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O que procuram as tecnológicas

O que procuram as tecnológicas

Nenhum sector escapou ileso à conjuntura económica adversa que assola o país, mas o das Tecnologias de Informação foi claramente o menos afetado, sobretudo em matéria de dinâmica de recrutamento. Ainda assim, o panorama mudou nas TI.

21.11.2013 | Por Cátia Mateus


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Mudaram os salários e mudaram também as prioridades de contratação das empresas que, sem abrir mão de sólidas competências técnicas, procuram hoje profissionais aptos a responder a outros desafios para os quais a atitude e as competências comportamentais são o Factor X que distingue os bons, dos excelentes.

Num  mercado altamente competitivo e em constante evolução, como é o das Tecnologias de Informação (TI), um profissional tem de ir além das competências técnicas sólidas se quiser sem bem sucedido e alcançar níveis de progressão na carreira economicamente compensadores. Nas TI, como na generalidade dos sectores, a austeridade nacional provocou mudanças. Ainda que menos do que noutras áreas, também neste sector as empresas estão focadas na contenção de custos. Ainda assim, estão dispostas a pagar bem a um profissional capaz de gerar resultados rápidos e sólidos. E cada vez mais, para os especialistas na área, este tipo de resultados só se conseguem alcançar com perfis capazes de comunicar de forma eficaz, construir relações sólidas com clientes ou colegas e, liderar e gerir de forma eficiente as suas equipas rumo a resultados.

A SAP Portugal conta fechar 2013 com um aumento de 75 novos colaboradores da sua equipa. Cerca de 80% já foram contratados e Joana Marcos Rita, HR Business Partner da empresa, confirma que a principal prioridade é reforçar a equipa SAP com novos consultores, juniores e seniores. Para as áreas mais técnicas, a especialista dá prioridade a candidatos com formação superior em engenharia informática, informática de gestão ou engenharia de computação. Para áreas mais funcionais, a procura reai sobre perfis com backgrounds de logística, financeiros, gestão de recursos humanos ou outras áreas relevantes para o contexto empresarial. Mas seja qual for o perfil, para Joana Marcos Rita, “é indispensável estar orientado para o sucesso que é medido através da orientação para o cliente, conhecimento aprofundado da estratégia e dos produtos da companhia e innovative thinking”.

A especialista não tem dúvidas que para triunfar profissionalmente numa carreira tecnológica é necessário desenvolver um perfil “orientado para resultados, multi-tasking, capaz de encontrar soluções simples e inovadoras para processos complexos, com agilidade para rapidamente reagir à mudança e capacidade para executar com qualidade e rapidez”. Joana Marcos Rita, não tem dúvidas: quando recruta para a sua equipa procura “formação técnica sólida, experiência de trabalho relevante em contexto multinacional, atitude de learn agility, abertura para novas experiências, desafios e contactos, motivação para assumir novas responsabilidades, com inteligência emocional e social e capacidade de inspirar e mobilizar os outros”.

Aposta semelhante faz Pedro Fraga, administrador e CEO da tecnológica F3M. “Há competências que são transversais a qualquer mercado, mas damos muito mais importância às soft skills e são essas competências que validamos logo no ínicio de qualquer processo de recrutamento”. A F3M contrata sobretudo para funções de desenvolvimento e consultoria, mas também para as áreas de marketing e gestão. Nos processos de contratação que lidera, Pedro Fraga reconhece que a empresa não faz a validação de hard skills pois “sendo um jovem licenciado, assumimos que a esmagadora maioria das universidades portuguesa faz o seu papel”. A empresa aposta muito na formação dos seus quadros, mas na triagem inicial o CEO destaca a importância dos jovens perceberem que “uma carreira se começa a construir muito antes de se entrar no mercado de trabalho”. O desenvolvimento de soft skills não pode ser negligenciado pelos candidatos.  

Luísa Fernandes, diretora de Recursos Humanos da PRIMAVERA BSS, valida a opinião. A empresa que prevê fechar 2013 com um acréscimo de 50 novos quadros, privilegia fatores como a “versatilidade, capacidade de aprendizagem e de descoberta, inovação, proatividade” que considera “competências-chave nesta área de negócio”. Para Luísa Fernandes, o background técnico já não pode ser dissociado das soft skills num processo de recrutamento de TI. Habituado a recrutar para este mercado, Nuno Troni, executive manager da Michael Page Information Technology, enfatiza que “o que acaba por diferenciar os bons candidatos dos excelentes são as soft skills, em que características como comunicação, relacionamento interpessoal, trabalho em equipa, liderança, entre outras, marcam a diferença”.

Reestruturação salarial

Todas as empresas estão focadas em conter custos e para Nuno Troni “o sector das Tecnologias de Informação não constitui exceção”. O executive manager da Michael Page Information Technology confirma uma “tendência para diminuir, na medida do possível, salários fixos, compensando na componente variável, seja em forma de prémios ou por cumprimento de objetivos”. Nesta reestruturação salarial não se incluem fringe benefits ao nível das comunicações ou seguros de saúde que permanecem sem reduções.

Cargos ao nível da Direção de Sistemas de Informação ou Gestão de Programas são, de acordo com o especialista, os mais bem pagos do sector ainda que “as funções que envolvam deslocações frequentes ou deslocalização sejam também muitíssimo bem pagas”. De resto, o estudo sectorial das remunerações realizado pela Michael Page Information Technology para 2013, comprova-o. Um diretor de Sistemas de Informação, com nível médio de experiência profissional (entre os 30 e os 40 anos de idade), que trabalhe para uma empresa com um volume de vendas superior a €30M poderá auferir salário um anual bruto de 79.500. Um valor que sobe para os 91.500 em níveis de experiência e senioridade superiores. Ser consultor nesta área também é aliciante. Um júnior (menos de 30 anos de idade) que integre a área pode ganhar um salário anual bruto de 47.700 euros, trabalhando para uma empresa com um volume de vendas superior a €30M. O salário sobe para os 90 mil euros, em níveis de experiência médios, e para os 120.800 em cargos seniores .

Entre as funções com menor índice remuneratório estão, segundo a Michael Page, os técnicos de Sistemas/ Help-Desk, cuja remuneração numa empresa com o mesmo volume de vendas, oscila entre os 26 mil e os 32.300 euros, consoante a experiência, os Analistas Funcionais, com vencimentos entre os 22.500 e os 34.200 euros e os responsáveis de Sistemas e Redes, com salários brutos anuais entre os 39.500 e os 47.700 euros.



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