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Emprego pouco tecnológico

24.04.2003


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Ruben Eiras

O SECTOR "high-tech" em Portugal emprega apenas 7% da população activa e representa menos de 10% do valor acrescentado na indústria nacional, colocando de novo o país na cauda europeia. Na semana que o Presidente da República dedicou à promoção da inovação, estes são alguns dos traços do retrato estatístico exposto numa análise recente do Eurostat sobre a indústria de tecnologia de ponta na UE.


Além disso, o documento constata que cerca de 51% do total dos postos de trabalho "tecnológicos" está concentrado no segmento de componentes eléctricos (produtos de baixa complexidade de produção e cuja competitividade assenta no preço).

O valor acrescentado deste sector em relação à totalidade do "high-tech" nacional é de 35,5%, o que traduz uma baixa produtividade significativa (só é alta quando o valor acrescentado é maior do que o peso do sector na indústria) no segmento mais importante do tecido tecnológico do país. O diferencial situa-se nos 15,5%.

Face a este cenário, Jorge Sampaio sublinhou durante esta semana que os empresários portugueses deveriam apostar na inovação dos produtos e dos serviços, tanto nos sectores clássicos como nos mais novos.

Não obstante as boas intenções do Presidente da República, o sentimento que reina nas empresas que inovam é de um discurso oco e da total ausência de uma estratégia clara para colocar na primeira linha da política nacional o aumento do valor das actividades empresariais.

Henrique Neto, presidente da Iberomoldes, uma das empresas-modelo no campo da inovação de raiz portuguesa, justifica o atavismo generalizado do tecido empresarial e universitário face à inovação na falta de confiança das elites nacionais relativamente à capacidade de criação da nação. "As nossas elites conhecem mal os processos de desenvolvimento dos povos e não estudam a fundo os casos de países de sucesso, como a Irlanda e a Finlândia", critica.

E para este responsável, o problema essencial para o desenvolvimento do sector tecnológico não é a baixa qualificação geral dos recursos humanos. "Esse é um problema falso. Os portugueses aprendem rápido, quando bem geridos. Até hoje, por exemplo, nunca se ouviu a Autoeuropa reclamar dos RH portugueses", argumenta.

As lacunas encontram-se nas dificuldades da internacionalização das empresas e na falta de aposta na inovação do produto. "O ICEP deveria ser mais ágil na informação sobre os mercados estrangeiros e o país devia concentrar energias na promoção de empresas integradoras de tecnologias, em particular nos sectores da electrónica de consumo e na construção civil", propõe.

Outra linha de acção preconizada por Henrique Neto é a focalização da investigação universitária na aplicação comercial de produtos e na resolução de problemas nacionais. "Existem grandes oportunidades nos resíduos sólidos e nos sectores de transporte e ferrovia", conclui.



 





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