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Fintar a crise com um part-time

Fintar a crise com um part-time

Com os aumentos fora de questão e cortes cada vez maiores nos rendimentos mensais e a taxa de desemprego a prosseguir a sua escalada, são cada vez mais os portugueses que estão a optar por equilibrar as suas contas procurando outras ocupações em part-time, ou realizando pequenas tarefas que antes desenvolviam como hobbies e que hoje são importantes fontes de rendimento.
20.07.2012


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O fenómeno está a ganhar adeptos e até já há sites que podem auxiliá-lo na difícil tarefa de dar o primeiro passo. O número de trabalhadores portugueses que aufere o salário mínimo nacional duplicou em quatro anos. De acordo com os dados da Segurança Social, há hoje mais de meio milhão - 605 mil pessoas – cuja retribuição mensal não excede a mínima legal, 485 euros. O mesmo equivale a dizer que 10,9% da população ativa em Portugal vive com o mínimo e o número não tem parado de crescer. Os mesmos dados mostram que em 2007, antes do início da crise, apenas 5,5% dos trabalhadores ativos recebiam esta remuneração que, à época, se fixava nos 403 euros mensais. Em Portugal, este “efeito crise” tem deixado cada vez mais clara a capacidade dos portugueses de desbravarem novos caminhos. São cada vez mais os que já acumulam dois empregos ou desenvolvem atividades paralelas em part-time. Em 2010, o gabinete de estatística da União Europeia – Eurostat - dava conta de que 327 mil portugueses já tinham uma segunda atividade profissional, reforçando um claro aumento desta realidade nos anos de crise. O número poderá parecer contraditório, tendo em conta que a taxa de desemprego não tem parado de subir, mas o órgão oficial da UE explica o fenómeno com a necessidade de, tal como tem acontecido noutros países onde a adversidade económica é uma realidade, os portugueses encontrarem um complemento ao seu rendimento. Com efeito, em Portugal o aumento do desemprego e da instabilidade tem vindo a crescer e afeta hoje todas as gerações. Dados recentes do INE revelam que nos últimos dez anos o número de desempregados mais do que triplicou e não resta senão aos portugueses encontrarem novas alternativas de complemento ao rendimento ou até de subsistência. São cada vez mais os adeptos do dito “complemento salarial”. Fazer frente à crise ou complementar um salário que, por vezes, é insuficiente são as principais razões para que cada vez mais portugueses procurem não só uma segunda atividade, mas também passem a desenvolver os seus hobbies de uma forma mais rentável. As pequenas tarefas domésticas ou reparações, são as opções mais comuns, mas também já há profissionais especializados a oferecem-se para, em paralelo com a sua atividade, prestarem serviços a empresas nas horas vagas. É o caso de Tiago Barradas, designer de formação. Aos 34 anos está mais que habituado a trabalhar como freelancer, ainda que preste serviço regular para uma empresa de comunicação. Há cerca de ano e meio decidiu apresentar-se ao mercado de uma forma mais alargada. “Sempre trabalhei a recibos verdes para uma empresa, com um rendimento aceitável e regular, apesar da instabilidade. Durante esse tempo não me preocupei em ter outros clientes, mas quando a família aumentou, despertei para a necessidade de alargar a minha atividade”, explica o designer. Tiago começou por realizar trabalhos para amigos de amigos e hoje oferece os seus serviços em várias plataformas que dinamizam a realização dos ditos “biscates”. Em bons meses, garante, “já tenho conseguido um rendimento adicional de mais 400 euros”. Ana Ferreira não consegue tanto, mas quando decidiu transformar o seu hobbies de cake design num complemento da sua atividade profissional, a meta era treinar a sua técnica e conseguir amealhar algum dinheiro para uma viagem de sonho. É formadora há seis meses que as suas horas livres são empregues na cozinha a criar bolos de aniversários. No seu melhor mês até agora conseguir 270 euros de rendimento adicional. Mas, garante, “ainda estou a começar”. A tendência está em expansão no país e adesão dos portugueses a diversos sites onde a prestação de serviços ou a realização de pequenas tarefas são a palavra de ordem, comprovam-no. São cada vez mais as comunidades para trabalhar por tarefas a surgir na Web e em Portugal muitas já são um sucesso (ver caixa). Para triunfar nesta forma de complemento orçamental, a regra de ouro é cumprir prazos e não falhar. Aqui, a imagem vale ouro e a avaliação positiva num trabalho abre portas a todo um mundo de novas hipóteses de rendimento. Paragens obrigatórias Zaask.com, tarefas para partilhar Para Luís Pedro Martins e Saurabh Khanna, há uma clara diferença entre ter um emprego e ter trabalho. A distinção é cada vez mais nítica e a economia orienta-se cada vez mais para a segunda hipótese. Foi para ajudar os que querem “conquistar trabalho” que a dupla de empreendedores criou a plataforma Zaask. O sítio online parte de um conceito simples: “existem tarefas que, se pudéssemos, pagaríamos a alguém com talento para as realizar”, explica Luís Pedro Martins, um dos mentores do projeto. A Zaask recorre à tecnologia para promover o encontro entre quem quer desempenhar tarefas (os taskers) e quem precisa que elas sejam realizadas (os askers). O acesso à plataforma é gratuito e desde que começou a funcionar o sítio pt.zaask.com já reúne uma comunidade de mais de cinco mil taskers e quase três mil askers. A adesão leva os mentores do projeto a perspetivar a breve prazo uma expansão para outros países, como Espanha, Brasil ou Reino Unido. Um derrubar de fronteiras que contribuirá também para alargar as oportunidades de trabalho dos freelancers portugueses. Nesta plataforma, cerca de 70% dos taskers inscritos possuem formação superior e estão em situação de desemprego. Para o líder do projeto, “a plataforma tem vantagens claras para quem quer trabalhar já que possibilita gerar rendimento, há adaptação automática à procura e dá ao profissional a oportunidade de se expor, mostrar o seu talento e ser avaliado”. Workub, emprego e oportunidades de negócio A partir do sítio www.workub.com/ptos utilizadores podem não só encontrar emprego ou novas tarefas, mas também parceiros para se lançarem em novos negócios. O Workub é um projeto de Álvaro Sardinha, engenheiro informático que concebeu uma estrutura online onde os candidatos não depositam currículos, até porque aqui o que conta são os perfis de competências que para o mentor do projeto “são universais”. A plataforma de competências online foi pensada para facilitar a vida a quem procura uma nova função a full ou part-time. A Workub foi inicialmente pensada para ajudar os arquitectos nesta tarefa. Este profissionais são ainda a maior “população” do site, mas ainda que estejam em força nesta plataforma, já não são os únicos a utilizá-la. A sua atividade alargou-se a 14 outras categorias e profissões, abrangendo atualmente cerca de 300 empresas. A Workub também está dividida em duas áreas distintas: trabalhadores e empresas. Os trabalhadores são obrigados a registar-se a preencher um inquérito de competências dividido em três etapas: Saber, Saber Fazer e Saber Ser. As empresas necessitam apenas de fazer um registo e definir as três áreas principais. A plataforma tem ainda um espaço reservado para os empreendedores possam promover a sua oportunidade, procurando na plataforma parceiros para a sua viabilização. Para os trabalhadores o serviço é gratuito. Para o mentor do projeto, trata-se de aproximar quem procura uma atividade de quem tem para oferecer.


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