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Satisfação no trabalho aumenta em Portugal

07.11.2003


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Ruben Eiras

A precariedade laboral induz à aposta na realização profissional


PORTUGAL é o país da UE em que a insatisfação no trabalho decresceu mais na década de 90 - de 25% de trabalhadores insatisfeitos em 1995, este valor caiu para 16% em 2000 (a média europeia é de 20%).

Esta tendência é revelada no último relatório sobre o emprego elaborado pela Comissão Europeia. Ainda segundo este documento, a percentagem de trabalhadores portugueses em empregos de baixa qualidade decresceu em 1995 de (35%) para 30%.

Todavia, em paralelo com este aumento de satisfação no trabalho, os empregos precários e temporários também cresceram no mesmo período.

Com efeito, Portugal agora é o segundo país da UE com a maior força laboral com contratos de trabalho temporários. Além disso, a análise da Comissão Europeia revela que estas modalidades laborais têm um impacto negativo no salário dos portugueses na ordem dos 8%.

E, por sua vez, entre 1999 a 2000, menos de um terço dos trabalhadores portugueses com contratos de duração limitada conseguiram transitar para um emprego permanente.

Então como é que se explica que os portugueses se sintam cada vez mais satisfeitos com o seu trabalho, se a insegurança laboral é cada vez maior?

Para António Mão-de-Ferro, sociólogo e director da empresa de formação Nova Etapa, este comportamento advém, em parte, da quebra de lealdade entre a empresa e o trabalhador.

"Se a empresa está pronta a 'deitar fora' o trabalhador, porque é este, de acordo com a sua conveniência, não se há-de desenvencilhar dela, se isso for do seu interesse?", indaga.

Mobilidade faz bem à mente

Assim, a resposta do trabalhador face à maior precariedade laboral é uma aposta na realização profissional. "Ao investir na satisfação no trabalho a pessoa esforça-se por consegui-la.

Para isso, tem que mudar mais vezes de emprego, o que é para a saúde psíquica do trabalhador - o confronto com problemas não rotineiros exige utilização de conhecimentos e capacidades diferentes das rotinas habituais, implicando um maior desenvolvimento pessoal"
, explica.

A transição gradual para uma economia de serviços também é outro dos factores que pode ter contribuído para o aumento da satisfação laboral dos portugueses.

"O 'boom' na década de 90 de actividades da distribuição, de comércio, de segurança de pessoas e bens originou melhorias qualitativas significativas no trabalho, mesmo quando essa promoção se efectuava para funções de baixo valor acrescentado.

Trabalhar nos serviços é sempre menos penoso do que agricultura"
, refere Amândio da Fonseca, director-geral da Egor.

Aquele responsável também refere que o advento da banca moderna e da sociedade da informação permitiram criar empregos qualitativamente mais satisfatórios para jovens com níveis de qualificação mais elevados.





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