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O estigma que trava a empregabilidade

O estigma que trava a empregabilidade

Portugal é o terceiro país europeu com maior taxa de desemprego jovem. Para os especialistas, a formação profissional pode ser parte da solução. Mas ao contrário de outros países europeus, em Portugal a escalada do desemprego entre os profissionais com formação superior não foi suficiente para atrair os jovens para o ensino profissional. Ainda há estigmas que travam a empregabilidade.

01.07.2016 | Por Cátia Mateus


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“Existem mais de 23 milhões de cidadãos desempregados na Europa, dos quais 4,5 milhões são jovens. Por outro lado, há mais de 400 mil vagas de trabalho por ocupar na Europa, entre as quais 300 mil para empregos altamente especializados”. É Margarida Segard, diretora adjunta do Grupo ISQ, a entidade que é especialista em serviços de inspeção e formação e que assegura a vice-presidência da European Association of Institutes for Vocacional Training (EVBB), quem traça o cenário. Para a diretora-adjunta do Grupo ISQ, a formação profissional pode ter um papel relevante na inversão deste cenário de desajustamento se se combaterem alguns estimas ainda existentes. A especialista relembra que “Portugal é o terceiro país europeu com maior taxa de desemprego jovem (depois da Grécia e Espanha)” e reforça que há ainda muito a fazer para minimizar este fenómeno que nos últimos anos foi agravado pela crise.

“O desemprego jovem é um flagelo económico e social, com enormes custos para para o nosso país, para cada Estado membro e para a Europa, em geral”, realça Margarida Segard ao mesmo tempo que diz acreditar a formação profissional é parte da solução para este problema. Nos últimos anos, a EVBB – que integra membros de 28 países e tem por missão a defesa da formação profissional europeia de excelência, visando mais competências, mais integração e maior competitividade - e o ISQ, que é vice-presidente da associação europeia, têm batalhado para reduzir o desemprego jovem na Europa e em Portugal, com tipologias de intervenção diferentes que se cruzam e convergem para os mesmos objetivos. “No ISQ e na EVBB acreditamos que a boa formação profissional é parte da solução para o desemprego jovem”, explica a diretora-adjunta.

Anualmente, o ISQ forma cerca de 15 mil profissionais nas várias regiões do país, incluindo as autónomas. O perfil destes profissionais está longe de ser homogéneo. “Estamos orientados para a aquisição de competências e de conhecimentos práticos, úteis, experienciais, com modelos hands-on, e fazemo-lo para todos os tipos de público. É essa a nossa missão”, afirma. Do leque de cursos disponíveis no ISQ estão desde ações de curta duração que vão desde o nível 2 ao nível 7 do EQF (European Qualification Framework), ou seja, desde um nível muito técnico e operacional até cursos de pós-graduação em áreas de Gestão (de Manutenção, Qualidade, Ambiente, Segurança, Laboratórios, Eficiência Energética, Soldadura).

O grupo tem cursos para trabalhadores operacionais e executivos, com distintos níveis de senioridade. O seu foco é a qualificação dos profissionais e a sua empregabilidade. E para Margarida Segard este é também o propósito da formação profissional enquanto conceito. “Os percursos de educação e de formação, quer de desempregados quer dos cidadãos empregados têm de responder às necessidades de cada empresa e à estratégia crescimento de um país”, argumenta. Segundo a especialista, “a Indústria e os Serviços portugueses e europeus precisam de técnicos, operadores, peritos e gestores qualificados e especializados. Portugal e os restantes países europeus necessitam de competências e qualificações inovadoras que potenciem a competitividade, a inclusão e o desenvolvimento sustentável”.

Mas dar estas respostas ao mercado, exige que a oferta de formação profissional seja “bem desenhada, que os cursos sejam pensados para o futuro, orientados para a inovação empresarial e mercados exigentes, estruturados em unidades de competências flexíveis e dinamizados em ambientes de formação prática (laboratórios, workshops ou em empresas) e por formadores/consultores com qualificações elevadas”, explica. Há áreas de formação que têm vindo a captar um interesse crescente por parte das empresas e, consequentemente, a garantir boas taxas de empregabilidade, como sejam a soldadura, electrónica e automação, robótica, telecomunicações, manutenção e segurança, equipamentos de elevação, controlo de qualidade, ensaios não destrutivos e metrologia, energia, eficiência energética e sustentabilidade, as chamadas “green skills”.

Apesar de reconhecidas as boas taxas de empregabilidade dos cursos de formação profissional, que em muitos casos rondam os 80%, Margarida Segard reconhece que Portugal não segue a tendência europeia e o aumento dos níveis de desemprego nacionais não aproximou os jovens do ensino profissional. “Ainda temos na sociedade portuguesa o estigma errado de que ‘a licenciatura é que é’. A formação profissional ainda é vista como uma via só para alguns, o que é uma visão distorcida da realidade, do mundo empresarial e das suas necessidades reais e das oportunidades de emprego existentes no mercado”, conclui.



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