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Cursos pouco empreendedores

04.07.2003


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Manuel Posserde Andrade

SERÁ que o empreendorismo pode ser ensinado? Como se deve configurar de forma eficaz um curso sobre empreendorismo para responder às necessidades da realidade actual?






Três regras para um bom curso



Um estudo elaborado por investigadores da Universidade Carlo Cattaneo, em Itália, analisa a questão do empreendedorismo sob o ponto de vista do ensino e sugere uma abordagem mais desenvolvida e empírica para leccionar cursos sobre esta matéria.

Apesar do reconhecido papel do empreendedorismo para o crescimento económico e desenvolvimento regional, existe ainda um grande debate em torno do ensino destes cursos, nomeadamente nos moldes em que devem ser ensinados.

Segundo os autores do estudo, apesar do empreendedorismo não ser uma novidade, só na última década é que se verificou um aumento dos programas e cursos nas universidades e instituições de ensino.

"A oferta destes cursos aumentou exponcialmente nos últimos anos e a sua popularidade cresceu em especial nos países europeus", salienta o estudo intitulado Training and Leading-The Future Entrepreneur: A Field Experience.

"O sistema educativo tem cada vez mais um papel determinante no desenvolvimento do empreendedorismo, através da criação de um meio-ambiente que realce as actividades de empreendorismo, mas apesar disso ainda existe no meio universitário alguma resistência relativamente à validade académica destes cursos" referiu Davide Moro, um dos autores do estudo, aquando da sua apresentação num recente seminário sobre Inovação, realizado no Tagus Park.

Os investigadores italianos partiram do exemplo da universidade de Cattaneo e fizeram um "benchmarking" com várias outras universidades mundiais, por forma a tirarem conclusões sobre quais devem ser as características principais de um curso sobre empreendedorismo.

"Este pode ser ensinado, mas existe actualmente uma lacuna no que diz respeito aos métodos de ensino que necessitam de uma participação mais activa", salienta o mesmo investigador.

Métodos de ensino empíricos são cruciais

No "benchmarking" realizado, verificou-se que muitos cursos de empreendedorismo das universidades em análise foram ineficazes e não tiveram sucesso. O principal motivo prendeu-se com uma focalização mais acentuada no conteúdo negligenciando muitas vezes os métodos de ensino.

"O empreendedorismo não pode ser ensinado através dos métodos tradicionais, sendo necessário técnicas de abordagem mais empíricas", sublinha por seu turno Alberto Poli, co-autor do estudo.

Assim sendo, os cursos têm de assumir uma componente mais prática: os projectos desenvolvidos em trabalho de grupo assumem uma especial relevância para formar os empreendedores.

Elaborar simulações de raiz, desde o plano de negócios, a espinha dorsal de um novo projecto. "Para atrair investidores é necessário ter uma visão e uma atitude proactiva, mas também delinear todos os pormenores operacionais e estrutura financeira", comenta Alberto Poli.

Por seu turno, o sucesso de um curso de empreendedorismo depende de outros factores como a discussão de ideias em grupo; explorar a criatividade, a visão e a inovação dos alunos na busca de novas oportunidades.

Aluno tem que possuir um perfil inovador


O processo de selecção dos candidatos é de igual modo fundamental para o sucesso global do curso: são usados vários critérios para medir o grau de empenhamento e entusiasmo dos alunos.

"Ao contrário do que se pode esperar, avaliar um aluno pelo seu sucesso e desempenho universitário nem sempre é o melhor indicador de que este aluno tenha sucesso em lançar, gerir e fazer crescer uma empresa", adianta Chiara Bernardi, outra investigadora e autora do estudo.

O processo de selecção baseia-se, essencialmente, em testes e numa entrevista que pretendem medir e avaliar a capacidade de inovação dos alunos, a sua atitude face ao risco e a sua motivação.

"Para delinear a estrutura do curso deve partir-se do pressuposto que o empreendedorismo é uma característica comportamental das pessoas que necessitam de qualidades e competências próprias", refere Chiara Bernardi.

Para esta investigadora é desejável que o número de elementos por cada curso seja limitado, "para melhor tirar partido das características interdisciplinares que devem ter estes cursos, assim como uma abordagem menos tradicional do ensino e a busca de uma maior interacção entre alunos e professores".

O número de alunos não deve ultrapassar os 30 elementos por forma a criar posteriormente grupos de 5 elementos para os trabalhos e simulações. Por fim, as aulas devem ser compostas por um misto de alunos provenientes de vários cursos, como engenharia, direito e gestão.





Três regras para um bom curso

Um "benchmark" de várias universidades mundiais levou os investigadores a concluir que existem algumas características principais que devem existir num curso sobre empreendedorismo:

1- Primeiro, deve ser criado um elo de ligação e de confiança entre os alunos e professores por forma a melhor chegar a um grau de compromisso e atingir os objectivos do curso eficazmente.

Os professores avaliam as características de empreendedor de cada um dos alunos e desafiam-nos "a ser diferentes no mundo empresarial".

2 - Deve ser dada uma definição mais teórica do que é ser empreendedor, o seu papel e perfil que deve ter um empresário.

3 - Desenvolver as competências de empreendedorismo: trata-se da componente mais prática e importante do curso.

É fundamental incluir várias sessões e actividades que vão desde ensinar a desenvolver planos de negócio, criar várias simulações em grupo, ensinar como se detecta novas oportunidades, como gerir uma equipa, desenvolver competências negociais, como medir e gerir o risco e as formas de financiamento de um projecto.





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