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Covilhã cria emprego tecnológico

Numa altura em que o Governo vai falando em plano tecnológico, a Covilhã já passou à prática
05.08.2005


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Cátia Mateus

O GOVERNO vai hasteando a bandeira do «choque tecnológico», mas a Covilhã já dá um exemplo efectivo de contributo para o desenvolvimento do emprego e empreendedorismo científico em Portugal. O Parque da Ciência e Tecnologia da Covilhã — Parkurbis — recebeu na passada semana as primeiras empresas incubadas. Com um investimento global de três milhões e meio de euros, suportado por accionistas de peso (ver caixa «Radiografia do Parque»), esta infra-estrutura localizada na Beira Interior quer posicionar-se, a médio prazo, como um «cluster» tecnológico à escala europeia.


Ao todo são sete as empresas que inauguraram o mais recente pólo de desenvolvimento tecnológico do país. O Parkurbis é uma iniciativa da Câmara Municipal da Covilhã (CMC) que cedo compreendeu que a região necessitava de uma estrutura que fosse capaz de aproveitar e reter os talentos gerados pela Universidade da Beira Interior (UBI), colocando-os ao serviço da comunidade e economia locais.

A necessidade gerou um projecto ambicioso, apadrinhado por um leque de accionistas que partilham o desígnio de transformar o Parkurbis numa iniciativa local com abrangência nacional e meta europeia. Carlos Pinto, actual presidente da CMC e do Parkurbis, pensou neste projecto em 1998 e decidiu visitar alguns parques semelhantes na Europa.

Desta partilha de experiências «resultou uma estrutura pensada com o objectivo de fazer surgir na Covilhã um pólo de inovação e novas tecnologias, capaz de funcionar como um interface entre a universidade e o mundo empresarial», refere. O autarca explica ainda que «o grande objectivo deste parque é afirmar a Covilhã como um ‘cluster' tecnológico tendo em conta as áreas prioritárias delimitadas em função da nossa realidade universitária».

É conhecido o dinamismo que a UBI confere à região, bem como as potencialidades desta universidade enquanto geradora de iniciativa empresarial. As áreas ligadas à indústria do ambiente, telecomunicações, tecnologias de informação, ciência e tecnologia, aeronáutica/automóvel e tecnologias da saúde merecem destaque nesta universidade e são, simultaneamente, áreas de investimento prioritário do Parkurbis.

Até à data, as empresas instaladas foram geradas dentro da própria universidade estando a sua liderança assegurada por alunos ou docentes da UBI. Uma estratégia que a direcção do parque quer manter, já que as prioridades da nova estrutura passam por «permitir a investigação e a inovação tecnológica, em parceria com a UBI e empresas, contribuindo para a modernização do tecido produtivo e para a criação de indústrias e serviços tecnologicamente avançados e, ao mesmo tempo, atrair investimentos em áreas de suporte tecnológico bem como criar massa crítica de actividade I&D».

A Omnisys e a Consispro são duas das sete empresas que inauguraram as instalações deste pólo tecnológico. A primeira resulta da iniciativa de quatro docentes da UBI e a segunda nasce da mente inovadora de três jovens estudantes da mesma universidade.

A Omnisys começou a laborar em 2004 e, como a maioria dos negócios, surgiu a partir da constatação de que faltava ao mercado uma empresa capaz de desenvolver e comercializar sistemas informáticos seguros, direccionados para a gestão de pessoal de empresas de média e grande dimensão. «Éramos colegas docentes e queríamos manter-nos ligados à Covilhã e à universidade», explica Luís Alexandre, um dos sócios. Para o empresário, «o Parkurbis vem permitir uma ligação mais estreita entre a universidade e as empresas sediadas no parque, motivando os estudantes a pensarem os seus projectos de final de curso numa vertente mais empresarial».

Foi exactamente a partir de um projecto de final de curso que António Pires, José Carmo e Nuno Silva criaram a Consispro. A empresa entrou em actividade em 2004 e desenvolve aplicações informáticas específicas, «software» e páginas na internet. Com menos de um ano de actividade, soma cerca de 30 clientes em áreas diversas e António Pires esclarece que «a interioridade não é um problema mesmo para quem tem aspirações de internacionalização. A Covilhã é uma região com grande potencial». O empreendedor encara o Parkurbis como um «forte contributo à criação de emprego e iniciativa empresarial na região» e confessa que «em muitos casos, os projectos académicos — alguns de muito valor — ficam na gaveta por falta de apoios e orientação».

