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Nova forma docentes do ensino secundário

01.08.2003


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Manuel Posser de Andrade

O primeiro curso de formação em tecnologias da microelectrónica deu a conhecer aos docentes do secundário novos métodos de ensino







Avaliação excelente



ESTABELECER uma ponte entre o conhecimento leccionado no ensino superior e no secundário, nomeadamente nas áreas científicas, é uma tarefa cada vez mais necessária:

as universidades e politécnicos estão na vanguarda dos mais recentes avanços científicos, tecnológicos e de investigação, enquanto no secundário é cada vez mais crucial proceder à reciclagem de conhecimento dos docentes por forma a estarem actualizados com os novos paradigmas.

Colmatar esta lacuna foi um dos principais objectivos do 1º curso de formação em tecnologias da microelectrónica, uma iniciativa que surgiu no âmbito dos programas de formação de professores do Ministério da Educação (PRODEP III) em conjunto com o Departamento de Ciência dos Materiais da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova.

Intitulada "A microelectrónica e os materiais da electrónica no ensino secundário", esta acção que contemplou 17 docentes do Secundário da área da Física e da Electrónica, proveniente de instituições de ensino em Lisboa, Óbidos e Entroncamento e realizou-se durante o período de 11 a 16 de Julho.

Ao longo deste tempo, os formandos tiveram a possibilidade de projectar, simular, construir, testar e encapsular um fotodíodo de junção, com o objectivo de tornar as suas aulas mais práticas.

"O facto de ser utilizado um fotodíodo feito pelos próprios professores motivará um maior interesse dos alunos que não aconteceria, caso fosse usado um fotodíodo adquirido numa loja normal de componentes electrónicos", refere Elvira Fortunato Professora Associada do CENIMAT-Departamento de Ciência dos Materiais da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e responsável pela formação.

As tecnologias utilizadas no fabrico dos fotodíodos de junção são comuns a todos os dispositivos da electrónica incluindo circuitos integrados, por exemplo microprocessadores.

O fotodíodo é um dispositivo utilizado, de igual modo, na optoelectrónica como sensor óptico ou ainda como uma célula fotovoltaica.

"A avaliar pela opinião expressa pelos alunos, o curso excedeu todas as expectativas, uma vez que tiveram oportunidade de contactar pela primeira vez com tecnologias que desconheciam existir em Portugal
". referiu, por seu turno, Rodrigo Martins, professor Catedrático da FCT-UNL, acrescentando que "neste campo específico, o ensino secundário está bastante desactualizado pois no passado, esta formação não era dada ao nível universitário e a única licenciatura que lecciona há mais de 10 anos a componente prática da microelectrónica é a licenciatura em Engenharia dos Materiais da Universidade Nova".

O curso englobou inicialmente algumas noções teóricas e, de seguida, repartiu-se por áreas práticas:

Uma vez que este tipo de tecnologias exige infra-estuturas bastante dispendiosas (câmaras limpas e outras) a única forma de dar formação é através de visitas de estudo ou vídeos.

"Depois da formação, os professores podem definir com os alunos casos específicos de demonstradores que podem ser desenvolvidos e analisar a sua funcionalidade nas aulas de uma forma muito mais pedagógica. Uma coisa é ler, estudar e ensinar outra, é fazer e depois ensinar", salienta Elvira Fortunato.

Segundo os responsáveis do Departamento da Ciência dos Materiais da UNL, face ao empenhamento, motivação e interesse demonstrado pelos docentes do secundário, nos próximos anos vão continuar a participar neste tipo de iniciativas, com novas edições deste curso e abrindo novas formações para docentes do secundário, nomeadamente "Utilização de Energias Renováveis-Fabrico de Células Solares"; "Tecnologia de Mostradores a Cristal Líquido", "A Microelectrónica aplicada ao fabrico de dispositivos MOS"; "A Microelectrónica e as tecnologias de Fabrico de Sensores".

Para os nossos interlocutores, a criação de um curso terminal de Engenharia na área da microelectrónica e computação, para a actualização de conhecimentos dos Engenheiros Electrotécnicos e de Telecomunicações, é outro objectivo.




Avaliação excelente

UMA unidade bem organizada que registou grandes progressos nos últimos anos", refere um relatório de avaliação do Departamento de Ciência dos Materiais Faculdade de Ciências e Tecnologia Universidade Nova de Lisboa (CENIMAT), referente a 2002.

Este departamento recebeu a nota máxima de 5 (Excelente), por uma comissão internacional de avaliadores externos, seleccionados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O relatório elogia vários aspectos, como a boa gestão de fundos, a "vasta área de actuação em termos de investigação" e o "bom espírito de comunidade".

São, ainda, referidas as várias colaborações com empresas ao nível industrial, como a Siemens, a EPCO, a Autoeuropa, Akzo Nobel, entre outras.

Por seu turno, o elevado número de patentes importantes registadas ao nível de protótipos, particularmente na área da Optoelectrónica, contribuem para o sucesso deste departamento.

A nível de investigação de excelência, as principais áreas são os materiais poliméricos e mesomórficos, materiais electrónicos e optoelectrónicos e materiais estruturais.





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