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Salários pouco 'femininos'

04.07.2003


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Ruben Eiras

O FOSSO salarial entre homens e mulheres aumentou em Portugal na década de noventa.


Entre os elementos que compõem a desigualdade salarial entre sexos, em 1985, o facto de ser mulher contribuía em 11% para este "gap" remuneratório. Mas 14 anos volvidos, em 1999, devido ao crescimento da força laboral feminina nas empresas, este valor disparou para 25%.

Esta é uma das principais conclusões de uma recente pesquisa conduzida por três economistas do trabalho: Ana Rute Cardoso, do Instituto para o Estudo do Trabalho (IZA) da Universidade de Bona, Miguel Portela, da Universidade de Tinbergen, e José Vieira, da Universidade dos Açores.

O estudo "Recruitment and Pay at the Establishment Level: Gender Segregation and the Wage Gap in Portugal" foi publicado pelo IZA, uma prestigiada rede de investigação naquela área científica. Os dados utilizados foram retirados do Inquérito ao Emprego do INE.

A equipa de investigadores chegou a este resultado depois de isolar e medir separadamente todas as variáveis que influenciam o nível salarial, como a educação, a experiência profissional e a região geográfica onde se encontra a empresa, por exemplo.

Quando analisaram a composição sexual da mão-de-obra ao nível das empresas, verificaram que entre 56% e 65% era feminina e 20% a 25% masculina. O impacto deste factor nos salários femininos foi negativo: a pesquisa mostra que quanto maior for a concentração de mulheres numa empresa, maior é a retribuição auferida pelos trabalhadores masculinos.

"Este resultado é surpreendente, já que todas as investigações anteriores mostram que noutros países, a feminização do mercado de trabalho leva à depressão dos salários de ambos os sexos", observa Ana Rute Cardoso.

Ao nível do desequilíbrio salarial, os investigadores detectaram que enquanto o subpagamento das mulheres pesa entre 10% a 19% no total do "gap" remuneratório entre sexos, porém, o sobrepagamento dos homens só contribui entre 2% a 4%.

"Ou seja, se a mulher tiver mais colegas de trabalho do sexo feminino, a tendência é para auferir um salário mais baixo do praticado no mercado. O 'gap' salarial não se traduz necessariamente num aumento da remuneração atribuída aos homens"
, explica aquela investigadora.

Quanto às razões subjacentes a este comportamento do mercado, Ana Rute Cardoso sublinha que é necessário aprofundar a investigação, de forma a identificar as preferências "objectivas e subjectivas" dos empregadores portugueses face à forma como remuneram as mulheres.





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