Uma realidade que os responsáveis pelo novo parque tecnológico se propõem alterar. Segundo Pedro Farromba, CEO do Parkurbis, «a maioria dos estudantes que se licenciam na Covilhã querem fixar residência lá e, durante muito tempo, não houve uma estrutura que respondesse aos seus anseios». Para o responsável, também ele natural da Covilhã, «as condições deste parque, a sua centralidade, a ligação à universidade com cadeiras de empreendedorismo em todos os cursos, são importantes trunfos para as empresas incubadas». A ideia é, explica, «trazer a este parque projectos que sejam importantes para o país e não tenham só uma dinâmica regional».

Na primeira fase, o Parkurbis terá capacidade para acolher 50 empresas mas, segundo Carlos Pinto, «poderá expandir para o triplo em fases posteriores» (ver caixa «Radiografia do Parque»). A autarquia é o maior accionista deste parque e «a estratégia do presidente é ir sucessivamente diminuindo a sua participação a favor de novos accionistas capazes de trazer valor acrescentado ao Parkurbis e de ajudar a colocar este pólo na rota da Europa».

Carlos Pinto quer «a Covilhã como destino de engenheiros, biólogos, médicos e todos os profissionais ligados à investigação, permitindo concretizar empresarialmente os projectos universitários». Para já, há parceiros espanhóis e franceses interessados em investir neste parque. Mas Carlos Pinto não esconde a sua expectativa em «ver como é que o Governo, que coloca tanto enfoque no plano tecnológico, acompanha e apoia projectos como este». O presidente da autarquia adianta que «esta é uma oportunidade de fomentar na prática o choque tecnológico preconizado».

'Radiografia' do Parkurbis

Localização: Zona Industrial de Tortosendo
Área total do parque: 100.000m2
Área de construção: 35.000m2
Área de expansão (2ª fase): 2.000.000m2
Infra-estruturas: Centro de Inovação Empresarial; espaços para instalação de empresas de base tecnológica/ nova geração; espaços para instalação de empresas de serviços de apoio; ninho empresarial; laboratórios; auditório de 200 lugares; área multiusos; parqueamento de superfície e zonas verdes
Nº de empresas já incubadas: Sete
Capacidade de incubação (1ª fase): 50 empresas
Áreas preferenciais: Indústrias do Ambiente; Telecomunicações; Tecnologias de Informação; Ciência e Tecnologia de Materiais; Aeronáutica/ Automóvel (componentes) e Tecnologias da Saúde
Investimento global: 3.500.000 euros
Capital social: 2.500.000 euros
Accionistas: Câmara Municipal da Covilhã; IAPMEI — Instituto de Apoio às PME e ao Investimento; PT Comunicações, SGPS; Universidade da Beira Interior; Caixa Geral de Depósitos; Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento; Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios; Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor; Núcleo Empresarial da Região de Castelo Branco; FRULACT — Sociedade Gestora de Participações Sociais, SA
Sítio: www.parkurbis.pt

O regresso às origens

AOS 31 anos Pedro Farromba personifica o provérbio popular «o bom filho à casa torna». O jovem director-executivo da Parkurbis é natural da terra e licenciado em Gestão pela Universidade da Beira Interior (UBI). Foi animador de rádio nos seus tempos de estudante, mas a vida profissional iniciou-a no grupo Jerónimo Martins.

Esta oportunidade de emprego obrigou-o a trocar a Covilhã pela capital do país, Lisboa, onde viveu durante cinco anos. Sem pudores confessa: «Foi a decisão mais difícil que tomei porque sempre quis ficar na Covilhã, mas enriqueceu-me profissionalmente».

Do grupo Jerónimo Martins passou para a Sonae e, assim que surgiu a oportunidade de voltar à Covilhã, não pensou duas vezes. Aceitou o desafio de dirigir o Parkurbis, para ajudar a dar a outros a oportunidade de se desenvolverem profissionalmente no interior do país.





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