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O triunfo dos 'chips' e 'bytes'

01.08.2003


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Cátia Mateus

Começou com uma empresa, hoje têm três e 'caminha' para a Bolsa. Mil contos bastaram a Miguel Monteiro para criar o seu império







BI empresarial



DAS HORAS gastas no curso de Matemáticas Aplicadas retirou o rigor e o método. Da sua vivência enquanto descendente de comerciantes herdou o gosto pelos negócios. Temperou a receita com a sua "paixão" pelas tecnologias e encontrou no "boom" da internet a oportunidade ideal.

Já lá vão nove anos desde que a partir de um pequena loja de 15 m2, num centro comercial decadente da cidade Invicta, Miguel Monteiro resolveu lançar-se no mundo empresarial.

Criou a Chip7, uma empresa de venda de material informático. Não investiu no negócio mais de cinco mil euros e o curso superior ficou para trás. Das ameaças fez oportunidades e no ano passado, com as três empresas que lidera facturou 45 milhões de euros.

Aos 35 anos Miguel Monteiro garante que a vida de empresário é um jogo angustiante. Mas assegura, "o melhor aliado é o medo. É nele que ganhamos forças para ultrapassar as barreiras".

Miguel Monteiro cedo compreendeu que a sua vida profissional passaria pela criação da própria empresa. Esclarece que "uma pessoa só se realiza e só brilha quando gasta o seu tempo numa coisa que gosta de fazer".

Com base neste pressuposto não será difícil entender a opção do jovem empreendedor em deixar para trás a universidade ainda que faça questão de frisar que "não é que desvalorize o conhecimento que se adquire na universidade, acho que ganhei rigor e método no curso que frequentei, mas sem dúvida não era aquele o meu caminho". E se bem o pensou melhor o fez.

Em 1994 criou a sua primeira empresa a Chip7. "Realiza-me vender e por isso, aliando esse prazer ao gosto que sempre tive pela tecnologia, criei uma loja de material informático que dava também assistência técnica", relembra. Investiu o que havia ganho a dar aulas de matemática e confessa que na altura não foram muitos os que acreditaram no seu projecto. Ainda assim, garante, "acreditei eu, e foi o suficiente!".

Trabalhava todos os dias de manhã até à meia noite, um esforço que assegura foi largamente recompensado pelo sucesso do seu projecto.

A Chip7 rapidamente ganhou expressão no mercado, mas as ameaças começaram a surgir. "Na altura começaram a abrir muitas lojas de informática e eu percebi que de alguma forma poderia perder terreno", explica.

Foi nesse momento que, face à ameaça, Miguel Monteiro resolveu adicionar um outro ingrediente à sua receita de sucesso: "lancei-me na revenda. Abri um armazém que é hoje a minha maior empresa, a Introduxi".

Ameaça gera nova oportunidade


A necessidade gerou a oportunidade e alguns anos mais tarde acaba por criar também uma empresa especializada na criação de "websites", a seara.com .

Diz Miguel Monteiro que o mundo empresarial é um jogo. "Há dificuldades, vitórias, derrotas, estratégias e muitas expectativas", confessa. "É angustiante e sofre-se muito com o peso constante da possibilidade de fracasso, mas é isso que tempera o negócio", explica.

Para o empreendedor, "é este receio de perder, esta insegurança, que nos faz mover montanhas para triunfar".

Juntas, as três empresas dão emprego a 150 trabalhadores em regime directo e cerca de 20 subcontratados. Com escritórios e armazéns espalhados por várias cidades do país e também com uma implantação forte na comunidade virtual, as empresas renderam no ano passado qualquer coisa como 45 milhões de euros.

O empreendedor nortenho avança que o seu "império" está em franca expansão e que "este ano é o ano de maior investimento de sempre".

Garante que não é o "super-homem" e minimiza o facto de estar a agir em contraciclo com a actual conjuntura económica, "faz parte, dada a ambição que temos fazer este tipo de investimentos, nesta altura".

Uma ambição que passa pelo "sonho" da internacionalização mas também pela entrada das empresas na Bolsa. Está já em processo de criação a "holding" Avantport que agrupará a Chip7, a Introduxi e a Seara.com.

Mas para Miguel Monteiro esta é apenas parte do percurso "tenho de triplicar o volume de facturação das empresas para ter condições de entrar para a Bolsa".

Assegura que "não é fácil gerir todas estas empresas, ocupa muito tempo e talvez por isso o meu maior hóbi seja o meu trabalho". Miguel Monteiro afirma que a sua grande dificuldade sempre foi a questão do capital.

Nunca recorreu a subsídios - "porque nos obriga a ceder em relação a prazos e limita muito o projecto" - e afiança que "temos ganho muito dinheiro, mas é todo investido na expansão da empresa". Para o empreendedor, "uma empresa que se auto-financia é uma excelente garantia para a banca e para os funcionários".

Sem deslumbros, este "self-made man" distingue sonhos de projectos com a perícia de quem diariamente coloca um traço vermelho nos objectivos de vida já alcançados. "Um sonho é a visão que persigo, alimenta-me mais do que um projecto. Invisto muito nos sonhos".

Um investimento que explica o facto de passar uma semana por mês em Londres com o objectivo de criar as bases para uma aposta além-fronteiras. "Um negócio tem muito de cultura e por isso quando chegar a altura da internacionalização já não estou a zero. Estou já a trabalhar para construir um modelo mental de negócio além-fronteiras. Trata-se de ir atrás da realização de um sonho", sorri.




BI empresarial

Nome: Chip7, Introduxi e Seara.com

Ano de criação: 1993 (da primeira empresa)

Responsável: Miguel Monteiro, 35 anos

Áreas de actuação: venda e distribuição de material informático, assistência técnica e construção de websites.

Investimento inicial: investiu cinco mil euros na criação da Chip7, a primeira empresa a ser criada e da qual decorreu a criação das restantes empresas

Principais clientes: particulares e empresas

Postos de trabalho criados: 150 directos e cerca de 20 subcontratados

Lema: «Coloque a carroça à frente dos bois!», ou seja, para alcançar o sucesso é necessário muitas vezes colocar o desafio em prática antes mesmo de estarem reunidas as condições para tal, apenas porque sabemos que vamos conseguir criar as condições. Ir a reboque do que já se fez não é a solução!

Objectivos: Entrar para a Bolsa - estando já em processo de criação a «Avantport». a «holding» que deverá agrupar as várias empresas do grupo - e, a médio prazo, avançar rumo à internacionalização.

Valores fundamentais: Uma empresa vale pela equipa que tem. A motivação da equipa é um dos pilares que sustenta o sucesso de um negócio.

Conselhos: O empreendedor deve valorizar mais a sua capacidade e o que acha que consegue, (as variáveis que controla (determinação, dedicação, criatividade...) do que o negativismo geral e as variáveis externas, as que não controla. Quem se propõe criar uma empresa aceita à partida o desafio de perder, mas também deve sentir que está nas suas mãos sair como vencedor.





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