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Consultoria: a nova estratégia das contratações

Consultoria: a nova estratégia das contratações

Gestão, economia e área financeira são áreas de formação desde sempre associadas ao típico perfil do consultor. Mas o panorama está a mudar. Seguindo uma tendência que a nível global há muito ganhou expressão, em Portugal as subsidiárias das principais multinacionais de consultoria estão a diversificar as suas apostas de recrutamento e a identificar talento em áreas até aqui consideradas marginais ao universo da consultoria de negócios. Podem um um biólogo, um profissional de saúde ou um artista contribuir para o sucesso de uma empresa de consultoria? Para António Saraiva e Margarida Dias, os líderes de Recursos Humanos das consultoras PwC e EY, não só podem como devem. Os benefícios para as empresas, garantem os especialistas, são inúmeros.

04.12.2015 | Por Cátia Mateus


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Quando em janeiro iniciar a sua próxima ronda de contratações para a empresa, Margarida Dias, diretora de Recursos Humanos da consultora EY, estará focada em identificar nas universidades nacionais jovens talentos com o designa de “perfis fora da caixa”. A gestora contraratá, naturalmente, jovens recém-licenciados ou mestres nas áreas tradicionalmente associadas ao sector, como a gestão, a economia, as áreas financeiras ou até o Direito, mas de forma crescente tem vindo a abraçar o desafio de atrair para os quadros da empresa perfis de áreas tão distintas como a biologia, a saúde, as artes ou outras. Porquê? Porque como explica “a riqueza das equipas da EY assenta hoje muito na diversidade e inclusão com que se formam e na capacidade que cada elemento vai ganhando para lidar com as diferenças, retirando daí o melhor partido para si, para o cliente e para a EY como um todo”. Para a diretora, “importa cada vez mais a pessoa e a sua capacidade de pensar, a sua identificação com os valores da empresa e entusiasmo pela profissão do que estritamente o currículo académico que tem quando nos contacta pela primeira vez”.?

Foram exatamente este fatores que analisou quando recrutou o biólogo Ricardo Coutinho, de 26 anos, para a equipa da EY. O jovem tinha concluído uma licenciatura em Biologia e após “uma reviravolta ponderada” optou por mudar a sua rota para a área da Gestão. “Decidi mudar de rumo ainda no meu segundo ano de licenciatura, quando me apercebi que as saídas profissionais na área da Biologia não me cativavam”, explica o jovem que garante não ter abandonado um futuro na sua área de formação por não gostar dos temas ou das matérias abordadas - até porque, como faz questão de afirmar “nesse aspeto a Biologia é mais fascinante do que a Gestão” - mas antes pelo facto de “ambicionar uma carreira mais terra-a-terra, com decisões e impactos mais imediatos e palpáveis. Em Biologia podemos estudar dez anos um determinado assunto, sem que nada se conclua desse trabalho”. Se para Ricardo a decisão de escolher outra área para desenvolver a carreira foi perfeitamente racional e procurou alinhar o perfil de trabalho que desejava com uma área que fosse do seu agrado, para Margarida Dias foi também o aspeto racional que a fez apostar na contratação do jovem Biólogo que hoje auditor sénior na EY.

?Com uma equipa atual de 800 profissionais em Portugal, a EY recruta anualmente mais de 150 jovens profissionais, a que acrescem outras contratações de perfis mais seniores. Até 2020, a consultora deverá contratar mais de 1000 profissionais, excedendo assim a fasquia dos 2000 funcionários em Portugal. Entre estes estarão, por essa altura, consultores e auditores oriundos de áreas pouco convencionais, como Ricardo. “O core natural de contratações da empresa continua a ser a área de gestão ou económico financeira, mas se quisermos quantificar diria que os 90% de perfis que tínhamos destas áreas há alguns anos atrás passou para os 50 a 60% atuais, incorporando hoje uma diversidade apreciável de formações académicas e saberes distintos” explica Margarida Dias, reforçando “o notável incremento que esta diversidade trouxe à capacidade e qualidade de resposta da empresa”.

A tendência replica-se na PwC. António Saraiva, diretor de Recursos Humanos da consultora, tem neste momento na sua equipa profissionais com formação na área das Humanidades e Ciências Sociais e do Comportamento, Matemática e Estatística, Artes, Informação e Jornalismo. Áreas que, relembra, “há alguns anos seria muito complicado vermos num contexto de consultoria”. Para o responsável da PwC a estratégia de contratação também passa por aumentar a diversidade de perfis no seio da empresa. “É uma aposta clara que fazemos na resposta às necessidades dos nossos clientes e ao que vai acontecendo na transformação do mercado”, explica garantindo que “é preciso sermos mais abrangentes e ecléticos e apostarmos em equipas multidisciplinares e com valências complementares”. ?No universo da consultoria, argumenta António Saraiva, “o mercado em que atuamos raramente compra um produto. Compra, essencialmente, uma solução com valor acrescentado” e as pessoas são determinantes para dar uma resposta a este nível. Da sua equipa fazem já parte cerca de 30 perfis com formação “marginal” às típicas áreas da consultoria, num universo de 1300 profissionais (incluindo as operações de Portugal, Angola e Cabo Verde). A empresa recruta em média 250 profissionais por ano, embora no último ano tenha somado 400 contratações. Nos próximos anos, garante, “se sentirmos que a diferença que queremos oferecer ao mercado passa por incorporar esses perfis, sem sombra de dúvida que o faremos”.?

