sendo que em alguns cursos como a arquitetura, artes, engenharia e tecnologias, a intenção supera os 70%”, enfatiza Luís Rebelo. A Europa é o destino preferencial destes jovens e a grande maioria sai com intenção de um dia poder regressar ao seu país (85%). A emigração dos jovens mais qualificados aumentou 49,5% em apenas dois anos. O cenário é preocupante e exige medidas concretas de combate ao desemprego e às inúmeras limitações do mercado de trabalho nacionais que conduzem a esta fuga de cérebros. O estudo agora divulgado resulta exatamente de uma tentativa concertada das várias associações académicas do país traçarem uma radiografia nacional nesta área que viabilize eventuais linhas de atuação futura. A meta é apoiar as decisões dos estudantes portugueses, fornecendo-lhes toda a informação necessárias (leis, procedimentos, conjunturas) para quem quer partir ou para os que decidem ficar e contrariar a corrente.


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