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Jovem, músico & economista

16.04.2004


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Diogo Archer

LICENCIADO em economia, Jean Gomes deu aulas na universidade Nova de Lisboa, onde tirou igualmente o mestrado na especialidade. Multifacetado, este luso-francês tem igualmente na música parte integrante da sua vida. "Comecei a tocar piano desde os seis anos e desde então não me imagino sem instrumentos à minha volta", salienta. Aos 18 anos acabou por optar por uma formatura em economia, deixando os concertos temporariamente de lado. Actualmente a tirar um doutoramento em Economia na University College of London, o seu regresso à música era "inevitável", estando igualmente a estudar violino na orquestra da BBC.


Economista atento, apercebeu-se de um "vazio" no panorama musical português, nomeadamente a "falta de espaço para os músicos portugueses nas orquestras nacionais e a falta de flexibilidade destas". Foi com base nesta realidade que Jean Gomes fundou em Setembro de 2003 a Orquestra do Tejo, a primeira orquestra-empresa portuguesa.

"É um projecto à medida do cliente, versátil e composto exclusivamente por músicos portugueses, oriundos por exemplo da Escola Superior de Música e da Orquestra Metropolitana de Lisboa", refere o empreendedor.

Uma empresa original

A originalidade da empresa passa pela sua composição e repertório, que abrange desde a música barroca ao período romântico, passando por os tangos de Piazzolla até às canções dos Beatles.

De acordo com o economista não existe um maestro fixo, dependendo a sua escolha do programa apresentado para cada ocasião, bem como a estrutura da orquestra que irá actuar, do quarteto das cordas até à formação sinfónica.

Os clientes-alvo passam pelas identidades públicas, empresas e privados que pretendam promover acontecimentos. Um exemplo foi a realização de um jantar comemorativo do Banco Espírito Santo (BES) onde foi contratada uma parte da orquestra para actuar.

Natural de Lyon, Jean Gomes optou, todavia, pela nacionalidade portuguesa. Monárquico assumido, realça como desígnios da sua orquestra o "assumir da herança histórica de um glorioso passado português". De acordo com o ex-professor, desde o tempo de D. João V que a educação musical é tradição na sociedade lusitana.

Nomeadamente, foi por desejo do monarca que se formou, durante o seu reinado, a "maior e, muito possivelmente, melhor orquestra do mundo da época, que actuava num edifício conhecido como Ópera do Tejo", inspiradora do seu empreendimento.

Relativamente aos músicos portugueses destaca que "existem vários que actuam em orquestras de nível mundial, em países como a França, Inglaterra e Alemanha".

O problema é a falta de espaço em Portugal para os recém-licenciados em música, originando uma "oferta generosa em quantidade e principalmente em qualidade". A solução passa muitas vezes por uma carreira no exterior, onde alguns têm feito bastante sucesso.

É neste quadro que surge a aposta da Orquestra do Tejo, captando jovens músicos orientados por gestores profissionais. Quanto a Jean Gomes, actualmente a residir em Londres, as novas tecnologias, como os telemóveis, a videoconferência e o "e-mail" asseguram-lhe um contacto permanente com a sua equipa em Lisboa.





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