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E se for um estranho a financiar a expansão do seu negócio?

E se for um estranho a financiar a expansão do seu negócio?

Nos últimos anos, o crowdlending (empréstimo coletivo) têm vindo a ganhar adeptos entre os empresários. O modelo de financiamento serve sobretudo PME e micro negócios.

09.01.2017 | Por Cátia Mateus


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É uma das quatro modalidades previstas no enquadramento legal que rege o crowdfunding (financiamento coletivo), celebrizado nos últimos anos entre empreendedores de todo o mundo. Mas em Portugal, e inversamente ao que sucede no Reino Unido ou nos Estados Unidos, este método de financiamento de negócios ainda tem pouca expressão. Ao contrário do financiamento coletivo que funciona por donativo, por direito a recompensa ou por equity (financiamento de capital), o crowdlending (empréstimo coletivo) pressupõe sempre o pagamento de juros sobre o empréstimo concedido. A primeira plataforma portuguesa vocacionada para este tipo de financiamento, a Raize, surgiu em 2012. Afonso Eça, co-fundador da plataforma, explica que a modalidade pode ser uma alternativa ao financiamento tradicional junto da banca e serve maioritariamente micro empresas e PMEs.
A Raize concorre com a banca e está ao abrigo da regulação do Banco de Portugal. Foi a crise de 2012, e a crescente necessidade de financiamento das PME portuguesas, que impulsionou a criação da plataforma de empréstimos coletivos, a primeira em solo nacional. O início de atividade foi mais tarde, em 2015. Desde então, a empresa que Afonso Eça ajudou a criar, já assegurou financiamento a mais de 200 empresas, num montante global superior a quatro milhões de euros. Para este ano, a meta do empresário é mais ambiciosa: “o objetivo da Raize é injetar €20 milhões de euros na economia nacional”, afirma.
Afonso Eça acredita que a criação da Raize ajudou a criar “um mercado alternativo de financiamento para micro e pequenas empresas”. Como funciona afinal este modelo e em que é que se distingue do típico financiamento coletivo? O segredo está no retorno. “A Raize funciona como uma bolsa de empréstimos onde são as pessoas que financiam diretamente as empresas, auferindo juros sobre os empréstimos que concedem, enquanto o crowdfunding opera numa lógica de donativos ou recompensas em troca do investimento”, explica. Investir através da Raize não tem custos para o investidor e, segundo o gestor, atualmente a TANB média (taxa que remunera as aplicações financeiras) para os investidores é de 7,3%.

Empresas elegíveis
Para os mais de sete mil investidores da plataforma as vantagens passam “por obter um bom retorno, diversificar a sua carteira de ativos e apoiar as boas empresas da nossa economia”. E nem todas as empresas se podem candidatar. A plataforma não financia projetos, apenas empresas em pleno funcionamento, com pelo menos dois anos de atividade. A Raize trabalha com firmas de todos os sectores e regiões e o perfil tipo são “empresas com atividade há mais de 16 anos e uma faturação de cerca de €600 mil”, explica.
Além de cumprirem um tempo mínimo de atuação no mercado, para serem elegíveis a financiamento, as empresas não podem estar em incumprimento perante a Segurança Social, Autoridade Tributária ou sistema bancário, têm de ter capital próprio e sede fiscal em Portugal. “A Raize seleciona individualmente todas as empresas que participam na plataforma, para reduzir ao máximo o possível risco para o investidor”, reforça o empresário adiantando que a Raize só aprova 15% dos pedidos de financiamento que recebe e apresenta uma taxa de incumprimento de 1,2%.
Cada investidor pode aplicar num negócio montantes a partir de 20 euros e até €150 mil, embora o valor médio dos empréstimos ronde os €30 mil. Os empresários pode recolher financiamento de vários investidores em simultâneo e, segundo Afonso Eça, “a taxa de juro média depende do risco da empresa, calculado a partir da análise de risco realizada”. Em média, o valor ronda os 4 a 9%. Ver aprovada a viabilidade para um financiamento através da plataforma pode demorar entre cinco a dez dias.
Afonso Eça reconhece que ainda há dificuldades a ultrapassar para que a modalidade se possa posicionar como uma alternativa de financiamento para micro e pequenos empresários, mas acrescenta que “este é um mercado em forte crescimento e a cada dia as pessoas ganham mais confiança nesta alternativa”. Entre 2005 e 2014, as plataformas de empréstimos coletivos terão financiado mais de €20 mil milhões de euros em empréstimos em todo o mundo.

Os números do negócio

€4M
foi o montante total do financiamento mediado pela Raize desde 2015.

200
empresas foi quanto a plataforma já ajudou a financiar, em pouco mais de um ano de atividade.

7000
investidores fazem atualmente parte da bolsa de financiadores da Raize. O seu perfil é diversificado.

15%
dos pedidos de financiamento recebidos através da plataforma são aprovados, depois de um rigoroso processo de triagem.

7,3%
é o valor médio da Taxa Nominal Bruta, taxa que remunera as aplicações financeiras, dos investidores da plataforma.



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