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Jovens profissionais com emprego assegurado

Jovens profissionais com emprego assegurado

O otimismo impera no setor das Tecnologias de Informação e Comunicação, em matéria de recrutamento. De acordo com um inquérito às intenções de contratação, realizado pela empresa de executive search MRINetwork Portugal, este é mesmo o segmento nacional onde as empresas mais manifestam intenção de contratar novos quadros. Mas para os profissionais séniores o caminho pode não ser tão fácil.
25.06.2010 | Por Cátia Mateus


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2010 pode ser um ano forte para a área das Tecnologias de Informação. De acordo com o Hiring Survey , um inquérito às intenções de contratação das empresas que operam em território nacional, realizado semestralmente pela empresa de executive search MRINetwork Portugal, “as empresas de TI's lideram as intenções de contratação em 2010”.
Cerca de 52% das empresas do setor das TI's perspetiva manter o seu número de postos de trabalho e 42% das inquiridas pelo 64º Hiring Survey, fala mesmo em aumentar o número de contratações. Setorialmente, nesta área de atividade as empresas com ambições de recrutamento centrarão os seus esforços em captar, sobretudo, os melhores profissionais para áreas técnicas. Uma tarefa que pode acarretar algumas dificuldades. Segundo Ana Luísa Teixeira, managing director da empresa em Portugal “neste setor da TI dividem-se em percentagens iguais (43%) as empresas que perspetivam vir a ter alguma dificuldade e as que não vislumbrar quaisquer entraves em encontrar os profissionais certos com o perfil adequado para as funções”.

Segundo a especialista em executive search , estes resultados demonstram aquilo que há muito se constata no dia-a-dia. “As TI's são desde há muito o setor que no Hiring Survey aparece consolidadamente e continuadamente ao longo dos últimos anos, com intenções de contratação acima da média, mesmo em momentos de conjuntura económica adversa, como a atual”, enfatiza Ana Luísa Teixeira. De acordo com a responsável, “em matéria de funções mais requisitadas, a minha experiência quer no coaching quer no recrutamento, diz-me que os pedidos incidem sobretudo em perfis ligados às funções comerciais ou técnicas, com grau de senioridade pouco elevado”.

Para Ana Luísa Teixeira isto deixa a descoberto uma dura realidade. “Existem no mercado excelentes profissionais seniores, com uma forte componente de chefia marcada na sua experiência profissional, desempregados e com grandes dificuldades em retomarem o seu lugar no mercado de trabalho”, lamenta.
E Ana Luísa Teixeira vai ainda mais longe: “não só as remunerações baixaram para determinadas funções, como também há falhas no nosso sistema de subsídios de desemprego que não está estruturado da melhor maneira para que estes profissionais possam colocar ao serviço do mercado, do país, das empresas e dos mais novos e menos experientes, todo este potencial sénior dando por exemplo ações de formação”. Na verdade, se por um lado ser formador poderia ser uma excelente via para estes profissionais séniores e para o país, dado o seu saber e longa experiência, por outro a formação acarreta uma remuneração geralmente precária para quem começa. Tudo porque, “normalmente, um formador tem de início poucas ações agendadas o que acaba por constituir uma solução de risco para quem está a receber subsídio de desemprego e quer manter uma postura íntegra. Desistir ou interromper o subsídio de desemprego para dar uma formação de três ou quatro dias e depois retomar para um mês depois fazer o mesmo, não é nem viável nem possível no nosso sistema”, refere.

Uma realidade que, para a managing director da MRI conduz ao desaproveitamento da matéria cinzenta e coloca graves entraves à saída do desemprego. E talvez, aqui resida também uma das razões pelas quais o país falha na sua missão de travar a fuga de cérebros. É que de acordo com Ana Luísa Teixeira, “o país retém cada vez menos os bons profissionais pois a cultura nacional não está assente em pilares aliciantes para os ambiciosos e muito competentes. Os melhores acabam por equacionar o estrangeiro como alternativa mais gratificante e que proporciona maior reconhecimento”. A líder da MRINetwork Portugal não tem dúvidas de que o país continua a não reconhecer a competência e criatividade, diz que “o pensar fora da caixa não é geralmente aproveitado” e vai ainda mais longe: “diria mesmo que o pensar, na verdadeira aceção da palavra, que aponta para o inconformismo, para ter ideias próprias que podem ir contra o status quo , é geralmente visto como ameaçador”.



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