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Da Academia para a empresa

Durante cinco dias um grupo de 20 jovens empresários vai ‘ocupar‘ a Academia Militar para um curso de Liderança
29.05.2008


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Cátia Mateus
Diria Sun Tzu que “a melhor conquista do adversário é aquela que se faz sem combates mas com astúcia, sem nunca fechar todas as portas ao adversário”. O célebre mandamento estratégico do escritor chinês seria tão bem aplicado numa empresa como num exército, ou não fosse a ‘Arte da Guerra', para lá de todos os seus princípios, também um manual de preparação para a vida quotidiana. Com efeito, este livro de estratégia de que é autor tem acompanhado militares, civis e, sobretudo, gestores, provando que o universo das empresas e o militar têm, afinal, muito mais que os una do que os separe. Foi por constatar esta verdade que a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) decidiu aplicar no terreno empresarial estes mandamentos de estratégia defendidos pelas altas patentes militares. A associação uniu-se à Academia Militar para materializar um curso de Liderança para empresários. Durante cinco dias, os empreendedores nacionais trocam a gravata pela farda para aprender como sobreviver num ambiente hostil — como é muitas vezes o mundo dos negócios.

De 13 a 17 de Junho, um grupo de 20 jovens empresários vai frequentar, nas instalações da Academia Militar, em Lisboa, um rigoroso plano de formação que pretende desenvolver as competências de liderança recorrendo a práticas de treinamento militar. Comportamento organizacional, provas de projecto e planeamento, provas de situação, adaptação ao meio ambiente, navegação no terreno, técnicas de transposição de obstáculos, preparação física e desportos, orientação topográfica, são algumas das áreas a abordar neste curso que recorrerá a estudos de caso, jogos e exercícios de campo como modelo de ensino.

A iniciativa decorre de uma parceria firmada este mês entre a ANJE e a Academia Militar que prevê, segundo Cottim de Oliveira, membro do conselho de gestão da ANJE, “a realização de pelo menos uma acção de formação anual”. O responsável explica que “o curso de Liderança coloca os empresários sob o comando das tropas portuguesas, já que o corpo docente é constituído por hierarquias militares”. Cottim de Oliveira argumenta que “o objectivo desta iniciativa é o desenvolvimento de competências comportamentais ao nível do relacionamento interpessoal, tendo como meta o reforço da liderança”.

Uma visão corroborada pelo tenente-general Fernando Paiva Monteiro, comandante da Academia Militar. “O curso de Liderança da Academia Militar destina-se a civis, tendo como referência as qualificações necessárias aos futuros comandantes/chefes militares”, explica o tenente-general enfatizando a formação nos domínios da autoconfiança, autocontrolo, capacidade de planeamento de acções e decisões, comunicação assertiva, coordenação e apoio aos recursos técnicos e humanos.

Paiva Monteiro não tem dúvidas de que “saber lidar com situações adversas incertas é um requisito obrigatório na formação de cadetes, tendo em vista as suas futuras funções de comando, que exigem competências humanas e de gestão de emoções”. Nesta perspectiva, o tenente-general acredita que os ensinamentos praticados na Academia na área dos comportamentos de liderança podem constituir uma oportunidade de enriquecimento curricular para os jovens empresários e serão úteis se bem aplicado nas suas organizações.

Fernando Paiva Monteiro salienta que “um dos factores fundamentais para o desempenho individual e colectivo nas organizações está na forma como os seus líderes conseguem ou não influenciar os colaboradores e o desenvolvimento de competências de liderança permitir-lhes-á, entre outras coisas, agir adequadamente em função da exigência das situações e construir equipas eficazes para cumprir os objectivos organizacionais de forma harmoniosa”.

Para que o objectivo deste curso seja alcançado, os jovens empresários serão sujeitos a um regime de internato onde se depararão com três pressupostos: falta de tempo, níveis de stresse elevados e desafios que só podem ser ultrapassados em grupo.

Paiva Monteiro explica que este curso é muito procurado por civis e várias organizações já mostraram interesse em levar os seus quadros a frequentar esta formação. Contudo, a Academia tem dificuldade em responder à procura, uma vez que os docentes estão ocupados na formação de cadetes e nos cursos de liderança nas universidades com as quais tem protocolo, como é o caso da Universidade do Minho, Universidade de Évora, Universidade Nova e Instituto Superior Técnico.

O tenente-general reforça que “as sinergias entre o universo empresarial e a instituição militar sempre existiram em diferentes sectores” e enfatiza a convicção de que “em ambientes mais incertos e adversos, as empresas têm de competir, estar em permanente mudança e o talento dos seus colaboradores é imprescindível, nomeadamente ao nível da liderança. Daí a necessidade de encontrar modelos de formação que complementem e valorizem os recursos humanos”.

A ANJE tem abertas as candidaturas para este curso-piloto de Liderança em ambiente militar que deverá ter um custo de participação aproximado de mil euros. Os empresários, sócios e não-sócios da associação, são o público-alvo desta iniciativa.




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