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A evolução das organizações tem-se mostrado muito mais que tecnológica e o sucesso ultrapassa a adoção das últimas ferramentas digitais. Na realidade, o que se confirma é que a par do aumento de empregos relacionados com o desenvolvimento da Era Digital, aumenta também o recrutamento para posições que exigem competências intrínsecas aos seres humanos, em áreas como vendas, comunicação, relações públicas, recrutamento e seleção ou desenvolvimento organizacional. A acompanhar estas movimentações, prevê-se que nos próximos três anos a valorização de competências que exijam pensamento, sentimento e emoção evoluam com a mesma velocidade que a exigência de up e re-skilling técnico. 

06.05.2019 | Por André Ribeiro Pires


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Inteligência Moral Organizacional

Neste cenário, as empresas devem saber posicionar este imperativo: seguir estratégias organizacionais que as tornem competitivas ao nível moral. A avaliação da Inteligência Moral desempenha um papel muito relevante no foco e na base de comprometimento dos indivíduos nas organizações e nos comportamentos de cidadania organizacional. A inteligência moral está sempre presente na forma como pensamos, sentimos e agimos.

Por muito que se diga que o mercado procura, e precisa, de mais do que competências técnicas, é preciso que se saiba como encontrar os colaboradores certos para revestir as empresas de talento moral.  Esta estratégia depende da avaliação dos fatores que constituem a inteligência emocional ao nível pessoal, mas sobretudo devem também ser avaliadas as caraterísticas de inteligência moral ao nível social. Quando as competências técnicas estão já comprovadas então há que saber reter os colaboradores que se mostram, não só emocional, mas sobretudo, moralmente adaptados à visão, missão e valores da organização.

É necessário entender como cada colaborador interpreta, reage e se comporta em diferentes cenários reais e contextos situacionais. Nenhuma liderança atual pode, à semelhança do que aconteceu em outros períodos da história, continuar fechada sobre si própria e indiferente ao dia-a-dia social e moral da organização. Exige-se-lhe, hoje, que garanta uma relação aberta à intervenção intersocial, possibilitando a coparticipação entre todos os atores, pois todos os stakeholders são capazes de promover interações e transições no seio das organizações, às quais não pode estar dissociado o papel da inteligência moral nas suas múltiplas especificidades e no seu contributo para a sustentabilidade do desempenho organizacional.

Os indivíduos moralmente inteligentes refletem no seu comportamento: 1) integridade incondicional; 2) são responsáveis pelos seus atos e assumem os próprios erros; 3) possuem senso de justiça e obedecem à lei; 4) dão importância ao bem-estar da comunidade em que estão inseridos; e 5) reconhecem os seus fracassos. Ou seja, são fiéis a um conjunto de princípios que utilizam de forma consistente para orientarem as suas ações: integridade, responsabilidade, compaixão e perdão.

A inteligência moral emerge, portanto, como fator preponderante na explicação das perceções éticas para o alcance do sucesso organizacional. Os indivíduos moralmente inteligentes são mais propensos a comportarem-se eticamente e a percecionarem comportamentos éticos nos outros. Mahatma Ghandi afirmou “temos de ser a mudança que queremos ver no mundo”. Quando todos os colaboradores de uma empresa são moralmente inteligentes, a organização também o é!

 

Fontes:

Becker, G.K. (2007), «The competitive edge of moral leadership», International Management Review, 3(1), pp. 50-71.

Lennick, D., e Kiel, F. (2011), Moral Intelligence 2.0: Enhancing Business Performance and Leadership Success in Turbulent Times, Pearson Prentice Hall, Boston, EUA.

Yukl, G. (2005), Leadership in Organizations, Prentice-Hall, Englewood Cliffs, NJ.




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