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Alma lusa

Apostar de forma inteligente numa carreira internacional é sinónimo de uma ascensão meteórica com todas as benesses que isso acarreta. Quando o limite é o mundo, não há barreiras para as oportunidades
21.05.2009


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Marisa Antunes
Frederick Fannon (foto de capa) é o novo director criativo da agência de publicidade McCann Erickson e Sandra Reis é directora de recursos humanos da multinacional Mars. Os seus caminhos nunca se cruzaram mas em comum eles têm algo mais do que percursos internacionais que passaram, em ambos os casos, por diversos países até ao regresso a Portugal. O espírito é o mesmo: intrépidos, determinados, inovadores, anseiam por aprendizagem mas também sabem ensinar quem os rodeia. Conquistaram o seu espaço por onde andaram, assimilaram diferentes métodos de trabalho, deram o seu contributo pessoal para novas performances, enriquecendo as empresas mas também o seu currículo. Tornaram-se líderes e acumularam uma boa rede de contactos, fundamental para uma eficiente gestão de carreiras.

Para ambos, a experiência no estrangeiro catapultou a sua ascensão profissional e a decisão de voltar à casa-mãe tornou-se em mais um desafio para estes profissionais do mundo. Foi o que aconteceu com o recém-nomeado director criativo da McCann Erickson. Pelo nome ninguém o diria mas Frederick Fannon é português, nascido em Cascais, filho de pai inglês e mãe portuguesa.

Em Portugal há apenas um mês, o director criativo da McCann deixou para trás a agência nova-iorquina McgarryBowen, onde desempenhava igualmente as funções de director criativo, sendo responsável por clientes como Reebok, Marriot ou HP.

Gosta de dizer que o mundo é para ele sinónimo de “casa”, não esquecendo ainda assim, as “raízes emocionais” que o prendem a Portugal onde vivem os seus pais.

Tendo iniciado a sua formação no St. Julian's International School, em Carcavelos, Frederick seguiu os estudos académicos na prestigiada Parsons School of Design, em Nova Iorque, no curso de Design e Ilustração.

A sua arte cedo o direccionou para o meio publicitário e foi numa das agências mais destacadas, na altura, que começou a sua carreira. “A DM9DBB em São Paulo era uma das que arrecadava mais prémios em Cannes, por isso era para lá que eu queria ir. Para a melhor de todas”, recorda o publicitário, de 33 anos.

A partir daqui não mais parou. Apesar da boa experiência brasileira — “o Brasil é um Portugal mais solto” — resolve regressar ao seu país a convite da agência W para desempenhar as funções de director de Arte. Pouco tempo depois abandona a W para se tornar director de arte da J Walter Thompson onde passou, na altura, os “melhores anos em Portugal, com contas fenomenais como a Vodafone”.

Mais tarde, segue para a BBDO, por pouco tempo. Em 2006, faz as malas e vai para Praga. A temporada na República Checa não correspondeu às expectativas, devido à obstinada resistência à mudança por parte do mercado mas ainda assim retirou mais-valias: “A experiência deu-me muito estofo em tolerância e comunicação”.

Com a sua networking sempre em movimento, vai dar aulas na Miami Ad School de onde sai quando aceita o convite da McgarryBowen, em Nova Iorque, onde ficou dois anos até voltar agora para Portugal.

“O meu plano foi sempre voltar para dar ao meu país o que tive oportunidade de receber lá fora. Mais do que nunca agora é o momento que pede mudança. A agência, os clientes e, no limite, Portugal”, realça Frederick Fannon, lembrando que a crise deveria, acima de tudo, estimular a criatividade e não refreá-la.

A experiência além-fronteiras tem-lhe permitido acumular conhecimento e aumentar as competências na gestão de pessoas. Como defende, "o importante não é ser chefe, é saber liderar".

Longe da zona de conforto

Capacidade de liderança também não falta a Sandra Reis, directora de Recursos Humanos (RH) da multinacional Mars, empresa que produz e comercializa snacks e chocolates como os M&M's ou o Twix e também alimento para cães e gatos.

Foi para aqui que entrou após terminar o curso de Gestão de Empresas da Católica e é na Mars que se mantém 14 anos volvidos graças ao estímulo que a organização dá para a mobilidade. “A Mars promove a multifuncionalidade e isso sempre me agradou pois sou uma pessoa curiosa por natureza. Além disso, desde o liceu que me imaginava a fazer uma carreira internacional”, conta.

Tendo começado no departamento comercial, Sandra Reis passou mais tarde pela logística onde a boa performance a levou à responsabilidade de gerir a implementação do sistema SAP em Portugal e em Espanha, o primeiro passo para a tão desejada carreira internacional.

Parte depois para França, para a área do aprovisionamento, seguindo para Espanha onde assume as funções de marketing manager da área de snack food. O regresso a Portugal surge através do convite para voltar à direcção do departamento de Logística onde permanece até aceitar as funções de directora de Recursos Humanos.

Fazendo o balanço do seu percurso, Sandra Reis lembra que é “fora das zonas de conforto que se cresce profissionalmente”: “Em empresas como a Mars, a carreira internacional é quase um passo obrigatório para se progredir dentro da estrutura. Conseguimos provar que estamos aptos a gerir o stresse e a complexidade”.

Como gestora de RH incentiva quem quer partir para crescer. "Aprendemos a conhecer os nossos limites e potencialidades, aumentamos a nossa capacidade de aculturação, de dar e receber, assimilamos novos métodos de gestão, incrementamos a rede de contactos e temos uma sensação de conquista muito grande. Que fomos e vencemos”, remata ainda Sandra Reis.

Como realça também Diogo Alarcão, "market leader" da Mercer Portugal, empresa de consultoria com vários estudos sobre esta matéria, "apostar numa carreira internacional seja por motivação individual ou por incentivo de uma organização traz, normalmente, resultados positivos e valor acrescentado. O conhecimento e a experiência que se obtém no estrangeiro serão sempre condicionantes de valor para o nosso desenvolvimento".





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