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Tropa dá trabalho

26.08.2005


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Marisa Antunes

OS CURSOS superiores das Forças Armadas registam uma procura de dez a vinte vezes superior ao número de vagas. A tradição familiar, o gosto pela aventura ou o patriotismo fazem parte do leque de motivações dos jovens candidatos, mas não só. A garantia de emprego certo no final da licenciatura ganha uma dimensão aliciante em tempos negros de contabilização crescente de desempregados.


Os prazos de candidatura para os onze cursos do Exército, os seis da Força Aérea e os seis da Marinha já terminaram e, em meados do próximo mês, se saberá quem foram os seleccionados. A concorrência é apertada: para as 150 vagas abertas na Academia Militar do Exército existem 1278 candidatos, na Escola Naval há 71 para 621 interessados e na Academia da Força Aérea inscreveram-se 644 alunos para apenas 36 lugares, a maior parte dos quais destinados ao curso de Piloto-Aviador.

Bismarck de Melo já passou, há muito, por estes momentos de ansiedade. O cadete termina, dentro de dois meses, o curso de Marinha, iniciado em 1999. A média de 14 valores abriu-lhe a primeira porta mas havia um longo caminho a percorrer até à admissão. «É necessário passar por testes psicotécnicos, médicos e físicos (natação, pista de obstáculos e elevações). Depois, durante um mês na Escola Naval, transmitem-nos a vivência na Marinha e testam-nos ao nível da capacidade de liderança», conta o aspirante.

O exame final consiste numa viagem a bordo de um navio da Marinha, com duração de 8 dias, para avaliar a aptidão para a vida no mar.

«O meu avô era oficial da Marinha e eu sempre estive muito ligado ao mar desde pequeno. Comecei a praticar vela e ‘bodyboard' aos dez anos. Mas a garantia de estabilidade, de emprego certo no final do curso pesou, sem dúvida, na minha decisão em seguir a carreira militar», pormenoriza o cadete. E assim vai ser. Bismarck de Melo acaba o curso em Outubro e já sabe que logo em seguida vai para a Madeira onde ficará a fiscalizar as águas da Zona Económica, como chefe de serviço de navegação.

Dos cinco anos que durou a sua licenciatura destaca ainda a camaradagem. «Criam-se laços fortes com os colegas, até porque nos primeiros anos do curso estudamos em regime de internato e são poucos os dias da semana em que podemos ir a casa», recorda.

Uma imposição que muitos não aguentam: «Dos cerca de 80 alunos que entraram no meu ano para os vários cursos, apenas 42 chegaram ao fim. A maioria dos desistentes sentia uma grande dificuldade em aceitar o regime de internato», diz Bismarck de Melo.

Uma regra menos tolerada mas que as Forças Armadas tentam compensar com outras aliciantes: em qualquer um dos três ramos, os alunos estão isentos de pagamento de propinas, têm direito a alojamento e alimentação por conta do Estado, assistência médica e ainda recebem um «soldo» mensal, uma quantia que não difere muito, independentemente do ramo militar.

No Exército, por exemplo, os alunos auferem todos os meses, e durante o primeiro ano, 143,17 euros, no 2.º a quantia sobe para 178, depois para 214, no 4.º ano auferem 286, 715 euros no 5.º, 1383 no 6.º ano e 1541 euros no último (no Exército os cursos de Engenharias e de Medicina duram sete anos).

O tenente Paulo Sousa licenciou-se em Administração Aeronáutica em 2001. Quando entrou no curso, em 1995, conseguiu uma das quatro vagas disponíveis. «Também tinha sido seleccionado para uma universidade civil, em Gestão de Empresas, mas nem hesitei e optei pela Academia da Força Aérea», recorda.

Parte do curso foi tirada no ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão) e a outra parte na Academia, «mais voltada para a vida militar, com disciplinas específicas sobre a cultura aeronáutica ou as técnicas de aviação», conta o oficial.

Além de Administração Aeronáutica, são ainda leccionados na Força Aérea os cursos de Piloto-Aviador, Medicina e as Engenharias Aeronáutica, Electrotécnica ou de Aeródromos.

A Escola Naval oferece aos estudantes os cursos de Marinha, Administração Naval, Fuzileiros, Engenharia Naval (nos ramos Mecânica, Armas ou Electrónica) e Medicina. As médias de acesso são todas superiores a 160 valores, sendo a de Medicina a mais alta com 183,8. Em início de actividade, os oficiais recebem 1414 euros (brutos) no posto de guarda-marinha, e no final da carreira, como vice-almirante, o ordenado bruto sobe para 4088 euros.

No Exército, além dos cursos mais conhecidos como Infantaria, Artilharia e Cavalaria (e que acumulam 52 das 150 vagas), existem também as licenciaturas em Engenharia (Militar e Civil), Administração Militar e GNR (nos ramos de Armas, Administração e Saúde).





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