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Desempregados trocam subsídios por negócios

Desempregados trocam subsídios por negócios

A adversidade económica está a modificar a forma como os portugueses encaram o desemprego e a levá-los a arriscar. Cerca de cinco mil trocaram no ano passado o subsídio de desemprego pela criação de um negócio próprio
21.04.2011


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Diz a sabedoria popular que nos momentos de adversidade nascem, regra geral, as melhores oportunidades para os que decidem arriscar. Não é que os portugueses se caraterizem, pelo menos nos últimos anos, pela sua postura afoita, mas a verdade é que a crise está a aumentar os pedidos de resgate do subsídio de desemprego por parte dos desempregados lusos. A lei prevê que um desempregado possa receber, numa só parcela, a totalidade do seu subsídio para investir na criação do auto-emprego. O presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional, Francisco Madelino, garante que no ano passado a procura desta solução subiu 30 a 40% e, anualmente, são cerca de cinco mil os portugueses que resolvem o seu problema de emprego aplicando o subsídio no seu próprio negócio.

Desde 1994, já cerca de 43 mil portugueses beneficiaram desta opção que hoje é já mais alargada e não se restringe apenas ao subsídio de desemprego. O incentivo à criação do auto-emprego tem vindo a sofrer uma evolução positiva e disponibiliza hoje aos desempregados linhas de crédito bonificadas. Mas apesar disso, a decisão não é pacífica e acarreta riscos, tanto mais que caso negócio falhe, o desempregado fica sem emprego, sem subsídio e sem negócio.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Empreendedorismo, nos países da OCDE a taxa de sobrevivência das empresas no final do primeiro ano de atividade ronda os 80% e ao final do segundo ano 70. Em termos globais, nos países desenvolvidos, em média, garante a organização, metade das empresas criadas duram pelo menos cinco anos. Em Portugal o valor é inferior: cerca de 73% das empresas criadas chegam ao primeiro ano de atividade, mas apenas 54% atingem a fasquia dos dois anos.
Mas para Francisco Madelino, a taxa de mortalidade dos negócios gerados com recurso ao subsídio de desemprego não cumpre estas estatísticas e tem, felizmente, níveis muito inferiores à mortalidade total das empresas em Portugal. Admite o presidente que as taxas de sucesso até são bastante positivas. Muitos desempregados, numa tentativa de minimizar o risco, optam por modelos de negócio já testado recorrendo por isso muito ao franchising, que tem vindo a crescer, sobretudo os projetos cujo investimento inicial é mais reduzido.

O recurso a este mecanismo de promoção ao auto-emprego implica que os desempregados apresentem ao Instituto do Emprego a sua ideia de negócio. Mas depois de verem aprovado direito a resgatarem o seu subsídio para investirem num projeto empresarial, há cuidados que devem ter para minimizar o risco.

Em grande parte dos casos, as empresas fecham não porque a ideia de negócio não tinha viabilidade, mas porque os seus mentores estão pouco preparados para as exigência de uma vida como empresários. A especialização vale ouro, aqui como em qualquer emprego. Se quer criar um negócio deve dominar a sua empresas desde as vendas, ao relacionamento com clientes e colaboradores, sem deixar de lado a organização e a liderança. Na fase inicial deve preocupar-se com um planeamento ao cêntimo de tudo o que vai precisar para viabilizar o seu projeto. Pondere quanto tem para gastar, o que é prioritário, onde pode poupar. Seja tão rigoroso aqui como na gestão diária dos gastos do seu negócio.

Se ao final do primeiro ano a sua empresa está dinâmica e apresenta um índice de sucesso, não tome tudo como certo. Prepare-se sim para planear os anos que se aproximam.



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