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Salários portugueses mais longe da UE

10.10.2003


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João Barreiros

Os trabalhadores portugueses continuam
a ser mais mal pagos que no resto da Europa


AS diferenças salariais entre os trabalhadores portugueses e os restantes trabalhadores da União Europeia acentuaram-se de forma significativa ao longo dos últimos três anos, sobretudo no que diz respeito ao grupo dos países mais pobres (Grécia, Irlanda e Espanha).

Esta é uma das conclusões a extrair da comparação dos relatórios sobre preços e salários do banco suíço UBS, que recentemente publicou os dados relativos ao ano corrente.

O estudo recolheu elementos sobre os níveis salariais em treze profissões distintas em países de todo o mundo, num total de setenta cidades.

Lisboa, a única cidade portuguesa envolvida, foi a que registou valores mais baixos em todos os pontos da União Europeia considerados: por hora, um madrileno ou um ateniense ganha mais 50% que um lisboeta para as profissões consideradas.

Os parisienses ou os vienenses ganham 100% mais, sendo o topo da tabela ocupado por Zurique, onde os trabalhadores recebem - valores líquidos - quatro vezes mais do que os lisboetas.

No relatório do ano 2000, Lisboa encontrava-se igualmente no final da tabela, mas as diferenças eram muito menos significativas (-10% do que Atenas, -35% do que Madrid).

Os técnicos da UBS não avançam com qualquer explicação concreta para esta diferença, mas verifica-se que as cidades mantêm as suas posições relativas na tabela, o que parece evidenciar uma certa estagnação dos salários em Portugal, contrária à tendência de outros países europeus.

Outro aspecto abordado diz respeito aos valores pagos nos dez países aderentes à União Europeia: o relatório mostra que, mesmo em Praga e em Varsóvia, os salários não chegam sequer a metade dos pagos em Portugal.

Noutras capitais, a diferença é ainda mais significativa, o que ajuda a explicar algumas transferências de produção para estes países.

A análise dos salários cobre treze diferentes ocupações cujo perfil é semelhante nas cidades tomadas para esta amostra.

A UBS procurou que este grupo fosse representativo da força de trabalho na indústria e nos serviços, tendo sido feitos questionários às empresas mais representativas e procurados exemplos similares no que toca a aspectos específicos (experiência na função, estado civil, etc.)

As profissões analisadas foram as seguintes: gestores de produto, chefes de departamento, engenheiros, professores do Ensino Básico, condutores de autocarros, mecânicos, empregados fabris, cozinheiros, operários especializados, bancários, secretárias, assistentes de vendas, operárias fabris.

A UBS avança igualmente com uma análise sobre o número de horas de trabalho anuais nestas setenta cidades, concluindo-se que apenas em Viena (1901 horas) e em Roma (1810) se trabalham mais horas do que em Lisboa (1804). Os reis da preguiça parecem ser os franceses, com apenas 1561 horas de trabalho por ano, menos uma centena do que os dinamarqueses ou alemães.

"Na Europa Ocidental, trabalha-se em média 1757 horas, o que equivale a 20% ou a 52 dias, com base em semanas de 42 horas de trabalho", refere o relatório.

Os asiáticos são, sem surpresa, os que ocupam o topo da lista: em Hong Kong, Taipé, Seul, ou Jacarta, o número de horas de trabalho por ano ultrapassa as duas mil.

Uma das razões adiantadas para este facto é o reduzido número de dias de férias gozados pelos trabalhadores destas cidades - oito em Hong Kong, treze em Taipé, onze na capital indonésia.

De uma forma geral, esta comparação levada a cabo pelo banco suíço acaba por mostrar, com números, as diferenças de que todos têm noção. Um exemplo: "Os professores do ensino básico ganham mais na Suíça do que em qualquer outra parte do mundo. Com um salário bruto de 73 mil dólares/ano, levam para casa mais do que o triplo da média global (22 mil dólares/ano). Os professores mais mal pagos são os de Kiev, Mumbai, Lagos e Moscovo, onde os salários anuais oscilam entre os 700 e os 2 mil dólares".





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