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MIT forma cérebros em Portugal

Para os cerca de 250 inscritos nos programas de doutoramento do MIT-Portugal as perspectivas de trabalho são muito optimistas
12.12.2008


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Cátia Mateus
Está na primeira linha de excelência da ciência e tecnologia, da inovação e investigação. O Massachusetts Institute of Technology (MIT) gera receitas anuais que ultrapassam os 230 mil milhões de dólares, provenientes das cerca de 4000 empresas que trabalham em parceria com o instituto, através das quais são recrutadas mais de um milhão de pessoas. Presente no nosso país há dois anos, naquela que foi a maior iniciativa do instituto a nível europeu, o MIT-Portugal integra-se no ‘choque tecnológico', uma das principais bandeiras do Governo. Desde quarta-feira e até hoje o MIT marca presença na Futurália, o maior evento nacional de educação e formação que está a decorrer na FIL, no Parque das Nações.

A entrar numa nova etapa, depois dos primeiros dois anos dedicados à preparação e consolidação das valências no mundo académico, o MIT-Portugal aposta forte em 2009 para reforçar as parcerias junto das empresas do sector industrial.

“O programa MIT tem dois objectivos fundamentais: formar líderes em Portugal, e em áreas novas. E que essa formação seja feita em colaboração com empresas, sejam elas nacionais ou estrangeiras”, resume Paulo Ferrão, coordenador nacional do programa MIT-Portugal e director do centro para a Inovação, da Universidade Técnica de Lisboa.

Esta envolvência abrange, para já, cerca de 40 empresas nacionais e estrangeiras. Um número que se pretende aumentar de forma a tornar auto-sustentável o programa que conta com um orçamento estatal de 35 milhões de euros.

A britânica Rolls-Royce é uma das mais recentes empresas afiliadas que irá trabalhar em estreita cooperação com o MIT-Portugal. Carla Pepe (foto de capa), engenheira licenciada pelo Técnico, foi a escolhida para ali fazer o seu estágio profissional, depois de 18 meses a frequentar o programa de doutoramento na área de Design de Engenharia e Processos de Fabrico Avançados (EDAM).

Após uma experiência profissional de três anos ligada à indústria automóvel e aeroespacial, Carla começou a “querer mais”: “Já tinha competências técnicas mas achava que deveria enriquecer a minha formação ao nível da gestão de projectos e surgiu a oportunidade para concorrer a este doutoramento, que é o ideal para os meus objectivos pois permite-me conjugar a parte académica com a empresarial”.

Na fábrica da Rolls-Royce, em Derby, a 200 quilómetros de Londres, Carla aplicará a metodologia Lean, focalizada em reduzir ao máximo o desperdício na fase de desenvolvimento do produto.

Uma perspectiva de trabalho que se enquadra precisamente na filosofia do programa MIT, segundo Paulo Ferrão: “O nosso grande objectivo é aumentar as funcionalidades dos sistemas. E as principais empresas já perceberam que para vencer a crise devem ter produtos novos, inovadores, o que implica mais investimento em I&D, não só ao nível dos produtos mas também dos sistemas”.

Com uma equipa de 40 professores de todas as faculdades do MIT, o programa em Portugal engloba, além do EDAM, mais três áreas focais de ensino, nomeadamente Sistemas Sustentáveis de Energia, Sistemas de Transporte e Sistemas de Bioengenharia.

É em Bioengenharia que Rui Tostões, licenciado em Química, com média de 16, pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Nova, espera vir a desenvolver os seus conhecimentos naquela que considera ser um grande arranque para a sua vida profissional.

Já a partir do próximo ano, Rui prepara-se para se instalar durante 18 meses no coração do MIT, em Boston, onde irá trabalhar com Daniel Wang, um dos professores de topo do instituto na área de Bioengenharia. “O professor Wang já tinha sido meu professor em Estudos Avançados e ele é, basicamente, o pai da biotecnologia tal como a conhecemos. Trabalha há muitos anos nesta área e tem muitas ligações à indústria. Esta é, sem dúvida, uma grande oportunidade”, sublinha o jovem.

Rui Tostões e Carla Pepe fazem parte de um universo de quase 250 inscritos nos programas do MIT-Portugal (114 em 2007 e mais 124 este ano), estando já abertas as candidaturas dos próximos PhD, até 28 de Fevereiro. Jovens que Paulo Ferrão espera ver integrados nas empresas portuguesas. "Nós queremos formar cérebros. Espero depois que as empresas nacionais tenham capacidade para desenvolver projectos suficientemente interessantes para que eles continuem a trabalhar em Portugal", remata ainda o responsável.





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