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Pobres e mal pagos

Cerca de 40% dos trabalhadores portugueses sobrevive com 600 euros por mês
15.06.2009


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Marisa Antunes
Cerca de 40% dos trabalhadores portugueses (por conta de outrem) ganham um salário líquido inferior a 600 euros e apenas 12,4% conseguem levar para casa um rendimento acima dos 1200 euros. As conclusões retiradas das Estatísticas do Emprego do INE para o 1º trimestre deste ano levam o economista Eugénio Rosa, especialista do Gabinete de Estudos da CGTP-IN a alertar para os perigos da “teoria da redução de salários para enfrentar a crise, pois isso só determinaria uma maior quebra na procura e a subida acentuada dos incumprimentos nos pagamentos”.

“Além de ser socialmente inaceitável e moralmente injusta, só iria agravar ainda mais esta crise que o país enfrenta”, sustenta o economista, acrescentando que “o modelo económico português baseado em baixos salários continua a persistir e não registou qualquer alteração significativa nos últimos anos”.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, no 1º Trimestre de 2009, um milhão e 577 mil trabalhadores por conta de outrem, ou seja, 40,6% do total de trabalhadores (que é de três milhões e 884 mil) tinham um salário líquido inferior a 600 euros por mês. Apenas 483.100 ou seja, 12,4% do total, recebiam um salário líquido mensal superior a 1200 euros por mês. Os que recebiam mais de 1800 euros por mês eram apenas 3,8% do total.

Os números revelam ainda que a região Norte é a mais massacrada pelos salários baixos, com praticamente metade da sua população activa a auferir 600 euros por mês. “As disparidades salariais entre as várias regiões do país continuam a ser grandes”, realça o economista. Assim, a percentagem de trabalhadores por conta de outrem a receber um salário inferior a 600 euros era de 49,7% na região Norte, de 45% na região Centro, de apenas 25% na região de Lisboa, de 42,7% na região do Alentejo, de 33,5% na região do Algarve, de 55,3% na região autónoma dos Açores; e de 44,4% na região autónoma da Madeira.

A região de Lisboa é, assim, a mais favorável em termos de remuneração para os trabalhadores e pode mesmo dizer-se que bate recordes ao atingir os 21% de profissionais a ganhar mais de 1200 euros. A média nacional é bem mais baixa e está fixada nos 12,4%. No Norte são cerca de 9,9% de profissionais desta categoria salarial, 6,7% no Centro, de 9,7% no Alentejo e 10,6% na região algarvia. A ganhar mais de 900 euros mas menos de 1200 estão 400.400 trabalhadores (10,3%), entre os 1200 e os 1800 euros são 335 mil (8,6%), de 1800 a menos de 2500 euros chegam aos 101,400 (2,6%) e mais de 3000 euros pouco mais de 23 mil (0,6%).

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