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Coragem para mudar

04.05.2007


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Cátia Mateus e Marisa Antunes
Deixou um trabalho estável por conta de outrem para realizar o seu próprio sonho e a sua missão. Hoje, ganha a vida a realizar os sonhos dos outros e factura milhões de euros anuais com isso. António Quina é o ‘pai' do designado «marketing das sensações» em Portugal. Há cinco anos criou a empresa ‘A vida é Bela', onde vende experiências e sensações. O nome tem tudo a ver com o espírito do célebre filme de Roberto Benigni, mas tem mais ainda a ver a sua própria vida. António Quina foi jornalista até aos 27 anos mas quando constituiu família já trabalhava ligado à área do «marketing». Nunca foi avesso a mudanças ou a novas experiências, mas a grande viragem na sua vida deu-se aos 35 anos, uma idade que considera determinante.


“Até aos 35 anos é-se um super-homem, depois dessa idade começamos a perceber que há pessoas mais novas que nós que fazem o mesmo trabalho por menos dinheiro porque não têm as mesmas responsabilidades familiares e até sociais. É a altura do ‘agora ou nunca, do tudo ou nada!', explica António Quina que por essa altura enfrentava o seu grande dilema. “A dado momento, dei por mim a andar de fato e gravata todos os dias. sentia-me limitado, espartilhado na minha criatividade, anulado”, relembra.

António deu por si a elaborar uma tabela com tudo o que queria para a vida profissional: adrenalina, liberdade, prazer, satisfação, autonomia, independência, entre outros factores. “Quanto olhei para a tabela percebi que queria mudar de vida, que tinha de mudar e aquele era o momento”, revela. Assumiu o risco de investir tudo o que tinha e criar no país um negócio arrojado e inovador. Hoje, só lamenta não o ter feito mais cedo.

António considera que a sua empresa “foi uma visão daquelas que só temos uma vez na vida”. Para António Quina, virar as costas aos sinais que nos mostram que é preciso mudar, é um erro. “Sinto-me um privilegiado por ter podido mudar de vida, realizar o meu sonho e até hoje ter conseguido cumprir as minhas etapas com muito trabalho e dedicação”, argumenta.

Jorge Marques, presidente da Associação Portuguesa dos Técnicos e Gestores de Recursos Humanos, acredita que o exemplo de determinação de António Quina será seguido por cada vez mais portugueses. “As pessoas estão a ser empurradas para a ideia de que vale a pena lutar pelas suas ambições ao invés de perseguir o sonho idílico do emprego para toda a vida que já não existe”, explica o especialista.

Jorge Marques reconhece, porém, que a mentalidade que pautou o país, em matéria de emprego e «status» social, faz com que ainda hoje muitos profissionais não arrisquem deixar um emprego por conta de outrem para viverem por conta e risco. Como acontece com Ercília Ping, licenciada em Organização e Gestão de Empresas pelo ISCTE (Instituto Superior das Ciências do Trabalho e Empresa) e que há mais de uma década se deixa embrenhar, diariamente, por números, mapas e balancetes contabilísticos.

Mas é também num ritmo diário que a gestora dá largas à sua imaginação em todos os bocadinhos de papel que apanha à mão e desenha amigos e familiares em situações caricaturais (o desenho incluído neste artigo é da sua autoria). “Eu sempre gostei de desenhar mas foi por volta dos oito anos que comecei a sentir-me realmente feliz nas aulas de arte quando os meus desenhos eram elogiados e pendurados na parede”, recorda Ercília que além das bandas desenhadas inspiradas nos amigos, pinta também em acrílico, aguarelas e carvão.

Apesar da sua paixão pela pintura e do incentivo dado pelos professores ao longo da primária e secundária, Ercília acabaria por optar “racionalmente” pelo curso de Gestão em detrimento de arquitectura ou belas-artes, mais consonantes com a sua vocação mas sem grandes oportunidades profissionais à vista. “Hoje, voltaria a seguir a mesma opção, porque nada mudou e continuam a existir mais saídas profissionais na área que escolhi, mas ainda continuo a sonhar como seria se trabalhasse como desenhadora na produção de cartoons”, admite, realçando, que apesar de tudo não se sente insatisfeita no seu trabalho mais ligado à contabilidade.

Ana Loya, «executive manager» da Ray Human Capital, lembra que a “satisfação não é sinónimo de motivação, e está mais ligada à forma como se vive o sistema de valores”. Pode-se ter talento ou vocação numa área, mas por uma questão de valores privilegiar-se, por exemplo, a estabilidade financeira ou agarrar-se uma oportunidade aliciante numa profissão para a qual se tenha também capacidade de exercer.

“É um cliché dizer-se, mas é um facto que tendemos a fazer melhor aquilo de que gostamos de fazer do que aquilo que não gostamos assim tanto. Mas a realidade demonstra que poucas são as pessoas que trabalham na área para a qual se sentem mais motivados”, realça Ana Loya. Por isso, defende a especialista, quando não se consegue exercer na área de maior vocação, o ideal, para se conseguir o equilíbrio, é encontrar uma forma de satisfazer essa motivação maior, nem que seja através de um hóbi ou como actividade secundária.

Segundo o estudo ‘A Felicidade no Trabalho', realizado este ano pela Chiumento, empresa britânica de consultoria de Recursos Humanos, que envolveu 1063 profissionais de várias áreas, “ter um trabalho que satisfaça” surge logo na segunda posição no top 10 dos factores que contribuem para a realização profissional, logo a seguir ao bom ambiente de trabalho. Porém, “a ideia do emprego para toda a vida ainda coloca a fasquia das famílias muito alta, o que dificulta a predisposição para assumir o risco de mudar de vida e criar uma empresa ou até apostar apenas noutra área na qual se tem menos experiência”, como refere Jorge Marques.

Ainda assim, o especialista é da opinião que a mentalidade está a mudar. Até porque, como sublinha, “a insegurança de um trabalho por conta própria é hoje menor do que a de trabalhar por conta de outrem com um salário que permite um nível de vida elevado, mas que de uma hora para a outra pode deixar de existir se a empresa decidir ir para outro país ou despedir pessoas. Ter o futuro nas nossas mãos dá a vantagem de sabermos que dependemos apenas de nós e do nosso esforço para alcançar resultados e estabilidade”.

Mas, Jorge Marques deixa o alerta: “Para mudar, a melhor altura é quando a nossa auto-estima está em alta. É sempre melhor mudar por opção própria do que pelo facto da conjuntura obrigar à mudança”.

É hora de mudar?

O seu emprego é o melhor do mundo. Ganha um salário acima da média e os seus colegas formam a equipa ideal. O cenário parece perfeito, mas não para si. Tome nota de alguns sinais que podem mostrar-lhe que é hora de ganhar coragem e mudar.
. Falta de motivação laboral
. Incapacidade de definir novos objectivos e cumprir os já existentes
. Irritabilidade face aos colegas e a assuntos relacionados com trabalho
. Quebra de produtividade
. Desinteresse
. Aumento de stresse
. Sentimento de estagnação profissional
. Perda de rumo laboral e pessoal
.Vontade de se isolar
. Indiferença a bons resultados e conjunturas satisfatórias
. Desinteresse face a promoções, aumentos e quaisquer benefícios que lhe sejam atribuídos pela organização onde trabalha





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