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Calçado luso conquista Europa e gera emprego

Calçado luso conquista Europa e gera emprego

Se há um par de décadas lhe dissessem que o sector do calçado português se apresentaria como “a indústria mais sexy da Europa” e destronaria o mítico champagne francês na categoria de internacionalização de empresas do Prémio Europeu de Promoção Empresarial, promovido pela Comissão Europeia, acharia que era delírio nacional. Pois não é. A Europa ficou a saber que os sapatos portugueses são os mais sexys e o país hasteou a bandeira de orgulho nacional por um sector que nos últimos anos soube colocar de lado a imagem de uma indústria condenada para se modernizar, ganhar escala global e criar emprego.

28.11.2013 | Por Cátia Mateus


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Estão nos pés de Barack e Michelle Obama, Paris Hilton, Shakira, Cameron Diaz, Letizia Ortiz, Rihanha, Sarkozy, Michael Bublé e muitos outros. Os sapatos made in Portugal conquistaram o mundo e mostraram esta semana que a estratégia que o sector prosseguiu nos últimos 30 anos deu frutos. O calçado nacional apresentou-se nos prémios europeus de Promoção Empresarial, promovidos pela Comissão Europeia, com a campanha “Portuguese Shoes: The sexiest industry in Europe” e ganhou. O prémio é para a associação Portuguesa do calçado APICCAPS o reconhecimento de um trabalho desenvolvido pelos empresários e pelo sector. Um trabalho que já conseguiu colocar o calçado português entre os mais caros da Europa, logo a seguir à Itália, e que está a fazer desta indústria um exemplo de sucesso na criação de emprego em território nacional.

Nos primeiros nove meses do ano, a indústria portuguesa de calçado exportou 1,336 mil milhões de euros. O valor corresponde a 56 milhões de pares de sapatos e representa um crescimento de 7,2% face a igual período de 2012. Para alcançar estes números terá contribuído a estratégia de modernização que o sector conduziu nos últimos anos e que faz hoje da indústria nacional do calçado, um exemplo entre os setores com elevada incorporação de tecnologia e design que soube internacionalizar-se e conquistar um público fiel em vários países. De tal modo que nem a subida do preço do preço médio dos sapatos portugueses (hoje vendidos a 22,7 euros por par, o segundo valor mais alto da Europa e) no mercado mundial, foi suficiente afastar potenciais compradores ou para diminuir a faturação do sector. A indústria nacional do calçado exporta para todo o mundo e registou este ano um aumento significativo das vendas para fora da União Europeia, em países como a Rússia, Angola, Estados Unidos, Canadá ou Austrália. Para a APICCAPS, a justificação é simples está centrada no poder da “marca Portugal” que foi capaz de gerar o salto entre uma indústria de mão-de-obra barata para uma indústria de qualidade, com fábricas tecnologicamente sufisticadas.

Para Paulo Gonçalves, porta-voz da APICCAPS, as exportações têm sido o motor da economia e o sector do calçado posiciona-se nos lugares cimeiros deste ranking de sucesso. “O prémio europeu agora alcançado demonstra que a estratégia que definimos há mais de 30 anos, centrada na ambição de nos tornarmos líderes mundiais neste do sector, foi sucedida”, explica adiantando que “percorremos este caminho competindo diretamente com os melhores, levando as exportações a acrescimentos anuais superiores a 20% e aumentos também no preço do calçado”. Para Paulo Gonçalves, a distinção alcançada é para as empresas nacionais do sector uma responsabilidade acrescida pois “temos o mundo de olhos postos no calçado nacional”.

A produção deste sector está sobretudo concentrada em Felgueiras, onde as empresas em atividade representam 40% das exportações nacionais de calçado. Segundo Paulo Gonçalves, “é o conselho do país com menor taxas de desemprego, apenas 11%. As várias empresas sedeadas em Felgueiras criaram nos últimos três anos, cerca de 1200 novos postos de trabalho”. Recrutar, sobretudo para a área de produção, “não é fácil”, reconhece o porta-voz. “Em Felgueiras já esgotámos praticamente a mão-de-obra disponível e temos várias empresas a deslocalizar a sua atividade produtiva para o interior do país, onde há mais mão-de-obra livre”.

O sector está em crescimento e segundo dados da APICCAPS, novos recrutamentos são necessários já no início do ano para fazer face ao maior pico de produção do sector. Em dados recentemente divulgados, a associação apontava para que 14% das empresas do sector perspetivassem novas contratações ainda este ano. Com as encomendas a aumentar, à medida que se aproxima o tradicional pico de produção de janeiro e fevereiro, as empresas terão de ir ao mercado para reforçar as suas estruturas. Paulo Gonçalves confirma que “tem sido mais fácil recrutar profissionais para as áreas de marketing, logística, design e gestão, mas mantém-se as dificuldades em contratar para a área de produção”.

Para atrair novos talentos para a indústria do calçado, a associação tem percorrido, com o seu centro profissional Academia de Design e Calçado, várias escolas do país procurando demonstrar as oportunidades de trabalho existentes num sector que é cada vez mais qualificado. De resto, rejuvenescer e apostar na qualificação desta indústria é uma das grandes bandeiras da associação, sob pena de arriscar o futuro de um sector cujo potencial o mundo já reconheceu.



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