Notícias

Como ultrapassar a escassez de talento

Como ultrapassar a escassez de talento

Relatório do Fórum para a Competitividade recomenda aliança entre empresas e ensino público.

24.04.2017 | Por João Ramos


  PARTILHAR



Em 2020, a economia digital pode representar 20% do Produto Interno Bruto (PIB) português, criar €2,3 mil milhões de riqueza e gerar 3% de empregos especializados em tecnologia, prevê o estudo “Índice de Densidade Digital”, elaborado pela consultora Accenture e que serviu de base ao relatório “Portugal — Uma Estratégia para o Crescimento”, elaborado pelo Fórum para a Competitividade. Uma meta ambiciosa que permitiria a Portugal trepar alguns lugares no “Índice” (entre 24 economias analisadas), passando da atual 17ª posição para um lugar acima da média europeia.

Para que o país possa responder ao desafio e encarar a digitalização “com sentido de urgência”, o estudo diz ser prioritário que as empresas e o Estado portugueses se preparem para a nova era digital, apostando na formação de recursos humanos qualificados, através de uma articulação entre o ensino e o mundo empresarial. Uma medida estratégica que, segundo o grupo de trabalho para a economia digital do Fórum para a Competitividade, permitiria “educar e formar jovens não para as profissões atuais, que poderão vir a desaparecer, mas sim para lhes fornecer um conjunto de competências transversais que os ajudem a ter permanentemente as competências de empregabilidade para as necessidades do mercado de trabalho e emprego ao longo da sua futura vida ativa”.

Só assim o país estará em condições de aproveitar “as oportunidades de investimento e empregos associadas a esta digitalização da economia” e proporcionar aos jovens portugueses condições para se adaptarem “à destruição de emprego numas áreas e criação noutras” (ver caixa). Por exemplo, no sector industrial, segundo revela o relatório, “a digitalização vai implicar que 10% a 15% dos atuais empregos irão desaparecer nos próximos 10 anos” e que “serão criados outros”.

Esta reforma iria abranger os ensinos básico e secundário e passaria pela formação de professores nas áreas da programação e da transformação digital (envolvendo conceitos como a manufatura aditiva, impressão 3D, automação e robótica). Ao nível do ensino superior (universitário e politécnico), o documento propõe que seja estimulada “a ligação ente o sistema científico e tecnológico e as empresas, visando a adequação da oferta à procura de graduados nas áreas de economia digital”.

Referência internacional
Para que Portugal possa apanhar o comboio da economia digital, o relatório do Fórum para a Competitividade recomenda a criação de um canal digital entre organismos públicos, empresas e cidadãos. Uma iniciativa inspirada num projeto do Governo do Japão e que foi implementada com bons resultados recorrendo a investimento privado. Outro caso de estudo que deve ser seguido é o dinamarquês, já que este país nórdico conseguiu acabar com o papel na relação ente o cidadão e o Estado.

Se Portugal der os passos certos, o relatório defende que “também se poderá tornar uma referência internacional na economia digital, tal como fez no passado em áreas como as energias renováveis, pagamentos eletrónicos e via verde”. Para que esta transformação digital se concretize, o Fórum para a Competitividade não tem dúvidas em recomendar que “seja marcada uma data limite para que todos os contactos entre os cidadãos e a administração pública sejam feitos por via digital”.

Incentivos fiscais à inovação
Outra peça importante do puzzle que permitirá construir o Portugal Digital nos próximo anos passa pela “identificação de um cluster de empresas (nacionais e internacionais) da área digital, inovadoras, criadoras de emprego, ligadas ao mercado e ao ensino, exportadoras de tecnologia e serviços, com base em Portugal e, preferencialmente, relacionadas com a criação de patentes”.

O relatório propõe também o reforço da política de atração de investimento estrangeiro, nomeadamente centros de competências e centros de serviços partilhados que apostam em tecnologia digital. O aperfeiçoamento do ecossistema de empreendedorismo de base tecnológica também faz parte das propostas do grupo de trabalho para a economia digital.

Ao nível do financiamento, o documento recomenda que sejam definidos benefícios fiscais para as empresas de capital de risco e business angels. E propõe que seja criado cofinanciamento entre fundos públicos e operadores privados, em que estes últimos asseguram a gestão. Para que seja possível responder à procura de trabalhadores qualificados e competir com o que de melhor se faz no mundo nas áreas tecnológicas (Estados Unidos, Reino Unido, Finlândia e Singapura), o Fórum para a Competitividade considera ser importante apoiar as empresas na retenção e importação de talento.

Outra forma de estimular a inovação nacional passa pela adoção de incentivos fiscais às empresas exportadoras. “O IRC deveria ser de 5% por um período de 10 anos para os lucros referentes a propriedade intelectual desenvolvida em Portugal e exportada sob a forma de patentes, direitos de autor”, recomenda o relatório do Fórum para a Competitividade.



OUTRAS NOTÍCIAS
O marketing da Google numa sala perto de si

O marketing da Google numa sala perto de si


Faz-se fila em frente ao auditório para assistir à formação em marketing digital dirigida pela Google. Mas apesar de o assunto ser avesso ao papel, os formandos só e...

Parar seis meses, definir 40 anos

Parar seis meses, definir 40 anos


Mário não desvia os olhos do telefone. Anda de um lado para o outro, entre as alas da incubadora onde pôs a crescer a sua terceira startup, a Climber, e tem os ponteiros contados p...

Médicos dentistas contestam modelo de integração no SNS

Médicos dentistas contestam modelo de integração no SNS


A ausência de carreira é o ponto central da contestação ao modelo de integração dos médicos dentistas no Serviço Nacional de Saúde, assina...



DEIXE O SEU COMENTÁRIO





ÚLTIMOS EMPREGOS