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Privado só criou 0,8% de emprego

26.09.2003


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Ruben Eiras

O SECTOR privado só criou 0,8% de emprego na década de 90.


De acordo com os dados do Employment Outlook 2003, elaborado pela OCDE, entre 1991 e 2001, quase 33% do crescimento do emprego localizou-se nas organizações tuteladas pelo Estado.

Valores que mostram a divergência do mercado laboral com a tendência prevalecente na UE e na OCDE.

Com efeito, no mesmo período, na Europa cerca de 11% do emprego foi criado no sector empresarial e verificou-se uma quebra nos postos de trabalho públicos de -1,6% (ver infografia).

Por sua vez, na OCDE, a média foi de 17,1% e 6%, respectivamente. E em países onde o aumento do emprego público foi significativo (como a Irlanda, com 19%), essa tendência foi acompanhada de m forte crescimento dos postos de trabalho no sector privado.

Confrontado com este panorama, Luís Pais Antunes, secretário de Estado do Trabalho e Formação, não se mostra surpreso, referindo que "a estratégia dos governos anteriores em matéria de sustentabilidade do emprego consistiu em engordar a administração pública e não em estimular a economia".

"Desastre" estatístico

Todavia, José Ernesto Cartaxo, do gabinete de estudos da CGTP-IN, argumenta que os dados nos quais a OCDE se baseia para efectuar os cálculos são um "desastre", pois não são rigorosos estatisticamente.

Segundo aquele especialista, a fonte mais fiável para inferir o volume real da administração pública em Portugal é o número de inscritos na Caixa Geral de Aposentações. "Em 1991, havia cerca de 665.200 inscrições e em 2001 este valor era de 771.200. Por isso, o crescimento foi de 16%", explica.

José Ernesto Cartaxo salienta que o empolamento do valor do crescimento do emprego público é devido à reorganização estatística ocorrida em 1996 - que passou a classificar como funcionários públicos determinados ramos das forças armadas e de segurança pública - e à regularização da situação precária de 100 mil trabalhadores do Estado nesse mesmo ano.

"O resto do aumento de postos de trabalho deve-se ao investimento estatal na criação da rede pré-escolar, à estrutura de gestão do rendimento mínimo garantido, à criação de novos hospitais e à transferência de alguns poderes da administração central para a local", esclarece.

Não obstante, o economista da CGTP-IN reconhece que, apesar de todas estas atenuantes, o emprego público cresceu desmesuradamente face à "performance" do sector privado.

Luís Pais Antunes admite que Portugal tem seguido o caminho errado em termos de estratégia de emprego, mas que o actual governo pretende inverter a situação.

"As entradas na administração pública já diminuíram e é fundamental que o Estado gaste menos, para tributar menos e as empresas possam criar mais emprego", realça.





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