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Café salva postos de trabalho

A revolução do café em monodoses, servido em máquinas nos escritórios, impediu que dezenas de trabalhadores fossem dispensados dos seus postos de trabalho
29.05.2008


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Marisa Antunes

Em Portugal e em cada dia que passa 136 empresas, em média, fecham as suas portas. Os números da Associação Nacional da Pequenas e Médias Empresas referentes a 2007 dão conta do encerramento de cerca de 50 mil pequenas e médias empresas (PME), que acabam por não resistir a múltiplos factores entre os quais a concorrência global ou o preço dos combustíveis.

Mas nem todos sucumbem ou resignam-se à crise. Mesmo em situações-limite, o engenho e a determinação fazem a diferença na sobrevivência da empresa e das pessoas que lá trabalham. Foi o que aconteceu com Rogério Meireis, que de uma empresa rentável passou para outra que deveria reduzir em 75% o seu quadro de pessoal por imperativos da casa-mãe, em Espanha. Não fosse o gestor ter visão estratégica para travar a sangria.

Líder no mercado de cafés para o canal Office, a Soprattutto é hoje uma empresa que factura quatro milhões de euros e vende 200 milhões de monodoses de café por ano, para os escritórios portugueses. Mas até aqui chegar percorreu um longo caminho.

Especialista no mercado dos cafés, Rogério Meireis foi director-geral da Azkoyen/CHCH (Companhia de Hotelaria e Consumo Hispanolusa) portuguesa, onde esteve <MC1>durante 11 anos à frente dos seus destinos.

Em 2001, o gestor viu-se perante a imposição da multinacional de iniciar um processo de reestruturação, obrigando à semelhança de outras filiais, à transferência de 40% da facturação e 72% dos lucros para a casa-mãe, em Espanha.

“Esta decisão estratégica de concentrar o lucro deixou-me com um problema nas mãos: a empresa deixaria de ser rentável e passaria para o prejuízo a manter a estrutura que tinha. Por isso, seria obrigado a reestruturar a companhia, o que implicava rescindir 60 dos 78 postos de trabalho”, lembra o responsável.

O gestor respondeu à directiva com um desafio: lançar o projecto das monodoses, que abrangia a colocação de máquinas de café para escritórios e as máquinas de água para garrafões de cinco litros.

“Hoje há uma moda tão grande com as monodoses por pressão publicitária do nosso concorrente, mas muito antes, fomos nós que a lançámos no mercado e foi, na altura, a grande solução para travar os despedimentos”, recorda ainda.

Apesar da boa adesão do mercado e dos resultados consequentes, a multinacional não quis, ainda assim, investir no mercado português, o que levaria Rogério Meireis a incompatibilizar-se com a linha de direcção seguida. “A casa-mãe queria realizar mais-valias rápidas e achava que não era muito estruturante investir aqui, por isso eu acabei por abandonar a Azkoyen em Janeiro de 2006 e ir para o fundo de desemprego”.

Mas não por muito tempo. Poucos meses depois, e com o apoio financeiro da Espírito Santo Capital e GED Iberian Private Equity, Rogério Meireis apresenta um projecto de compra da companhia, por oito milhões de euros, que se vem a concretizar a 29 de Setembro de 2006.

A reestruturação atingiu os 500 mil euros e a empresa renasceu com o nome Soprattutto.

Hoje a empresa comercializa não só dois tipos de café em monodoses, mas também chás, sendo outras das suas grandes apostas o chocolate e a água para o ramo empresarial.

Com capital 100% português, a empresa tem cerca 20 mil clientes e actua um pouco por todo o país, com especial incidência nas regiões de Braga, Algarve, Lisboa.

O leque de clientes é abrangente, tendo desde grandes empresas a pequenos negócios. Exemplo disso é o facto da Soprattutto ter máquinas instaladas em 2.600 cabeleireiros.

E a tendência é para o crescimento acentuado, graças à lei anti-tabágica. "As vendas aumentaram por cliente uma média de 10% após a entrada em vigor da lei", especifica o responsável que partilha a sociedade com Paulo Gaspar, Nuno Figueira e Sandra Azevedo.

Em fase de expansão, a Soprattutto investiu durante o ano passado 200 mil euros em publicidade e meio milhão de euros em informática.





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