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Viver da música

São mais de 60 mil à procura de uma oportunidade para fazer da música a sua profissão. Mas o universo discográfico em Portugal está mais fechado do que nunca, devido à crise. Apesar do cenário, há quem arrisque em grande: a EP-Produções chegou ao mercado decidida a fazer a diferença
31.10.2008


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Marisa Antunes
Ninguém está imune à crise. Mas há profissões e actividades mais vulneráveis do que outras. Quem faz a vocação soar mais alto e faz da música o seu modo de vida, aperta ainda mais o cinto nas alturas de recessão económica, num país onde, por tradição, a cultura sempre foi vista como um produto supérfluo. Paradoxalmente, a produção musical está mais fértil do que nunca ao tirar partido das novas ferramentas postas à disposição no ilimitado mundo dos cibernautas. Canais como o My Space abrem portas a uma audiência actualmente estimada em mais de 100 milhões de pessoas e permite a divulgação de músicas, letras e vídeos. Só músicos e bandas portuguesas são mais de 60 mil a mostrar a sua criação artística através deste canal.

Os Deolinda ou a Ana Free, que após o anúncio em que participou para a Zon Netcabo, recebe uma média de 3.000 visitas diárias na sua página, são apenas dois bons exemplos de quem conseguiu na Net uma boa rampa de lançamento para chegar às editoras e a um público mais vasto.

“Existe actualmente uma tendência que é clara e que assenta na importância da Net na divulgação de produtos musicais junto do público e dos promotores de espectáculos, criando ainda uma vasta rede de contactos entre músicos”, lembra Luís Campos, sociólogo e investigador do ISCTE (Instituto Superior das Ciências do Trabalho e Empresa), especialista nas áreas da música, cultura e lazer.

No entanto, faz questão de ressalvar, as “editoras continuam a estar fechadas aos novos valores, mantendo a sua actividade muito centrada nas reedições, colectâneas e nos artistas já consagrados”.

“Além disso, em Portugal, os consumidores de música têm limitações de bolsa e só estão dispostos a pagar por aquilo que já conhecem, seja em concertos, seja em CD. Isso já não acontece, por exemplo, em países como o Reino Unido ou a França, onde existe o consumo do desconhecido. Pagam para ir ver uma banda ou um músico que nem conhecem”, acrescenta ainda o professor.

Um estúdio à altura de Madonna

Decidido a fazer a diferença no complicado panorama musical português, o produtor Edgar Pinto (EP) abriu as portas há pouco mais de quatro meses do seu sofisticado estúdio de produções onde pretende receber não só artistas nacionais mas também estrelas à escala mundial.

Um milhão de euros foi o investimento aplicado na sofisticada EP Produções, localizada em Cascais, que está preparada para vários tipos de serviços. “Desde a produção externa, ou seja, o aluguer do estúdio por X tempo a uma banda ou músico que queira gravar o disco, até à produção interna, onde nós criamos o produto desde o seu início até ao final. Isto é, estudamos os conteúdos do produto, o design, a apresentação, divulgação até à venda do espectáculo em si. Também fazemos assessoria artística de quem quer entrar no mundo da música, onde acompanhamos todo o processo, inclusive, na criação das letras ou no arranjo das músicas”, explica Edgar Pinto, que se dedica à produção há 12 anos, tendo passado por países como o Reino Unido, a China e a Espanha, onde viveu durante muito tempo.

Os seus objectivos de rentabilização do espaço vão além do mercado nacional. “Quisemos dotar este espaço com tudo o que há de melhor, mais sofisticado e actualizado ao nível acústico, design e de recursos humanos, para receber artistas nacionais ou estrangeiros. Pessoas como a Madonna, o Sting ou a Nelly Furtado teriam todas as condições aqui para gravar os seus discos”, afiança o produtor.

Um desejo que não parece assim tão impossível depois de se conhecer as instalações da EP Produções. Com a colaboração da Audiodesigner, de Marcelo Tavares, criou-se um estúdio à medida de qualquer género musical, seja este jazz, pop-rock, fado, hip-hop ou outros. E nenhum pormenor foi deixado ao acaso.

“Cada género musical depende de diferentes acústicas e este estúdio está preparado para isso. As madeiras que revestem as paredes em determinados lados do espaço não foram ali colocadas por mero acaso. As fissuras que existem em alguns sítios destinam-se a absorver sonoridades, o xisto que reveste também as paredes tem diferentes alturas para trabalhar as frequências de determinada forma e toda a sala é curva para que o som se possa espalhar de forma homogénea”, especifica Edgar Pinto. O estúdio principal tem ainda um palco e uma tela grande o que permite ainda a feitura de anúncios e «videoclips».

Entre os trabalhos mais recentes da EP-Produções conta-se o genérico do ‘Jornal da Noite' da SIC (gravou-se a música do genérico com instrumentos acústicos, tendo estado presente no estúdio da EP a orquestra do Conservatório de Lisboa) e ainda um tributo ao cantor Ed Sant'Ana, primo e principal influência musical de Edgar Pinto, e que morreu tragicamente num acidente com apenas 39 anos. A colectânea de temas gravados por Ed Sant'Ana está agora a ser divulgado, podendo vir a fazer parte da banda sonora de uma novela de produção nacional.

Apostar na criatividade

Portugal está ainda a dar os primeiros passos no conceito das cidades criativas, mas este movimento à escala mundial está a ganhar uma importância cada vez maior em certos países. Em cidades como Barcelona, Reino Unido ou Berlim, esta classe de criativos — que engloba músicos, artistas plásticos, arquitectos, designers, entre muitos outros profissionais —, está a reformular a relação entre as artes e a economia, criando factores de competitividade e de desenvolvimento sustentável. Por cá, à nossa escala, um dos casos exemplares é a vila de Óbidos que consegue manter uma enérgica actividade cultural durante todo o ano, com as devidas consequências para a economia e turismo local e arredores.

Atento a este fenómeno, o ISCTE (Instituto Superior das Ciências do Trabalho e Empresa) Business School (IBS), em colaboração com o Ministério da Cultura, vai lançar um curso pioneiro e inovador: a Pós-Graduação em Gestão e Empreendedorismo Cultural e Criativo. O lançamento deste curso resulta da adopção, pela União Europeia, da Agenda Europeia para a Cultura, que apela a um esforço de todos os Estados-membros no sentido de promoverem a formação empresarial dos agentes culturais. "O objectivo é articular as artes clássicas às chamadas indústrias criativas. Queremos formar gestores que sejam sensíveis à arte e à cultura. Além disso, pretende-se incentivar a iniciativa privada, dando ferramentas a quem queira desenvolver o seu próprio projecto", resume um dos coordenadores do curso, o professor Luís Martins, que assume essa tarefa em conjunto com a docente Alexandra Fernandes.

Como refere Luís Martins, os candidatos que sejam já licenciados e que queiram, poderão posteriormente avançar para o mestrado. Para aqueles que não possuem licenciatura, com esta pós-graduação ficam como um curso de natureza avançada.

Para assinalar este lançamento, a ISCTE Business School irá atribuir Prémios de Mérito para distinguir os três melhores alunos, iguais a 100%, 75% e 50%, respectivamente, do valor total das propinas. A fase de candidaturas decorre até ao dia 28 de Novembro através do site www.indeg.iscte.pt e as aulas têm início no dia 9 de Janeiro de 2009, em regime pós-laboral, à sexta-feira e sábado.





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