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Alunos de informática são insuficientes para as ofertas

Alunos de informática são insuficientes para as ofertas

Que as tecnologias de informação são uma das áreas mais dinâmicas do país em matéria de recrutamento, já não restam dúvidas. Mas para a Universidade Portucalense, Portugal corre mesmo o risco de não conseguir dar resposta a todas as ofertas de emprego divulgadas, por falta de profissionais.
09.08.2012 | Por Cátia Mateus


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Pode parecer irónico, mas num país onde a taxa de desemprego já totaliza 15,4% há áreas onde os profissionais disponíveis parecem ser insuficientes para a procura. É, segundo o Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia (DICT) da Universidade Portucalense (UPT), o caso dos cursos ligados à informática e às tecnologias de informação (TI). Segundo a instituição, “o número de jovens que estão a optar por cursos superiores de informática e sistemas de informação é insuficiente para colmatar as necessidades do mercado de trabalho”. A instituição garante ainda que “a prazo, este fenómeno pode comprometer a criação de riqueza na economia do país”. Diz-se que não há engenheiro informático que, querendo, não tenha emprego garantido. Os cursos de informática figuram na lista dos garantem maiores taxas de empregabilidade, em Portugal e no estrangeiro. De resto, as oportunidades para quem escolhe fazer carreira na área das TI são sempre a uma escala global. Na generalidade dos cursos, os alunos conseguem emprego antes mesmo de concluírem a sua licenciatura o que contribui para as tão ambicionadas taxas de empregabilidade de 100%, tão disputadas noutras áreas onde infelizmente o país não tem conseguido gerar soluções para os seu licenciados. Mas para Filomena Castro Lopes, esta procura por especialistas altamente qualificados na área das TI pode assumir índices preocupantes se o país não conseguir captar mais jovens a enveredar por esta área de formação. A rede de mobilidade europeia EURES elaborou um ranking europeu das 10 profissões mais procuradas, figurando os engenheiros de sistemas e programadores em primeiro lugar, logo no topo da tabela. Mas a procura estende-se também a outras carreiras profissionais sustentadas também por qualificações nas área da informática, que ocupam a sexta e sétima posições da lista. “Com base na Eures, há mais de 1800 empresas em toda a Europa a quererem contratar licenciados na área da informática e não deixa de ser alarmante constatar que, numa era marcada pelo forte índice de desemprego entre os jovens licenciados, estes (e sobretudo as mulheres) aderem cada vez menos aos cursos que mais garantias de emprego lhes dão”, salienta a diretora do DICT. Para a docente, o desinteresse dos jovens pelos cursos na área da informática tem origem na difícil relação que muitos alunos do ensino secundário têm com a matemática, o que mais tarde os leva a afastar das suas escolhas os cursos superiores que exigem conhecimento nesta área. “Na hora de escolher a formação superior que ditará o seu futuro profissional, os nossos jovens têm tendência a cultivar o facilitismo e, frequentemente, optam pelos cursos que lhes parecem mais fáceis, em detrimento dos que lhes conferem maiores garantias de empregabilidade”, constata Filomena Castro Lopes acrescentando que apesar disso a universidade que representa tem constatado que “a maioria dos alunos que ingressam nos cursos da área da informática, acabam por reconhecer que conseguem fazer com aproveitamento e gosto as unidades curriculares da área da matemática”. Na UPT, que há 25 anos ministra cursos na área da informática, o número de alunos que a cada ano conclui a sua formação é insuficiente face às ofertas de emprego que, segundo a diretora, chegam à universidade ao longo do ano. Além do défice de licenciados face à procura, Filomena Lopes tem ainda outra preocupação: o afastamento do público feminino da área das tecnologias de informação. Segundo a diretora, são poucas as mulheres que apostam no desenvolvimento de uma carreira na área das TI e o fenómeno não exclusivo das universidades portuguesas. Filomena Lopes enfatiza a preocupação que também as Nações Unidas, a Comissão Europeia e empresas de referência como a Microsoft e a IBM já manifestaram sobre esta questão e defende a necessidade urgente de atrair mais mulheres para os cursos tecnológicos. “Queremos contribuir para o desafio que está a ser lançado no plano internacional e que passa por combater o estereótipo de que as profissões ligadas às tecnologias são talhadas para homens”, explica. Nos cursos de informática da universidade, a percentagem de mulheres não excede os 2%. Um número que poderá ser melhorado se se começar, por exemplo, a despertar o interesse e a ligação dos jovens às tecnologias no ensino secundário de forma mais estruturada.


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