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Na era do e-learning

O «e-learning» está a entrar nos hábitos de formação das empresas portuguesas.Além dos custos mais baixos, esta metodologia aplicada através da Net permite abranger um grande número de pessoas, mesmo quando estão dispersas geograficamente
12.07.2007


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Marisa Antunes
Tradicionalmente um país que acompanha vagarosamente os novos conceitos, métodos e ferramentas de gestão que vão surgindo no mundo empresarial, Portugal não foge à regra em relação à adesão ao «e-learning». Mas, devagar, devagarinho, as empresas nacionais, um pouco a reboque das multinacionais, como já vem sendo hábito, vão finalmente aderindo à formação «on-line» para os seus colaboradores. O «e-learning» permite, através da transmissão de informação em formato electrónico e da Net, ensinar à distância, possibilitando uma formação contínua e ajustável às necessidades do mercado.

“Para lá de uma forma de organização da formação, o «e-learning» é um facilitador de processos que permite encontrar nas suas potencialidades a resposta adequada a cada situação, contexto e pessoa. O conceito de «e-learning» tornou-se maior que o mesmo, e a noção de tempo, espaço, multimédia, web, autonomia, assumem novos contornos que se cruzam com ferramentas novas em noções e práticas antigas”, reforça ainda Filomena Marques, directora de «e-learning» na Academia de Software.

Aqui, os cursos são constituídos por várias unidades de conhecimento, recorrendo a um manual interactivo e aulas virtuais, aos quais se associam testes de verificação dos objectivos de aprendizagem, o que permite ao formando e ao tutor a noção do percurso apreendido. Na prática, o «e-learning» define o conceito de formação totalmente à distância, enquanto que o «Blendend Learning (b-Learning)» assenta numa formação que combina as aulas virtuais com uma componente presencial por parte dos tutores.

Na Vodafone Portugal, o recurso a esta metodologia começou em 1999 com a disponibilização de um conjunto de cursos «on-line» na área da micro-informática. Em 2004, a multinacional de telecomunicações, consciente das vantagens deste tipo de formação, adquiriu uma plataforma de «e-learning» que disponibilizou a todas as empresas do grupo. Como realça a directora de recursos humanos da Vodafone Portugal, Cecília João Bom, “o e-learning não só permite aumentar a rapidez de resposta face ao mercado e abranger um vasto número de pessoas dispersas geograficamente num curto espaço de tempo, como ainda proporciona soluções de aprendizagem flexíveis a diferentes necessidades da organização, com custos de formação mas reduzidos”.

O Instituto Formação Prisma, que se dedica a formar quadros médios e superiores das empresas em áreas como gestão de projectos e tecnologias de informação e que é também responsável pela formação da Vodafone, coloca à disposição dos seus formandos conteúdos previamente elaborados, devidamente direccionados para responder a um conjunto de objectivos pedagógicos. “O formando inscreve-se, frequenta o seu curso e este processo pode ser suportado por tutores e por sessões de grupo, glossários, fóruns, bibliotecas, etc. A progressão do formando é registada e emite-se um conjunto de relatórios que deverão ter sido planeados para servir as métricas inicialmente desejadas. Além disso, os cursos devem ter avaliação, intercalada e/ou final. O formando poderá receber um certificado”, resume Sónia Gonzaga Rosa, directora-geral do Prisma.

Na Vodafone, quando se trata de apoiar o lançamento comercial de novos produtos e serviços, os cursos disponibilizados são pontuais e específicos, pormenoriza Cecília João Bom. Nos casos em que a realização de cursos implica uma certificação, os mesmos têm que ser realizados periodicamente. Em paralelo, existe um catálogo de cursos disponíveis para todos os colaboradores Vodafone, que os podem realizar de acordo com as recomendações da empresa ou das suas necessidades pessoais ou profissionais (saúde e segurança, qualidade, tecnologias, micro-informática, «business skills»).

A duração dos cursos é variável e depende do grau de especificidade dos conteúdos. Na Academia de Software, por exemplo, os níveis médios de tempo para a realização de cursos de formação a distância rondam as 45 horas para cursos de aperfeiçoamento ou aquisição de uma competência específica, podendo ter uma duração mais elevada em cursos de formação avançada. “O «e-learning» assume terreno pela flexibilidade e autonomia que permite no processo de aprendizagem, colocando barreiras como o tempo e o espaço em segundo plano”, frisa Filomena Marques, que acumula também a direcção da Eforgest, empresa na área da educação e formação de recursos humanos.

A directora do Instituto Prisma destaca ainda outras vantagens: “A capacidade de desmultiplicar o investimento associado à dispersão geográfica e à quantidade de utilizadores a formar, uma das características que mais associam a grande utilização do «e-learning» — e que ainda se verifica — pelas empresas de maior dimensão, tais como as multinacionais”. Mas não só. Como sublinha Sónia Gonzaga Rosa, também os grupos bancários começaram a aderir a este serviço, estando ainda o «e-learning» a dar os primeiros passos em outros segmentos como o do retalho.

Mas existe um senão: “Já encontramos projectos de média dimensão no nosso país e encontramos ainda, por parte das empresas, interlocutores cada vez mais ‘instruídos', o que é sempre agradável para quem de facto percebe do que fala. A outra tendência que registamos, no entanto, é a tendência para ‘cortar' investimento na realização dos conteúdos. Ora isso pode tornar-se num erro sério, porque a motivação e a aprendizagem não vivem da infra-estrutura, vivem dos conteúdos”.

Segundo a especialista, existem dois países muito avançados nesta matéria: o Reino Unido e a Alemanha, logo seguidos da França e da Itália. “Os nossos vizinhos espanhóis registam também uma excelente adesão (basta ver as feiras de «e-learning» que se realizam em Madrid). Mas estes países não se distanciam de Portugal apenas pela utilização frequente do «e-learning»; eles distanciam-se acima de tudo por encararem o «e-learning» e a infra-estrutura que lhe está associada como uma ferramenta de «knowledge management»”, remata a responsável do Instituto Prisma.





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