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Bolinhos artesanais e um pontapé na crise

Bolinhos artesanais e um pontapé na crise

Liliana Pinto a Don Macaron herdou a arte e o talento para o fabrico dos saborosos macarons. De Miguel Castro Santos, recebeu o conhecimento na gestão e a vontade de aplicar num negócio próprio, tudo o que tinha feito durante dez anos ao serviço dos outros.
05.01.2012 | Por Cátia Mateus


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O jovem casal está unido nos negócios, mas também na vida em comum. Os dois empreendedores, marido e mulher, decidiram no ano passado fintar uma situação de desemprego e levar para o mercado aquilo que Liliana há muito fazia por hóbi: os macarons, deliciosos e coloridos biscoitinhos gourmet, cobertos de açucar e com sabores que vão do clássico morango ou chocolate, até aos mais ousados como o champagne. A Don Macaron abriu portas em novembro e está já a conquistar os portugueses e a provar que da crise também pode nascer boas ideias.

Ela é psicóloga com mão para a doçaria. Ele é licenciado em Relações Internacionais. Ambos são avessos a viver de subsídios e por isso, quando se viram numa situação involuntária de desemprego, deitaram mãos à obra e criaram o seu próprio negócio. Há muito que Liliana já treinava o fabrico dos macarons e aprimorou de tal modo a receita e a técnica que até já aceitava encomendas para eventos. Aliaram a vontade ao conhecimento e arriscaram enfrentar a crise e colocar no mercado a Don Macaron, que tem uma loja física no Tivoli Forum, em Lisboa.

“Decidimos abrir um ponto de venda que materializasse este projeto e nos possibilitasse dar resposta a todo o tipo de encomendas, mesmo as mais pequenas, uma vez que só aceitávamos encomendas superiores a 50 unidades”, relembra Miguel Santos. A escolha do espaço foi, na verdade, a maior dificuldade dos empreendedores. A resposta das unidades comerciais da capital acabou por se revelar bem mais demorada do que esperavam, contrariando o necessário dinamismo essencial para combater a crise.

Na criação da empresa investiram perto de vinte mil euros, maioritariamente provenientes da antecipação na íntegra do subsídio de desemprego de Miguel. Segundo as suas contas, o retorno nunca chegará antes dos 36 meses da empresa, mas o casal definiu estratégias de ouso para ultrapassar com sucesso o conturbado momento económico que o país atravessa. A seu favor conta o facto dos macarons da Don Macaron serem totalmente artesanais e produzidos de forma não massificada, mas isso serve para destronar a eventual concorrência, o casal não despreza outros cuidados. “Diminuímos ao máximo os nossos custos operacionais e tivemos bastante em consideração a renda do local que escolhemos. Quando elaborámos o plano de negócios considerámos já o aumento da taxa fiscal de 13 para 23%, o que fez com que a nossa política de preços se mantivesse inalterada com a vinda da nova taxa”, explicam.

Com um público-alvo dos 8 aos 80 anos, que aprecia um doce produzido artesanalmente e de forma não massificada, a Don Macaron emprega atualmente duas pessoas, mas não coloca de parte o potencial de crescimento e a eventual entrada de novos parceiros para o negócio. “Consideramos essa possibilidade sobretudo quando pensamos na deslocação do projeto para lá da Grande Lisboa”, revela Miguel Castro Santos que assume a vontade da dupla de empreendedores em transpor as fronteiras geográficas nacionais e até internacionais. Para já, os macarons - doces bolinhos originários da Veneza renascentista - estão a fazer as delícias dos lisboetas. Fruto da capacidade de iniciativa de uma dupla de empreendedores que se recusou a viver de subsídios e não teve medo de arriscar.

BI Empresarial

Fundadores:
Liliana Pinto, 32 anos
Miguel Castro Santos, 34 anos

Formação:
Liliana Pinto é mestre em Psicologia Clínica e Miguel Castro Santos possui uma licenciatura em Relações Internacionais.

Área de atividade:
A Don Macaron assume-se como uma empresa familiar especializada na produção de pastelaria fina: os macarons, produzidos artesanalmente por Liliana Pinto.

Investimento inicial:
A equipa aplicou na criação da empresa cerca de 20 mil euros, maioritariamente provenientes da antecipação do subsídio de desemprego de Miguel, com algum montante próprio dos empreendedores.

Perspetiva de retorno:
O Don Macaron ainda não permitiu aos seus mentores a recuperação dos montantes investidos no negócio. Mas a equipa espera conseguir fazê-lo num período de 30 a 36 meses.

Principais dificuldades:
“A demorada e muitas vezes inexistente resposta por parte de algumas das principais entidades administrativas de espaços comerciais da Grande Lisboa, quando procurávamos decidir a localização física da empresa para a abertura do negócio”, relembra Miguel Castro Santos.

Metas a alcançar:
A equipa gostaria de fazer crescer o projeto para lá da Grande Lisboa e quem sabe até para fora de Portugal.

Estratégia de gestão:
Serviço ao cliente. “Sem o cliente não temos razão para estar no mercado”, enfatizam.



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