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De Campo Maior para a Europa

De Campo Maior para a Europa

O Centro Educativo Alice Nabeiro, nascido no âmbito da política de conciliação trabalho-família do Grupo Delta, em Campo Maior, está no centro de uma revolução de modelos de ensino que já conquistou professores de toda a Europa, mas que ainda luta para ganhar escala em Portugal. A instituição conduz com as suas crianças um modelo de ensino sustentado no empreendedorismo e no manual criado internamente “Ter ideias para Mudar o Mundo”, que mereceu o reconhecimento da União Europeia como exemplo de boa prática a disseminar por todos os professores das escolas dos Estados-membros.

18.10.2013 | Por Cátia Mateus


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Orientado pela visão de Rui Nabeiro, presidente do Grupo Delta, que desde a sua raíz quis fazer da escola um espaço onde “as crianças começassem desde cedo a ambicionar serem diferentes e destacar-se no seu potencial e proatividade”, o Centro Educativo Alice Nabeiro, em Campo Maior, criou o manual de empreendedorismo “Ter ideias para Mudar o Mundo”, vocacionado para trabalhar os valores do empreendedorismo em crianças dos 3 aos 12 anos. A metodologia é aplicada nas crianças do centro e nos últimos anos, a instituição tem batido a várias portas para replicar a sua método de ensino e, através da formação de professores, alcançar mais crianças. O guia foi este ano reconhecido como exemplo de boa prática pela Europa que o quer ver aplicado entre os professores e escolas dos vários Estados- membros, mas em Portugal “os docentes ainda têm longo caminho a percorrer”, lamenta Dionísia Gomes, diretora do Centro Educativo Alice Nabeiro.

“Quando o Centro Educativo Alice Nabeiro foi criando, a ambição do comendador Rui Nabeiro era que este espaço fosse mais do que um sítio onde as crianças vinham passar o tempo. A ambição era criar um espaço de ensino onde se passasse cultura e se desenvolvessem crianças proativas, com perfil empreendedor”, explica a diretora do centro. O guia “Ter ideias para Mudar o Mundo” nasce dessa vontade e da constatação de os professores do centro não tinham formação em empreendedorismo. “Era necessário formá-los na área para que pudessem passar esses conceitos às suas crianças”, relembra Dionísia Gome. Os primeiros passos da instituição na formação de professores nas metodologias empreendedoras foram dados em 2007. Na mesma altura o centro começou a elaborar o guia. “À medida que foram tendo a formação teórica em empreendedorismo, os professores foram sendo convidados a adaptar o que aprendiam a conteúdos e modelos pedagógicos que permitissem trabalhar exatamente os mesmos conceitos com as crianças do centro, cuja faixa etária vai dos 3 aos 12 anos”, explica. O guia tal como está hoje e cuja qualidade foi reconhecida pela União Europeia ficou concluído em 2009 e diariamente, os mais de 100 alunos do centro dão provas do sucesso da metodologia aplicada que já “formou” mais de 600 crianças de Campo Maior.

Seguindo uma lógica de que “só verdadeiramente aprende quem faz”, o guia leva os alunos a um percurso educativo experimental que percorre 12 áreas do conhecimento empreendedor e que se materializa como um processo de aprendizagem em que ganham e evoluem as duas partes: alunos e professores. João Pêpe, professor de ciências do Centro Educativo Alice Nabeiro, explica que “este projeto foi pensado para que as crianças aprendam pela sua experiência”. O empreendedorismo trabalhado tem pouco a ver com a visão económica do conceito e está sobretudo relacionado com as competências do perfil empreendedor. “É muito importante começar a trabalhar desde cedo com as crianças competências que estão relacionadas com o desenvolvimento de ideias, constituição de equipas, gestão do fracasso, liderança”, explica o professor adiantando que “aqui não se corta a ideia e a criatividade a nenhuma criança e o segredo deste método esta na capacidade do professor pensar se fosse criança, como gostaria que lhe explicassem e ensinassem determinada matéria”.

Um caminho que Dionísia Gomes reconhece que não tem sido fácil. “Logo no início começámos a procurar disseminar este método entre as escolas mais próximas e reparámos que os professores não estavam muito recetivos e encaravam estas práticas como um acréscimo de trabalho e não como um complemento ou uma nova metodologia”, explica a diretora. O primeiro grande parceiro do Centro neste projeto é o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) que, através da Escola Superior de Educação, está a aplicar o guia na formação de todos os educadores de infância e professores que frequentam os seus cursos. “O processo iniciou-se com a nossa própria formação aqui na Delta, depois formámos alguns professores do instituto e atualmente já formamos os nossos alunos com este guia”, explica Luísa Neves diretora da Escola Superior de Educação do IPVC. A instituição tem trabalhado em várias vertentes e está também a apostar na formação contínua, qualificando com as metodologias desenvolvidas pelo Centro os professores que já se encontram no ativo. Para Teresa Gonçalves, sub-diretora da Escola Superior de Educação do IPVC, “a meta é utilizar este referencial na formação de um número crescente de futuros e atuais professores e produzir investigação nesta área, ajudando a disseminar os benefícios da metodologia”. Uma expansão nacional que parece bem mais difícil do que a aplicação do modelo nas escolas europeias.

Para Rui Nabeiro, “o manual que criámos e o empreendedorismo com que sempre sonhámos está nesta casa bem alicerçado”. O comendador enfatiza que fruto da metodologia conduzida na escola “as nossas crianças começam com a alegria a serem diferentes desde muito cedo” e acrescenta que “este é um projeto que as ajuda a destacarem-se e que lhes ensina que é importante sonhar que se vai ser grande”. Para o líder do Grupo Delta, mentor deste projeto, a ambição é replicar este modelo a todas as escolas nacionais “não para mais-valia nossa, mas para que realmente mais pessoas possam fazer a diferença na educação e orientação das nossas crianças, dando-lhes as ferramentas necessárias para crescerem com objetivos e se fazerem grandes”. 



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