Mas e as competências técnicas de base, não são relevantes? São. Mas a sua ausência é contornável e relativamente fácil de colmatar, assegura Margarida Dias (ver caixa). Ricardo Coutinho é peremptório em afirmar que o fato de ser formado em Biologia não lhe colocou dificuldades acrescidas de adaptação, quando comparado com outros colegas com formações mais standard. O auditor senior da EY realça que as carreiras nesta área apresentam “uma curva de aprendizagem vertiginosa” e reconhece que, possivelmente, em situações específicas tenha trabalhado mais para acompanhar um tema ou outro que, com um background mais usual para o sector, poderia ter tido mais facilidade em acompanhar, mas na essência “os obstáculos são comuns a qualquer outro profissional”. É de resto nesta formação constante que Margarida Dias fixa o aspeto fundamental neste caminho de diversificação que as consultoras têm vindo a consolidar de forma global. Abrir as portas a profissionais de outras áreas menos convencionais, tem múltiplos benefícios mas exige um projeto de formação permanente e qualificação interna muito sólido.

Na EY o foco do recrutamento são os aspetos comportamentais, mas a diretora são minimiza a relevância do saber técnico chamando a si, e à empresa, a responsabilidade de formar internamente os profissionais dotando-os com as valências técnicas necessárias, seja qual for a sua formação de base. “Temos um currículo formativo que acompanha toda a carreira de cada um dos nossos profissionais, com características quase únicas”, explica. Toda a componente técnica da atividade, mas também o treino específico de algumas softskills passam por aqui e Margarida Dias garante que seja o candidato um gestor de formação, um biólogo ou um profissional formado em artes, pode ser formato para ser um consultor de sucesso e capaz de fazer a diferença na empresa.

"A avaliação dos jovens que recrutamos assenta, sobretudo, nos aspetos comportamentais"
Margarida Dias lidera, na direção de Recursos Humanos da EY, o processo de identificação talento para a empresa. Numa altura em que prepara nova ronda de recrutamento para janeiro, a especialista partilha das suas opções de contratação.

Quais são as perspetivas de contratação da EY Portugal a médio prazo?
A EY Portugal enquadra atualmente 800 profissionais, fruto do crescimento sustentado que tem tido nos últimos quatro anos. É esta curva de crescimento que justifica o nosso compromisso de contratarmos mil jovens recém-graduados até 2020.

Em média quantos profissionais recrutam por ano?
Recrutamos duas vezes por ano, em janeiro e setembro. Isto traduz-se todos os anos, em média, na integração de mais de 150 jovens que iniciam as suas carreiras numa das quatro core businesses da EY.

Que tipo de profissionais privilegiam??
Privilegiamos, essencialmente, a contratação de finalistas ou recém-mestres das universidades mais prestigiadas de todo o território nacional. Não quer dizer que não recrutemos também profissionais mais experientes que possam contribuir ativamente para o crescimento e sustentabilidade do negócio. Com esta finalidade, temos vindo a atrair e incorporar também, nos últimos três anos, um grande número destes profissionais, parte dos quais com funções executivas e que vem aumentar a capacidade da EY de enquadrar o número enorme de new hires (novas contratações) que todos os anos recruta.

??Que modelo de recrutamento segue a EY?
Ao contrário do que é habitual em muitas empresas, o nosso modelo de recrutamento não é construído em função de um qualquer hipotético “preenchimento de vagas” para o departamento x ou y. Tudo começa por estruturar uma proposta de valor para os nosso candidatos, que designamos de “Employer Value Proposition” que, indo ao encontro das necessidades do negócio, seja atrativa para os estudantes das nossas universidades e os desafie a iniciarem uma carreira em qualquer uma das áreas de negócio da EY. Por isso, temos também a possibilidade de lhes dar liberdade de escolha da Service Line na qual gostariam de começar a trabalhar.??

Mas em que pilares assenta a avaliação e seleção dos candidatos que recrutam?
A avaliação e contratação dos jovens finalistas ou recém-mestres que recrutamos assenta, sobretudo, na avaliação dos aspetos comportamentais e motivacionais, muito mais do que na preparação técnica ou experiência profissional anterior que, obviamente, não podem ter. A competência técnica, a EY ensina. daí termos um currículo formativo que acompanha toda a carreira de cada um dos nossos profissionais.?



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