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Rede de oportunidades

O mês de Setembro é um dos mais cruciais no calendário económico e o ideal para investir na rede de contactos, pois são muitas as empresas a recrutar nesta altura. A arte de bem gerir o «networking» faz a diferença
07.09.2007


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Marisa Antunes
Setembro é sinónimo de regresso ao trabalho até mesmo para quem está desempregado. É, pois, o retomar da incontornável tarefa de responder a anúncios, enviar candidaturas espontâneas e investir na principal forma de recrutamento da actualidade: o «networking». Esta altura do ano é mesmo uma das mais propícias para apostar forte na rede de contactos pois são muitas as empresas que estão a definir estratégias, a lançar campanhas de «marketing» e a decidir os seus pacotes orçamentais para o ano seguinte onde se incluem, entre outras, as políticas de recursos humanos seja ao nível de promoções ou reestruturações, mas também de contratações de novos valores.

“As empresas têm várias estratégias de selecção e recrutamento, mas quando é necessário contratar, é natural que os responsáveis falem logo entre si e, neste processo, pode surgir o nome de alguém”, refere Anabela Ventura, «managing director» da DBM Portugal, empresa de «outsourcing».

Líder de mercado, a DBM presta serviços exclusivamente a empresas que foram obrigadas a rescindir com os seus colaboradores, oferecendo-lhes, porém, apoio especializado para a reinserção no mercado de trabalho. Como lembra a responsável, “o «networking» por si só, não é um passaporte de entrada directa para o mercado de trabalho, mas através da construção de relações e da multiplicação de contactos é possível ter acesso a informações que nunca chegam a ser publicadas”. Uma experiência, aliás, comprovada pela maioria dos candidatos a emprego que já passaram pela DBM. “Em quinze anos de existência da empresa, o percentual de quadros que regressa ao trabalho através da rede de contactos tem variado entre os 51 e os 57%”.

Sendo o «networking» cada vez mais fundamental para a conquista de um lugar ao sol, a sua gestão deve ser encarada de forma séria e empenhada. Na DBM Portugal, são efectuados «workshops» específicos sobre esta temática, onde os candidatos recebem formação que se pode vir a revelar essencial para a sua vida profissional. “O primeiro passo assenta na definição clara de objectivos. O candidato tem de decidir o que pretende fazer na próxima etapa de vida profissional. Até pode mudar de área de negócio”, exemplifica a responsável.

A tarefa seguinte passa por uma listagem organizada e o mais completa possível dos contactos que foi reunindo ao longo dos anos. “Todos, desde aqueles que acumulou durante a sua experiência profissional, não só ao nível de colegas de trabalho e chefias, mas também de clientes e fornecedores, por exemplo, até a outros como antigos colegas de universidade, de pós-graduação ou MBA”, acrescenta. Quanto maior for a rede de contactos, maior a probabilidade de se ser bem sucedido. “É claro que um comercial conhecerá mais pessoas que um informático, mas qualquer pessoa conseguirá reunir pelo menos 20 contactos na sua agenda”, lembra Anabela Ventura.

Uma vez feita a listagem está na hora de “passar à acção”. “Há uma técnica para fazer o contacto adequadamente e de forma a que possa ser repetido mais tarde. Acima de tudo, não se pode ser maçador ou incómodo”, lembra a responsável da DBM. Acima de tudo deve imperar o “bom senso, a adequação e o rigor profissional”. “Se é referido que se deve voltar a contactar na quinta-feira da próxima semana às 16 horas, isso deve ser cumprido. Nem antes, nem depois”, exemplifica a especialista. A forma de abordar também é diferente consoante o grau de proximidade que se tem com as pessoas. “Se calhar justifica-se um almoço ou um jantar com um colega dos tempos da universidade que já não se vê há muito tempo, mas isso já pode não ser apropriado se o contacto estabelecido envolver um antigo cliente com quem não se tem muita intimidade”, reforça.

Anabela Ventura sublinha ainda que o «networking» é não só colher “mas também plantar”: "É partilha. É não só falar mas também ouvir, é trocar experiências, conselhos e sugestões. E não deve ser esquecida a partir do momento em que se arranja trabalho pois nunca se sabe quando será necessário voltar a recorrer à rede de contactos”.

Manual de Gestão

1. Encare a sua rede de contactos como um poderoso instrumento de gestão de carreira
2. Use a sua rede de contactos para recolher informação sobre empresas, funções, decisores, oportunidades, riscos e desafios
3. Coloque-se numa postura de partilha de informação, troque e não peça
4. Desenvolva a capacidade de escuta, saber ouvir é uma chave de sucesso
5. Evite iniciar os seus contactos antes de ter definido bem objectivos e necessidades de informação
6. Prepare cuidadosamente o guião e envolva os seus contactos
7. Trabalhe cuidadosamente a sua auto-apresentação
8. Comece pelos contactos de maior confiança e proximidade
9. Prepare cuidadosamente uma folha de registos, planifique e controlo
10. Tenha bom senso e não pressione
11. Seja pró-activo

Fonte: DBM Portugal





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